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Vanessa Gerbelli: ‘Enquanto houver dominação, não tem como não ser feminista’

Aos 52 anos, atriz é a convidada do programa semanal da coluna GENTE

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 ago 2026, 11h00 | Atualizado em 10 ago 2026, 19h27
Vanessa Gerbelli: ‘Enquanto houver dominação, não tem como não ser feminista’ Priorizar nos meus resultados Google

Vanessa Gerbelli, 52 anos, consolidou-se como uma das atrizes mais versáteis de sua geração, transitando entre televisão, cinema e teatro. Ao fazer papéis como Lindinha em O Cravo e a Rosa (2000), Fernanda de Mulheres Apaixonadas (2003), e Juliana de Em Família (2014), a atriz emprestou sua trajetória a fortes discussões do universo feminino – que ela também traz para outra paixão sua, as artes plásticas. No cinema fez recentemente Perto do sol é mais claro, dirigido pelo ex-marido Regis Faria. E no teatro, se prepara para voltar à comédia musical Forever Young, que retrata um grupo de artistas idosos em um retiro. O espetáculo celebra 10 anos no Brasil com apresentações especiais. A atriz é a convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku). Assista.

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MUSICAL NA VELHICE.  “É como se fosse um retiro dos artistas. Somos nós com 90 anos, a gente se trata pelos próprios nomes. Um tem Alzheimer, o outro tem mil problemas, o maestro tem problema de esquecimento, a outra não tem uma perna… É divertido e ao mesmo tempo é poético. E fazer musical é exaustivo né… Existe um monte de coisa na rotina que se pode dizer profilática. Tem que se cuidar muito. Não é chegar do teatro e enfiar o pé na jaca, beber e comer. Tem que dormir, porque é um desgaste físico tremendo”.

MANOEL CARLOS. “Maneco realmente era um escritor muito especial, ele jogava com a subjetividade do ator. Era impressionante, ficava uma coisa orgânica, parecia que aquelas palavras eram da pessoa. As cenas eram longas, enormes bifes e mesmo assim fáceis de decorar. Ele ia lançando pistas. Aconteceu isso comigo nas duas vezes que trabalhei com ele, em Mulheres Apaixonadas e Em Família. O texto vinha quase como se eu tivesse pensado aquilo. Era muito perspicaz e gostava de jogar com os elementos que o ator tem. A gente assistia às novelas dele como quem vê a janela da rua para fora. É a vizinha, a empregada, o vai e vem do porteiro, o fofoqueiro…”.

CRISE DAS NOVELAS. “A gente vai acabar sempre esbarrando nesse lugar, do produto e da obra. Antes havia um carimbo autoral, um conteúdo que era realmente muito bom, a gente tinha novelas de Janete Clair, de Dias Gomes, adaptações de clássicos, eram coisas consistentes. Enfim, acho que tinha uma qualidade na identidade mesmo. Havia um trabalho autoral por trás, que era facilmente identificado (pelo público). E existia um desejo profundo de ter qualidade em primeiro lugar”.

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FEMININO X FEMINISMO. “Eu nasci com essa questão de olhar para o feminino e falar: ‘Mas por que é desse jeito? Por que uma mulher não pode sair na rua, sei lá, com 12, 13 anos? Era muito violento andar na rua e escutar um absurdo, um palavrão, uma coisa grosseira de um homem. Por que eu precisava ouvir aquilo? Era algo que eu me perguntava e as respostas não se encaixavam. Aquilo para mim não era natural, e mais tarde suscitou em mim o desejo de produzir coisas que elaborassem essa grande questão. E ele até hoje se mantém. Enquanto houver dominação, desigualdade e feminicídio, não tem como não ser feminista. É uma luta até o que o equilíbrio se faça. É uma questão de um olhar equilibrado sobre a mulher. Está tudo tão errado ainda que é difícil dizer só: ‘Ah, é uma questão de direitos iguais’. Não é. É algo que está muito entranhada na nossa cultura”.

JULIANO CAZARRÉ. “Penso que se é algo que diga respeito de como lidar com uma mulher ou como tratar uma mulher, tem que se ouvir uma mulher. Ponto final. Pode ser difícil para um homem nos dias de hoje, o que é ainda muito atrasado, escutar o que uma mulher tem a dizer? Sobre suas impressões? Sobre o que ela acha que está vindo em direção a ela? É preciso dar voz às mulheres. É o momento em que as mulheres têm que ser ouvidas. Se tem que existir um curso sobre como lidar com mulheres, são mulheres que tem que falar. E outra coisa: mulher trans é mulher. É muito simples, é uma questão de respeito, de escuta, de descer de um pico de crenças e olhar para o outro, sair de si próprio”.

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PAR ROMÂNTICO COM O EX-SOGRO. “Foi um filme (Perto do sol é mais claro) feito absolutamente sem recursos, durante a pandemia, eu e o (ex-marido) Regis Faria, que é filho mais velho do Reginaldo Faria, queria muito fazer um filme com o pai. Daí ele me propôs: ‘Preciso ainda mostrar o meu pai nessa idade em que ele está, que é realmente uma figura muito especial’. Ele escreveu um roteiro delicado e próximo da vida do Reginaldo. Ele escreveu para ser filmado dentro da casa do Reginaldo com a família. Mistura a ficção com a realidade de uma maneira quase brincalhona. A gente foi casado durante 6 anos. O próprio Reginaldo falou: ‘Poxa, se a família toda está fazendo, quem tem que fazer a personagem é a Vanessa’. As pessoas saem muito emocionadas ao verem um Reginaldo que ninguém conhecia, porque ele é um compositor, como o Anthony Hopkins. Reginaldo também tem composições eruditas lindas e que estão no filme inteiro (…). Faço a namorada dele e é engraçado, porque eu fui casada com o filho, Ele falou: ‘isso aqui está muito esquisito, está muito estranho’. Brincando, respondi: ‘Ah, Reginaldo, vamos embora. Somos atores’. Foi coisa muito divertida e feliz”.

Captação de imagens e edição: Libário Nogueira/ Agradecimentos: Hotel Nacional e Elev Comunicação / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221).

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