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Zé Ricardo sobre mágoa com Fafá de Belém: ‘Ela não perdeu um profissional, mas um amigo’

Vice-presidente artístico da Rock World conversou com a coluna GENTE sobre nomes nacionais que povoam os processos criativos do festival

Por Valmir Moratelli, de Lisboa 29 jun 2026, 09h00 | Atualizado em 30 jun 2026, 17h26
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O vice-presidente artístico do Rock in Rio e The Town, Zé Ricardo, conversou com a coluna GENTE sobre a difícil escolha dos artistas que devem se apresentar nos festivais. Nem tudo é para já. O Rock in Rio Lisboa terminou neste domingo, 28, com um dia dedicado ao trap e rap, ideia que começou a germinar em 2019. E nem tudo fica no passado. O cantor falou nesta entrevista, também, entre outros assuntos, da relação estremecida e as mágoas com Fafá de Belém. A artista paraense rompeu relações com ele, quando não se viu representada no chamado Dia Brasil, na última edição. A seguir, os principais pontos levantados por Zé.

Pedro Sampaio. “Eu imaginava (que seria esse sucesso todo em Lisboa), porque a última participação do Pedro aqui foi bombástica. Acho que a cidade inteira parou para ver o Pedro. Foi uma atuação brilhante. Ele está forte na Europa, muito forte. O público se identificou com a música dele. E ele é um menino maravilhoso. A gente tem uma possibilidade grande de fazer com que Pedro tenha repercussão aqui em Portugal tal como a Ivete teve, por exemplo, anos atrás e se mantém firme”.

Ivete Sangalo. “O público português comprou. Ivete é figurinha certa em tudo que é Rock in Rio, é parte da nossa família. Ela é uma artista que traduz a maneira que a gente pensa, o comportamento, o talento,a parceria… Ivete está sempre próxima da gente”.

Belo. “Se eu pudesse dizer (o erro que ele teve),  que o Belo tocou na hora de Xutos e Pontapés (banda portuguesa de grande sucesso local). Eu acho que talvez isso possa explicar (a pouca aderência de público ao show). Chego no meu hotel aqui em Lisboa, o cara da recepção: ‘Zé, me convide para ver Xutos e Pontapés’.  Todo mundo queria ver Xutos e Pontapés. Talvez o horário do Belo poderia ter sido diferente, mas o show que ele entregou foi maravilhoso. Belo é um cara muito agradecido à vida, à música”.

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Sertanejos. “O sertanejo entrou pelo Dia Brasil (na edição de 2024). A gente tem que tomar cuidado com as bandeiras que carrega. Quando a gente fala: ‘Vou fazer um Dia Brasil’, não dá para fazer sem sertanejo. Eu me propus a fazer o nome Dia Brasil. Vou fingir que não existe sertanejo no Brasil? O Rock in Rio estava fazendo homenagem a alguns dos principais gêneros da música brasileira. Era irresponsabilidade não trazer o sertanejo. Trouxemos o gênero através dos seus principais porta-vozes, dos seus ícones, que são o Chitãozinho e Xororó com uma geração passada, além de novos nomes, como Ana Castela, Luan, Simone Mendes… O show foi pensado para passar um panorama da música sertaneja no Brasil com humildade, porque é impossível dar conta de toda a história”. 

Fafá de Belém 1. “Vou te falar o que a gente fez, e você tira suas conclusões. Fafá me mandou uma mensagem anos atrás falando sobre um show no Pará e eu falei: ‘olha, tenho muita vontade de fazer um show do Pará. No próximo Rock in Rio a gente conversa. E ela pensou que era papo. Quando estava montando o Rock in Rio dois anos depois, mandei uma mensagem para ela: ‘Eu queria fazer um show, estou com uma ideia de fazer um Pará-pop, quero trazer várias gerações do Pará’. Juntei Fafá, a Dona Onete, Joelma, Lucas Estrela, Gaby Amarantos… Ergui uma bandeira de 3 metros de altura no Palco Sunset para o Pará. Coloquei a Dona Onete sentada numa cadeira de rainha. A gente fez uma coletiva com mais de 32 jornalistas no Bar da Dona Onça, só para falar da música paraense. Esse show foi um dos mais comentados, a gente foi capa de jornais… No Dia Brasil, a gente fez um lançamento da música (oficial da comemoração do dia especial), foi num dia em que estavam centenas de artistas, mas ainda não tínhamos  o line-up completo do que seria a apresentação. Anunciei somente os artistas que estavam vendendo ingresso, os que estavam trabalhando, anunciei os headliners… Mas ainda tinha muita coisa para anunciar. Não estou dizendo o que acho, são fatos. Foi um grande momento de protagonismo vazio da parte dela (Fafá). Porque ela tinha o meu WhatsApp, mas preferiu ir para as redes sociais reclamar: ‘Zé lançou um festival e não tem nenhum artista do Pará’ Eu falei: ‘Não, espera aí, tinha vários. Eu lancei alguns e falei isso na coletiva’. Mas ela quis causar. Não tem fundamento”. 

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Fafá de Belém 2. “O Rock in Rio não é obrigado a chamar ninguém. Ele chama quem quer, quem ele acha que merece, quem acha que está alinhado. Mas uma coisa ela pode discutir: se ela gosta ou não do meu line-up. Ela não pode discutir sobre o valor da humanidade comigo. Não pode. Ela tem que olhar a minha trajetória. Eu tenho um respeito imenso por ela. Mas ela também precisa respeitar a gente. Causar dessa forma é um atraso para a música, porque é mentira. É uma mentira absurda (não ter artistas paraenses no Rock in Rio). São fatos, está na internet, aconteceu. Por que ela fez isso? Porque não foi chamada para o Dia Brasil, mas os colegas dela foram todos. Ela está falando dela ou está falando do movimento do Norte? Ela pode chegar e falar: ‘Estou chateada, não fui chamada’, mas não pode falar: ‘O Norte não tem vaga’. Porque é mentira. Quem disse que eu não respeito o estado dela, que não valorizo o Norte? Acabei de mostrar que é mentira. É um fato triste. Ficou uma mágoa. Porque ela não perdeu um profissional, perdeu um amigo. Ela disseminou fakenews”.

De Luiza Sonza a Gil. “A gente tem que propor alguma coisa nova para o povo, sempre. Fazer com que pensem, com que eles descubram novidades. Fazer com que venham ver Gilberto Gil e saiam de lá com Luiza Sonza, e vice-versa. Quebrar preconceitos. Esse tipo de proposta de construção de festival, de montar públicos diferentes, é o que me motiva  Por exemplo, no dia de K-pop no Palco Mundo, teremos no Palco Sunset uma noite totalmente de Soul Music. PJ Morton, Jamiroquai, tem uma noite totalmente Black Music de vários estilos diferentes; e no Palco Mundo uma noite de K-pop, além do Alok. É uma maneira de conectar o diferente”.

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Péricles. “Difícil escolher um só (show de destaque para setembro). Péricles cantando Motown. Péricles cantando Motown talvez seja o meu novo ‘Sepultura e Zé Ramalho’. Porque são universos diferentes que têm tudo a ver. Quando você vê o Péricles cantando ABC, vai falar: “O cara nasceu para isso.” É um momento único. Levei ele para almoçar e falei que ia chamá-lo para fazer um show, mas que não queria que cantasse só os sucessos. Ele ficou surpreso e adorou, comprou a ideia na hora”. 

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