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Vocalista do Raça Negra desafina ao vincular abuso à roupa

"A gente tem que prestar atenção. Falar 'Minha filha, não achei legal essa roupa'", disse no 'Encontro', antes de ser rebatido por Fátima Bernardes

Por Da redação Atualizado em 14 set 2017, 16h31 - Publicado em 14 set 2017, 16h21

O Encontro com Fátima Bernardes desta quinta-feira teve um quê de programa datado. Além de receber um sósia de Lady Gaga, cantora que horas depois cancelaria sua vinda ao Rock in Rio, a atração discutiu o abuso sexual infantil e ouviu soar dissonante uma nota de Luiz, o vocalista do Raça Negra, que, depois de tanto debate sobre machismo e a culpabilização da vítima, relacionou a violência sexual com a roupa que é usada.

Durante o debate, que contava com a presença da especialista em educação sexual Caroline Arcari, Luiz falou que os pais devem prestar atenção na roupa que as filhas vestem a fim de evitar abusos. “A mulher sempre foi mais avançada do que o homem e hoje você vê uma menina de 12 anos que já quer se portar como uma mulher, mas ela é uma criança”, falou.

“A gente tem que prestar atenção também na roupa. Falar ‘Minha filha, não achei legal essa roupa. Você vai para a escola assim?’. De repente, pela maluquice dele (do abusador), ele acha que aquele comportamento daquela menina, de se vestir e se arrumar como a mãe…”, dizia Luiz, quando foi interrompido por Fátima Bernardes e pelos outros convidados, que disseram que a mulher pode usar a roupa que quiser e isso não justifica o abuso.

  • O cantor, porém, insistiu. “Mas você também tem que evitar que a filha vá para a escola com uma roupa não adequada. Isso não é voltar no tempo, eu acho que tem que prestar atenção também. É você falar assim: ‘Você vai para a escola com essa roupa?’. Eu tô falando da menina porque ela é, de uma forma meio chula, mais caçada, o menino é mais escondido. Mas eu acho que, ao perceber essa atitude do cara [abusador], a gente deveria dar uma surra nele”, completou.

    Após a fala do cantor, a psicóloga Caroline Arcari rechaçou o pensamento machista: “Não, Luiz. Essa tua ideia, você tá falando da roupa, do batom, mas em que momento a gente está falando com os meninos? Olha, não importa a roupa da menina, você não pode avançar, você não pode assediar”.

    Ela foi complementada por Fátima, que falou que, na Índia, mesmo com as vestimentas que cobrem todo o corpo, as mulheres ainda são estupradas e assediadas. A fala do artista gerou muitas críticas nas redes sociais.

    (Com Estadão Conteúdo)

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