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A articulação de Guedes para elevar o líder do Centrão à Casa Civil

Ministro da Economia ajudou nas costuras para elevar Ciro Nogueira à Casa Civil e dar andamento à agenda econômica no Senado

Por Victor Irajá, Larissa Quintino Atualizado em 21 jul 2021, 13h09 - Publicado em 21 jul 2021, 12h30

O ministro da Economia, Paulo Guedes, extrapolou suas atribuições de chefe do cofre. Guedes virou um grande articulador em torno das alianças do governo, com o respeito e respaldo que tem junto ao presidente Jair Bolsonaro. Partiu dele o movimento para a recriação do Ministério do Trabalho, e a elevação do atual ministro da Secretaria-Geral de Governo, Onyx Lorenzoni, para a nova pasta. Em uma reunião realizada na terça-feira 20, Guedes ouviu do presidente e do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que precisava laurear Ciro Nogueira (PP-PI), expoente do Centrão no Senado, com um cargo para melhorar o clima na casa.

Guedes vinha se queixando que seus projetos, apesar de terem vazão na Câmara, eram travados na outra casa. Ele comparou ao presidente Bolsonaro as relações firmadas com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o andamento de projetos da Economia na Casa. Guedes vem comemorando o andamento da agenda, mas reclama dos entraves colocados pelos senadores. Ele repete que a Câmara adotou uma agenda “ganha-ganha” e o Senado, uma de confronto. Pela articulação, o atual ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, vai para o cargo de Lorenzoni, para que Nogueira assuma o posto.

Guedes defendia há tempos que a Casa Civil fosse comandada por alguém da classe política, não um militar, como Ramos. Ele considera que, com uma articulação profissional, encontraria muito menos resistência no andamento de sua agenda. Em 2019, sugeriu o nome do então secretário de Previdência, Rogério Marinho, ao posto, graças aos bons trabalhos pela aprovação da reforma da Previdência. Nas articulações, porém, Marinho ganhou o cargo de ministro do Desenvolvimento Regional — e tornou-se desafeto de Guedes na Esplanada dos Ministérios.

Tempos depois, foi a vez de Guedes tentar emplacar o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD-SP) como o chefe das articulações. Ele repetia que Kassab tinha os atributos para comandar a articulação e reclama que, com a inércia do governo, hoje o ex-ministro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva movimenta-se em torno de uma candidatura alternativa à bolsonarista e à petista para a presidência da República no ano que vem.

Onyx Lorenzoni, porém, é um aliado de primeira hora do governo Bolsonaro. Para acoplar o ministro no cargo de chefe do Trabalho, Guedes deu apenas uma condição: a de que o atual secretário de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, fosse alçado a um cargo alto na nova pasta. Ele diz a assessores que Bianco será o secretário-geral do Ministério comandado por Onyx Lorenzoni.

Em conversas privadas, Guedes bate no peito que a agenda econômica continua dele, mas Onyx Lorenzoni já confidenciou a pessoas próximas que quer ser a cara da retomada do emprego. Resta a dúvida, portanto, se a política gestada por Guedes, que envolve programas de qualificação profissional e simplificação nas contratações, irão continuar, ou se Onyx decidirá seguir um caminho próprio em sua gestão.

A recriação do ministério de Trabalho e Previdência, extinto por Bolsonaro quando assumiu o governo, já era dada como certa em Brasília, porém interlocutores ressaltam a surpresa de que a pasta tenha ficado com o Lorenzoni, quadro do DEM, e não nas mãos do PTB, de Roberto Jefferson, aliado de Bolsonaro. Caso concretizado, esse será a quarto cargo de primeiro escalão diferente que Onyx ocupa, em dois anos de governo. O deputado passou por Casa Civil no início do governo, Cidadania durante a implantação do auxílio emergencial e a Secretaria-Geral.

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