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85% dos fundos relacionados à China têm rentabilidade negativa no ano

Levantamento de VEJA mostra como a interferência do governo chinês vêm derrubando os ativos das empresas na bolsa, em especial, na área de tecnologia

Por Luisa Purchio Atualizado em 24 set 2021, 17h07 - Publicado em 24 set 2021, 10h35

Um levantamento feito por VEJA com base em dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra que, até julho, de 26 fundos, 22 que levam o nome “China” tiveram rentabilidade negativa no ano, o correspondente a 84,6% deles. Quando levado em consideração os fundos que levam o nome “Ásia”, a porcentagem dos fundos com queda na rentabilidade é menor, de 54,8%, ou 16 de 30 deles. O fundo com maior queda é o “China Tech Ações”, cuja perda no ano acumula queda de 35,4%.

Estes números são um balde de água fria nos investidores que apostaram no potencial das empresas chinesas. No ano passado, quando a Covid-19 derrubou as ações mundo afora com o fechamento das economias, as empresas da China tinham como promessa maiores rendimentos em comparação a outros países e entraram como forte concorrentes das empresas americanas. Afinal, se recuperaram mais cedo da pandemia e surfaram no consumo da maior população do mundo.

No Brasil, na esteira dos juros baixos e da necessidade de diversificar os investimentos, diversas gestoras criaram fundos novos para dar aos brasileiros acesso ao mercado chinês e até a bolsa de valores de São Paulo criou BDRs de ETFs ligados à índices do país (certificados ligados a um grupo de empresas listadas na bolsa), como o iShares MSCI China ETF e o iShares China Large-Cap ETF.

Desde o começo do ano, porém, o governo chinês iniciou uma série de medidas para interferir no mercado do país, sob o argumento de que deseja diminuir as desigualdades sociais e equilibrar a distribuição de renda. Na prática, isso significou frear o desempenho de gigantes, principalmente do setor de tecnologia. As ações da Tencent, por exemplo, o mais popular portal de serviços de internet do país, subiram 20,26% na bolsa de Xangai durante o ano passado, porém em 2021 acumularam queda de 17,8%.

Mais recentemente, o governo restringiu o acesso de jovens abaixo de 18 anos a acessar videogames apenas durante três horas semanais, aos finais de semana e feriados e entre 20h e 21h, o que derrubou o efervescente mercado de games do país. E, já no ano passado, o início destas interferências começou a dar sinais, quando a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da Ant Group, braço financeiro do Alibaba, foi cancelada em cima da hora. Esperada por investidores de todo o mundo, a abertura de capital da empresa prometia ser o maior IPO da história.

Uma das gestoras brasileiras que viu esta virada acontecer foi a Vitreo, que criou em outubro do ano passado o “Tech Asia”, um fundo que investe em ações das empresas de tecnologia da região. Em março deste ano, no entanto, 80% dos ativos do fundo eram de empresas chinesas e ao longo deste semestre elas caíram para 40%. “Desde que o governo chinês começou uma atuação regulatória mais forte sobre as empresas chinesas, grande parte dos ativos sofreram”, diz Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo. “Nosso fundo era majoritariamente em ativos da China, mas diminuímos a alocação e colocamos empresa de tecnologia de Singapura, Taiwan, Sony e Coreia”, diz ele.

Nos últimos dias, apesar de ser ligada ao mercado imobiliário, a crise da Evergrande afetou todas as empresas do mundo, incluindo as chinesas de tecnologia. Consequência da interferência do governo chinês no setor de construção depois de avaliar que ele estava especulativo demais, este foi mais um motivo para os investidores resgatarem suas apostas nas empresas do país.

 

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