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Visceral, ‘Sicario’ entra sem pudores no feroz mundo do tráfico

Com Emily Blunt e Benicio Del Toro, novo filme do diretor Denis Villeneuve prende o espectador com guerra entre a lei e um cartel mexicano

Por Raquel Carneiro 23 out 2015, 08h08

A selvageria do tráfico de drogas se tornou um tema tão comum no cinema e na TV, que até pouco tempo atrás uma plateia de milhões ao redor do mundo torcia pelo traficante e produtor de metanfetamina Walter White, de Breaking Bad. A aura idealizada- e exaltada – de personagens do tipo, envoltos em um submundo que lembra a máfia italiana, é um caminho fácil para agradar plateias. O diretor Denis Villeneuve foge dessa trilha.

Intenso e por vezes sufocante, Sicario: Terra de Ninguém, novo filme do cineasta franco-canadense, que em 2013 chamou a atenção com Os Suspeitos, é uma sórdida incursão no submundo do tráfico e nas intenções e atitudes dos responsáveis por combater essa guerra. Mocinhos e bandidos são definições que pouco se distanciam uma da outra.

A responsável por conduzir o espectador ao longo da história é a protagonista Kate Macer (Emily Blunt), uma agente da FBI especializada em sequestros. Logo no começo, Kate e sua equipe invadem uma das casas do chefão de um cartel mexicano. Lá, eles se deparam com uma cena atroz ao encontrar mais de 40 corpos putrefatos emparedados pela residência. O momento serve como um aviso inicial, de que estômagos fortes serão necessários para chegar ao fim da história.

Pouco depois, Kate é convidada a fazer parte de uma força-tarefa, que envolve diversas organizações governamentais no combate ao tráfico. Ela aceita sem saber exatamente onde e com quem está se metendo. O convite parte do agente Matt Graver (Josh Brolin), que parece ser da CIA, mas se diz parte do Departamento de Defesa americano. A confusão de títulos e posições prossegue, enquanto Kate é obrigada a seguir ordens de Alejandro (Benicio Del Toro), um homem com muitos poderes, mas nenhuma patente que satisfaça a curiosidade da agente.

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Logo em sua primeira missão, Kate é levada ao México, em Juárez, cidade apresentada como campo de batalha do cartel local. O grupo planeja a extradição de um nome forte entre os traficantes. A ação é tão bem filmada e simples, que respirar é quase um luxo enquanto a comissão permeia as ruas mexicanas e sua fronteira com os Estados Unidos. A agente retorna enojada com a violência que presencia, assim como intrigada com o grupo com o qual se envolveu. Nada é muito claro para a protagonista, e para o espectador, mas não obscuro o suficiente para deixar brechas abertas no final.

Além das lacunas dos envolvidos, prevalece aqui o silêncio dos próprios personagens, bem encarnados, especialmente por Emily e Del Toro. Os olhares e atitudes dizem mais do que as falas. A combinação mostra que Villeneuve triunfou mais uma vez na missão de segurar o espectador. Apesar de algumas cenas fortes, a violência não é gratuita ou além do esperado. O ritmo intenso faz com que a noção do tempo das reviravoltas se perca com facilidade. E o fim deixa claro que a guerra contra o narcotráfico é algo que nem o cinema se propõe a vencer.

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