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Vaiado, Cláudio Assis vence no Festival de Brasília

Diretor foi apupado por parte da plateia por ter desrespeitado Anna Muylaert em um debate no Recife

Por Da Redação 24 set 2015, 21h03

Com a vitória de Big Jato, o diretor pernambucano Cláudio Assis torna-se tricampeão do Festival de Brasília. Ele já havia vencido em 2002 com Amarelo Manga e, em 2006, com Baixio das Bestas. É o maior pé quente dos festivais. Seu outro longa, Febre do Rato, venceu em 2011 o Festival de Paulínia.

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Tal cartaz não o blindou contra vaias na cerimônia de premiação, realizada na terça-feira. Assis já havia sido apupado por parte da plateia do Cine Brasília na apresentação do filme. Voltou a ser hostilizado ao ganhar o festival. O motivo foi um famoso debate do filme de Anna Muylaert, Que Horas Ela Volta?, perturbado tanto por Cláudio quanto por outro diretor, Lírio Ferreira, com intervenções despropositadas e de cunho machista.

O fato, ocorrido no Recife, respingou em Brasília e enfureceu as feministas locais. No palco, Cláudio bateu boca com essa parte do público. “Aceito vaias, mas elas têm de ser inteligentes e não fascistas”, gritou ele, um tanto confuso. No fim, Matheus Nachtergaele, ator do filme e premiado pelo festival, salvou a noite mais uma vez, acalmando os ânimos.

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Quando essa pequena tempestade passou, Big Jato pôde ser aclamado pelo público. Transcriação do livro ficcional-memorialístico de Xico Sá, é, de fato, um belo e poético filme. Descrevendo o romance de formação de um poeta em pleno sertão, faturou, além do Candango de melhor filme, os de trilha sonora (DJ Dolores), roteiro (Hilton Lacerda), atriz (Marcélia Cartaxo) e ator (Matheus Nachtergaele).

Também muito premiado foi o drama paranaense Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba, que levou os prêmios de melhor diretor, ator coadjuvante (Lourinelson Vladimir), atriz coadjuvante (Giuly Biancato), fotografia, direção de arte e montagem. Trata-se da tensa história de um viúvo (Fernando Alves Pinto) que descobre haver sido traído pela mulher e sai em busca do amante. Original, denso, minimalista e muito bem filmado, marca a estreia de Aly na direção de longas ficcionais. O filme foi também reconhecido pela crítica, em júri organizado pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

Fome, de Cristiano Burlan, o trabalho mais experimental da mostra, faturou um Prêmio Especial do Júri pelo trabalho de ator de Jean-Claude Bernardet, além de levar o Candango de melhor som. O melhor curta foi o originalíssimo trabalho mineiro Quintal, de André Novais.

Com bons filmes, bons debates e seminários interessantes, Brasília fez um festival à altura de suas tradições.

(Com Estadão Conteúdo)

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