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U2 vive crise da meia idade em ‘Songs of Innocence’

Disco lançado de forma massiva – e gratuita – pela Apple mergulha na juventude dos músicos e fica de fora da lista de melhores trabalhos do grupo

Por Raquel Carneiro - 17 set 2014, 09h17

Desde No Line On The Horizon, de 2009, os fãs do U2 aguardavam ansiosamente por um novo disco da banda. Ele chegou e de forma inesperada: em uma campanha massiva da Apple, que disponibilizou o disco, Songs of Innocence, para meio bilhão de usuários dos dispositivos da empresa na loja do iTunes, quase literalmente na faixa. A “caridade” de Bono Vox e companhia rendeu aos músicos, segundo a revista americana Billboard, cerca de 100 milhões de dólares pagos pela companhia de Steve Jobs.

Capa do disco 'Songs of Innocence', do grupo U2
Capa do disco ‘Songs of Innocence’, do grupo U2 VEJA

O que foi, sem dúvida, o maior lançamento de um disco na história, infelizmente, não foi o melhor lançamento do grupo. Porém, com uma obra tão vasta, parte de uma carreira que se aproxima dos 40 anos, Songs of Innocence é um petisco agradável, que deve servir ao menos para abrir o apetite dos fãs enquanto não chega o prato principal, a segunda parte, Songs of Experience, que, de acordo com Bono, ficará pronto “em breve”.

Os títulos fazem uma referência direta a Songs of Innocence and of Experience, título do poeta e pintor britânico William Blake publicado no Brasil como Canções da Inocência e da Experiência (Crisálida). Como sugerem, os nomes dos discos mostram duas fases distintas. A primeira parte é uma amostra da crise de meia idade dos roqueiros, todos cinquentões. As letras mergulham na adolescência dos integrantes, em suas inspirações iniciais, em suas paixões da juventude e relações familiares. Especialmente nas experiências do vocalista Bono, que classificou o disco como “muito pessoal”.

A primeira faixa The Miracle (of Joey Ramone) é uma clara homenagem aos Ramones e às músicas ouvidas pelo grupo nos anos 1970. Já California (There Is No End to Love) salta para os anos 1980 e relembra a primeira viagem dos rapazes irlandeses ao Estado americano. As canções mais emotivas, diretamente ligadas a Bono, são Iris (Hold Me Close), tributo à mãe do vocalista, Iris, que morreu quando ele tinha 14 anos, e Song for Someone, que parece ser uma canção para Alison Stewart, paixão da juventude e esposa do cantor.

https://youtube.com/watch?v=nXJz3C12bWs

A veia política do músico aparece apenas na faixa Raised by Wolves, em que relata sua experiência com um dos carros-bombas que explodiram em Dublin nos anos 1970, em seu bairro, em um dos ataques terroristas resultantes do conflito no norte da Irlanda. A canção é uma das melhores do disco, ao lado de Volcano, The Troubles e também da primeira faixa, The Miracle (of Joey Ramone).

A introdução de Volcano faz uma agradável e quase sombria mistura de acordes de baixo, conduzido por Adam Clayton, e a característica bateria marcante de Larry Mullen, até encontrar seu auge nos riffs de guitarra de The Edge. As faixas Raised by Wolves e Cedarwood Road – outra memória de Bono, que leva o nome da rua que ele viveu na infância – lembra a harmonia acertada da banda, especialmente do entrosamento entre guitarra e vocal, de canções clássicas como Vertigo, do disco How to Dismantle an Atomic Bomb. Já as faixas The Miracle (of Joey Ramone), que abre o álbum, e The Troubles, que fecha, se contrapõem musicalmente. A primeira, mais percussiva e alegre, mergulha no rock típico do U2 e, apesar de ser uma homenagem aos Ramones, pouco flerta com o punk. Por fim, The Troubles apresenta uma mistura de blues e indie rock. Com a presença de arranjos orquestrados e um fundo de violino e violoncelo, enquanto Bono divide o vocal com a cantora sueca Lykke Li.

Experientes, os músicos posicionaram bem as canções, que fazem do álbum uma montanha russa, com faixas que empolgam, e outras que passam despercebidas, intercaladas de modo que o ritmo é mantido do começo ao fim. Agora, espera-se que tal experiência seja usada com sabedoria em Songs of Experience. E que os memoráveis The Joshua Tree (1987), Achtung Baby (1991) e All That You Can’t Leave Behind (2000) ganhem uma nova companhia na prateleira dos melhores discos da banda.

The Rolling Stones

Apenas dois anos após o surgimento dos Beatles, outro grupo britânico despontou para o mundo do rock para ser o seu grande rival: os Rolling Stones. Traçar uma comparação entre as duas bandas é até os dias de hoje algo tão controverso quanto discutir política ou religião, no entanto, as duas tem pesos distintos e importantes para o estilo. Enquanto Beatles ficou marcado pela histeria das fãs e o estilo de bons moços, os Stones são os pais do rock rebelde, devido à atitude e ao figurino despojado composto por jaquetas e calças jeans. Foram eles também um dos pioneiros a adotarem o famoso lema do “sexo, drogas e rock n’ roll”.

Elvis Presley

Dizer que Elvis Presley foi a fagulha inicial para o rock não é nenhuma heresia. O galã de voz grossa é até mesmo considerado o Rei do estilo. Com a carreira iniciada em 1954, o músico colocou um rebolado controverso para a época e um vocal marcante naquela nova mistura de blues e country recém batizada de rock n’ roll. Elvis Presley, ao lado de Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e Buddy Holly, é precursor de um dos primeiros – se não o primeiro – sub-gênero do rock, o rockabilly. Ele, no entanto, se destaca dos demais de sua época pelo estilo vocal, visual, performático, além de ser o artista solo com o maior número de discos vendidos com mais de 1 bilhão de cópias no mundo todo.

 

https://youtube.com/watch?v=3MHkgwA8t-g

The Beatles

Formado em 1960, os Beatles podem não ser considerados os criadores do rock, mas é inegável a importância do quarteto de Liverpool para as futuras gerações. Ao longo dos dez anos de carreira, o grupo formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr bebeu das mais diversas fontes e variou entre gêneros até então inovadores dentro do rock, desde o ritmo mais pop e romântico do início da carreira, passando pela rebeldia e a psicodelia da metade para o final da carreira. Tal versatilidade sonora fez com que os Beatles abrissem um leque de bandas influenciadas que vão desde Ramones a Oasis, passando por Nirvana e Metallica. A idolatria recebida pelo quarteto também foi algo marcante na época e deu origem o termo Beatlemania, criado para descrever o intenso frenesi causado pelos fãs, em sua maioria, garotas adolescentes. Algo semelhante – ou até pior –  com o que acontece hoje em dia com artistas como Justin Bieber e boybands como o One Direction.

 

Pink Floyd

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O laboratório musical criado pelo Pink Floyd desde o seu surgimento em 1965 deu origem ao que seria chamado de rock progressivo. O som psicodélico e experimental, marcado por longos solos de guitarra com ecos e sintetizadores, incluído em álbuns conceituais como The Wall e Dark Side of the Moon influenciou uma leva incontável de bandas, como Rush, Queen, Radiohead, Nine Inch Nails, entre outras. O conjunto liderada por Roger Waters também é conhecido por ser um dos pioneiros a realizarem shows com cara de espetáculos grandiosos, com um jogo de luzes, imagens e sons capaz até de deixar os músicos em segundo plano.

 

https://youtube.com/watch?v=9Q7Vr3yQYWQ

Led Zeppelin

Donos de um dos maiores hinos do rock, Stairway to Heaven, o Led Zeppelin é considerado o embrião da febre que passaria a ser conhecida como heavy metal. O grupo britânico formado em 1968 pode ter enveredado entre diferentes estilos ao longo da carreira, como blues, folk, hard rock, reggae, rock progressivo e funk, mas foram os vocais agudos de Robert Plant e os solos de guitarra melódicos e riffs marcantes de Jimmy Page que abriram as portas para o surgimento de bandas como Metallica, Black Sabbath, Dream Teather, Megadeth, entre as outras centenas divididas em inúmeros sub-gêneros do metal.

Janis Joplin

Fenômeno na segunda metade da década de 1960, a carreira de Janis Joplin foi curta, mas durou tempo o suficiente para deixar um legado indiscutível para o rock. Acompanhada por um ritmo que misturava blues com influências do rock progressivo e psicodélico, a cantora teve como característica mais marcante sua voz rouca, com agudos difíceis de serem igualados. Seu destaque em uma época em que o rock era praticamente dominado por homens também faz de Janis um dos ícones mais importantes para a explosão de bandas de rock formadas por mulheres que surgiriam nos anos seguintes, como The Runways, grupo que revelou Joan Jett, Blondie, Patti Smith, além de nomes do soul e do blues como Amy Winehouse e Joss Stone.

The Clash

O movimento punk, no que se refere à atitude, sonoridade e ideais, foi sendo modelado entre o final da década de 1970 e início de 1980 por grupos como Ramones, Sex Pistols, Dead Kennedys, Black Flag, entre outros. No entanto, o The Clash é até hoje considerado o grande precursor do estilo que encaixa hinos da rebeldia em poucos acordes distorcidos de guitarra. A simplicidade dos arranjos, as letras revolucionárias e politizadas com tons de protesto e o jeito largado de se vestir, com jaquetas de couro e roupas rasgadas, foram as principais características trazidas ao mundo pelo grupo formado originalmente formado por Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Nicky Headon em 1976.

Nirvana

Pode se dizer que Kurt Cobain se inspirou em todos os grupos citados anteriormente, acrescentou uma poesia depressiva e linhas de guitarra sujas para se destacar com sua banda, o Nirvana, como um dos criadores do movimento grunge entre o final da década de 1980 e início de 1990 ao lado de Alice In Chains, Pearl Jam e Soundgarden. Com a voz rouca de seu líder e vocalista e letras que falavam sobre morte, rebeldia adolescente e até estupro, o trio, que tinha na formação o baixista Krist Novoselic e o então baterista Dave Grohl, surgiu como uma esperança para o rock em uma época em que as rádios eram dominadas pelo pop e a disco music dos anos 80. Além disso, Cobain, mesmo que acidentalmente, acabou se tornando um ícone fashion ao fazer das roupas compradas em brechós, como camisetas de flanela, jeans rasgados e tênis All Star, uma tendência entre os jovens da época e no mundo da moda até os dias de hoje.

 

Green Day

Considerar o Green Day como uma das maiores bandas da história do rock é controverso, principalmente para os mais saudosistas, no entanto, sua influência entre meados da década de 1990 e 2000 é indiscutível. Formado em 1987 nos Estados Unidos, o trio composto por Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool manteve a simplicidade e a rebeldia do movimento punk, mas acrescentou melodia e temas que fugiam de assuntos como política e causas sociais – pelo menos antes do revoltado American Idiot, de 2004. Essa fusão deu origem ao chamado pop punk, que trouxe para o mundo inúmeras bandas que seguiam a mesma linha, a maioria delas oriundas da Califórnia, como Blink 182, The Offspring, Fall Out Boy, Millencolin, Sum 41, entre outras.

The Strokes

Os Strokes podem não ter sido os inventores do indie rock, que recebeu essa denominação na década de 1980 em referência às bandas independentes e dissociadas de grandes gravadoras, como The Smiths, New Order, The Stone Roses, The Jesus and Mary Chain, entre outras. O grupo liderado por Julian Casablancas, no entanto, foi um dos mais importantes no início dessa nova era do rock também denominado de indie, que despontou para o mundo nomes como Arctic Monkeys, The Black Keys, Kasabian, Franz Ferdinand, Kings of Leon, Kaiser Chiefs, entre outros que, em tempos de YouTube, parecem surgir a cada semana. A sonoridade traz influências claras do rock alternativo e do grunge e se caracteriza pela presença de riffs de guitarra acelerados, batidas dançantes com um pé na música eletrônica e vocais largados e agudos em sua grande maioria.

 

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