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A decisão do Banco Central Europeu e a enxurrada de euros na economia

Christine Lagarde, chefe do BCE, aumentou programa de compra de títulos em 500 bilhões de euros; medida pode atrair investimento a emergentes como o Brasil

Por Luisa Purchio Atualizado em 10 dez 2020, 15h40 - Publicado em 10 dez 2020, 12h38

Na manhã desta quinta-feira 10, o Banco Central Europeu divulgou a ampliação dos incentivos monetários no bloco até que a economia na Zona do Euro indique sinais mais robustos de recuperação e a inflação se aproxime de 2% — atualmente o Índice de Preços do Consumidor em doze meses está negativo, em -0,3%. Na prática, isso significa que haverá mais uma enxurrada de euros injetados na economia. Um dos efeitos da medida poderá, inclusive ser sentido no Brasil, pois há mais atração de investimentos em países emergentes.

“Com isso mais investimentos acabam sendo direcionados para empresas na bolsa brasileira. A maior parte vai para a renda fixa, mas há um fluxo positivo para a bolsa. A expectativa é que isso continue”, diz Victor Beyruti, economista da Guide.

O programa de compra de emergência para a pandemia (PEPP, na sigla em inglês) aumentou em 500 bilhões de euros, totalizando 1.85 trilhão de euros em compras de títulos públicos. Além disso, o programa foi estendido até março de 2022. Outra mudança realizada nessa reunião é em relação à flexibilidade das ferramentas monetárias.

Após o anúncio, o DXY, que mede o dólar em relação a uma cesta de moedas, principalmente o euro, caía 0,35%, bastante para o índice, que é pouco volátil. Apesar disso, ao longo do ano, os incentivos dados pelo Federal Reserve, o banco central americano, tem sido superiores ao europeu e, por isso, o euro se valorizou em relação ao dólar no período. Em abril, um euro equivalia a 1,08 dólar, e no último fechamento estava a 1,21 dólar.

  • Diante da lenta recuperação econômica do bloco, consequência das novas medidas de distanciamento social decorrentes do aumento no número de infectados pela Covid-19, a instituição optou na última decisão do ano por manter a taxa de juros básica em 0%, a taxa de juros da facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,25% e a taxa de juros da facilidade permanente de depósito em -0,50%.

    Christine Lagarde, presidente do BCE, afirmou que elas podem ser reduzidas ou ampliadas conforme a reação da economia ao longo do ano que vem. “Em qualquer caso, o Conselho do BCE conduzirá compras líquidas até julgar que a fase de crise do coronavírus terminou”, disse ela. A projeção do BCE é que, com a gradual vacinação da população no ano que vem, apenas no final de 2021 já haverá imunização suficiente de forma que não sejam mais necessários lockdowns e assim a economia poderá se estabilizar no caminho de recuperação. Portanto, os incentivos se manterão “até que tenha visto as perspectivas de inflação convergirem de forma robusta para um nível suficientemente próximo, mas abaixo de 2% dentro do seu horizonte de projeção”.

    Apesar de no terceiro trimestre do ano o PIB da Zona do Euro ter crescido 2,5%, de acordo com o último dado revisado, a expectativa é que o quarto trimestre se encerre com retração superior acima de 2% por causa das novas ondas de distanciamento social. Além disso, a crise causada pela pandemia do novo coronavírus tem como característica a heterogeneidade na recuperação dos setores. Enquanto a indústria cresce com mais força, os serviços caminham a passos muito lentos por precisarem de contato social para acontecerem.

    Na divulgação de hoje, o BCE manteve as linhas de crédito. “As medidas de política monetária hoje tomadas contribuirão para preservar as condições de financiamento favoráveis ​​durante o período de pandemia, apoiando assim o fluxo de crédito a todos os setores da economia, sustentando a atividade econômica e salvaguardando a estabilidade de preços no médio prazo. Ao mesmo tempo, a incerteza permanece alta, inclusive no que diz respeito à dinâmica da pandemia e ao momento do lançamento das vacinas”, disse Lagarde.

    Além disso, alguns instrumentos de aumento de liquidez para bancos foram estendidos. Linhas de crédito aos bancos, mais favoráveis à economia real, previstas para se encerrarem em junho de 2021 foram estendidas para junho de 2022.  “O Conselho do BCE reavaliará as medidas de atenuação das garantias antes de junho de 2022, garantindo que a participação das contrapartes do Eurosistema em operações TLTRO III não seja adversamente afetada”, disse Lagarde.

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