A aposta que pode render quase R$ 500 milhões por trás do trade Flávio
Operação de cerca de 64 milhões de reais com opções do Brasil mira novembro, depois do segundo turno, e pode multiplicar por oito o capital colocado na mesa
Uma operação gigantesca montada em Wall Street ajuda a dimensionar o tamanho que ganhou o chamado trade Flávio. Um investidor comprou 500 mil opções de compra do EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, com preço de exercício de 43 dólares e vencimento em 20 de novembro, e vendeu praticamente a mesma quantidade de calls com strike de 45 dólares.
A estrutura, conhecida como bull call spread, custou aproximadamente 12,5 milhões de dólares — cerca de 64 milhões de reais pelo câmbio atual. Se o EWZ estiver em 45 dólares ou mais no vencimento, ela pode valer 100 milhões de dólares. Descontado o desembolso inicial, o ganho máximo seria de aproximadamente 87,5 milhões de dólares, ou cerca de 445 milhões de reais. O pagamento bruto supera 500 milhões de reais.
O calendário é o detalhe que chama atenção. As opções vencem em 20 de novembro, quase um mês depois do eventual segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. Quando a operação foi montada, o EWZ estava ao redor de 35,4 dólares. Para chegar ao teto de rentabilidade da aposta, portanto, o ETF precisaria avançar cerca de 27%.
Não é possível identificar o investidor por trás da operação nem afirmar que ela tenha sido montada exclusivamente como aposta numa vitória de Flávio Bolsonaro. Mas o desenho coincide com um movimento muito mais amplo que tomou conta do mercado americano de opções do Brasil: investidores estão concentrando suas apostas de alta justamente nos vencimentos posteriores à eleição.
A 22V Research, casa americana especializada em estratégia de derivativos, chamou atenção nesta semana para a anomalia. Há cerca de 2 milhões de calls do EWZ com strikes entre 40 e 50 dólares no vencimento de novembro, contra pouco mais de 300 mil em outubro. A própria 22V passou a recomendar operações para capturar uma eventual alta da bolsa brasileira em caso de vitória de Flávio, sob a avaliação de que o mercado reagiria favoravelmente à perspectiva de mudança na política fiscal.
A aposta ganhou combustível nesta terça-feira. Pela primeira vez na série BTG/Nexus, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula numa simulação de segundo turno, com 46% contra 45%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas reforçou no mercado a percepção de uma corrida cada vez mais apertada.
O efeito apareceu imediatamente nos ativos brasileiros. O Ibovespa chegou a subir cerca de 2% durante o pregão e o dólar caiu para perto de 5,09 reais. Em Wall Street, porém, alguns investidores parecem ter começado a montar essa aposta bem antes das urnas.







