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A aposta das campanhas que ficou escanteada no último debate

A pauta econômica, que foi o principal mote das campanhas, ficou relegada a discursos rasos e pouco propositivos

Por Luana Zanobia
Atualizado em 30 set 2022, 14h50 - Publicado em 30 set 2022, 12h40

O debate presidencial da TV Globo que antecedeu o pleito de domingo, 2, foi marcado por troca de farpas e acusações entre os candidatos. Ao longo de quase três horas e meia, a sabatina se alternava entre ofensas pessoais e atropelamentos em discussões que escantearam temas importantes, como a economia, que foi a principal aposta das campanhas, mas ficou embalada em discursos rasos e pouco propositivos.

Responsabilidade fiscal, gasto público e teto de gastos foram expressões bastante usadas, mas poucos se apropriaram delas para apresentar propostas. Ao contrário, sempre que surgiam na boca de algum candidato, vinham acompanhadas de menções a casos de corrupção, desvios e ineficiência na gestão do dinheiro público. A discussão ficou novamente bastante polarizada entre os dois principais oponentes, Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lula não deu nenhuma sinalização clara de propostas econômicas caso seja eleito, seu discurso ficou novamente concentrado em seus feitos do passado. Quando questionado pela candidata Simone Tebet (MDB) sobre privatização de estatais deficitárias – tema sensível ao ex-presidente –, Lula tentou sair pela tangente, dizendo que “não deve existir estatais deficitárias”, mas, ao ser pressionado novamente pela candidata, terminou o discurso afirmando “se tiver uma estatal que não presta pra nada, acabou”, disse.

Segundo Tebet, a privatização das estatais deficitárias daria uma arrecadação de 10 bilhões de reais. O valor seria suficiente para pagar metade das casas populares propostas pela candidata em seu plano de governo. Tebet aproveitou o tema para sinalizar que não tem interesse em privatizar a Petrobras, mas pretende repassar as refinarias para a iniciativa privada. A candidata também falou sobre desmatamento e abriu diálogo com o agronegócio. “Sou do agro e sei que ele põe comida barata na mesa dos brasileiros. Vamos cumprir o Acordo de Paris e deixar de ser pária internacional”, disse.

Tebet tem um plano de governo a favor de privatizações, desestatizações e parcerias público-privadas (PPPs) a fim de melhorar a eficiência do Estado e torná-lo menos inchado e oneroso. Essa era a proposta de Jair Bolsonaro quando eleito em 2019, mas sua gestão será encerrada com pouco sucesso em privatizações e com uma máquina pública bastante ineficiente, com gastos públicos em mínimas históricos, o que seria uma boa notícia se viessem acompanhadas de um programa de privatizações, como mostra a reportagem de VEJA. Em vez disso, o governo está gastando menos e mal, com grande parte da verba sendo manuseada pelo parlamento por meio do Orçamento Secreto, um recurso sem transparência.

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Bolsonaro aproveitou o momento para exaltar a melhora dos dados na economia, como a queda da inflação, a redução do preço dos combustíveis, e as projeções do PIB. O candidato comemorou em pergunta de Luis Felipe D’Avila (Novo) o fato de o Brasil ter registrado três meses seguidos de deflação – o que deve se confirmar em setembro. O governo, no entanto, teve a ajuda de muitos fatores externos nas últimas semanas, que acabaram gerando uma reviravolta no cenário econômico, o que acabou sendo algo novo na campanha do presidente que até então travava uma briga com a Petrobras pela escalada dos preços, a qual vinha minando sua popularidade. A queda da cotação do petróleo no mercado internacional devido à desaceleração das economias aliviou os preços nos últimos meses.

Apesar de a redução do ICMS encabeçada pelo governo ter gerado uma queda imediata de preços, especialistas sinalizam que a medida isolada não seria suficiente para o arrefecimento observado nos últimos meses. Além disso, a medida tem beneficiado a classe média/alta que sente mais os efeitos dessa queda por ser a população que possui carro. O grupo alimentação continuou pressionando até agosto o IPCA. Ao mesmo tempo, o governo insistiu em negar dados de fome e, quando questionado, apontou para a existência do Auxílio Brasil de 600 reais. O presidente também não apresentou nenhuma proposta para o futuro e não mencionou como vai resolver a questão fiscal e os 600 reais prometidos para continuar em 2023, no orçamento.

A candidata Soraya Thronicke (União Brasil) discursou novamente sobre reforma tributária, propondo a criação do imposto único, mas sem apresentar outras propostas para a pauta econômica.  Ciro Gomes (PDT) também falou de reforma fiscal, calculando a liberação de 300 bilhões de reais com a medida, verba que seria distribuída para estimular a economia e desonerar impostos sobre o consumo da população de baixa renda. O candidato também reprovou a autonomia do Banco Central, criticando as medidas do banco como “vendidas ao mercado financeiro”. “Quando aumenta a taxa Selic, a cada 1% de acréscimo, a União passa a ter que tirar 40 bilhões dos cofres públicos por ano para entregar aos bancos, na forma de pagamento de juros”, explanou.

Felipe D’Avila (Novo) falou sobre desinchar a máquina pública, mas também não apresentou nenhuma proposta. Com falas rasas sobre a economia, aproveitou o momento para se opor ao governo Lula, quando teve oportunidades. Padre Kelmon (PTB) ficou centrado em discursos ideológicos, de cunho religioso e pró-Bolsonaro, sem nenhuma contribuição para os temas econômicos, criticando apenas a proposta de imposto único como um “aumento de impostos”.

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