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Tom Hanks: ‘Não quero que a imprensa escreva que sou um otário. Eu não sou’

Aos 57 anos, o ator americano campeão de bilheterias fala sobre seu novo filme 'Capitão Philips' e sobre a profissão de ator. 'É uma atividade nobre e não é para qualquer um'

Por Pedro Caiado, de Londres
4 nov 2013, 06h59

Ele pode ganhar um terceiro Oscar de melhor ator pelo novo filme baseado em fatos reais Capitão Philips. Tom Hanks, 57 anos, interpreta Richard Philips, o capitão de um navio cargueiro tomado por piratas da Somália em 2009, o primeiro navio de carga americano a ser sequestrado em 200 anos. Os filmes de Hanks já arrecadaram 8,5 bilhões de dólares no total, um número que o lança como campeão das bilheterias de Hollywood. Em entrevista concedida em Londres, Hanks falou sobre seu mais recente personagem e a descoberta que tem diabetes tipo 2.

O que mais o atraiu a aceitar o papel em Capitão Philips?

Eu queria trabalhar com Paul Greengrass (diretor). Após ver filmes como Domingo Sangrento e Vôo 93, fiquei fascinado pela maneira completamente diferente com que ele conta uma história. Ele é um diretor que busca a autenticidade da história e tem o dom de capturar o comportamento exato das pessoas nas diversas situações.

Os atores que interpretam os piratas da Somália parecem bem reais. Eles eram tão assustadores assim na vida real?

Eu fiquei muito assustado, eles eram tão magros. Nós não nos conhecíamos, o que ajudou a aumentar o medo. Quando eles apareceram pela primeira vez eu fiquei petrificado. O Paul [Greengrass] os encontrou através de anúncios na TV. Eles não eram atores. Por seis semanas eles tiveram que aprender a nadar e dirigir aqueles barcos, o que nem todo ator gostaria de fazer e eles fizeram brilhantemente. Só depois de 40 minutos da primeira cena tivemos um momento que nos cumprimentamos.

Houve muita improvisação nesse filme?

Eram cenas bem reais, longas, feitas em tempo real e às vezes bem desengonçadas. Não podia ser muito coreografado. Fazer filmes é recriar o exato momento em várias tomadas de cenas diferentes, mas neste não foi assim.

Como foi filmar no mar?

Não tive nenhum problema de ficar enjoado até trabalharmos com os barcos salva-vidas, o que foi muito ruim. Em alguns momentos todo mundo vomitava. Foi horrível.

Quando você encontrou o verdadeiro capitão Philips, como foi?

Eu fui encontrá-lo antes de começar as filmagens e conversamos por horas sobre os deveres de um capitão, mas não há glamour nessa história. Ele foi bem honesto comigo. Eu o achei um cara incrivelmente prático que teve uma experiência extraordinária e mal conseguiu sobreviver a ela.

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Você o considera um herói?

Ele mesmo não se considera um herói. Ele disse que estava esperando pelos verdadeiros heróis aparecerem. Eu nunca encontrei ninguém que se considerasse um herói. Ele diz que seu grande mérito foi escapar da melhor forma possível. Mas ele é bom no que faz, não era capitão de um navio como aquele à toa.

Qual a principal característica do capitão Philips?

O seu conhecimento. O que eu percebi quando que li o roteiro foi que em um determinado momento ele mudava completamente. Bastou os piratas entrarem no navio e ele passou de durão a um líder pacifico. E ele não entregou o conhecimento que tinha do navio. Havia comida e suprimentos escondidos que ele manteve e não entregou.

Você já foi colocado em alguma situação extrema em sua vida?

Não. Medo é algo relativo. Eu já dirigi carros com pneu furado, mas nao é a mesma coisa que viver uma situação de risco quem vem de outras pessoas. Eu nunca estive em situação parecida.

Você voltou a falar com ele, depois do filme?

Sim, eu estava com ele há alguns dias. Alguns membros da tripulação real vieram ao tapete vermelho em Londres. Eu acho que todos achavam que seriam tratados de uma maneira irreal no filme e que mudaríamos muito a história, mas tudo foi bastante convincente para eles. Certamente tivemos que alterar algumas coisas, mas acho que eles gostaram.

Porque você gosta de filmes de não-ficção?

Alguns diretores simplesmente nao estão nem aí para o que realmente aconteceu na história, e resolvem inventar, em vez de pesquisar. Mas eu sempre penso: ‘por que inventar’? Após assistir a vários filmes de ficção, eu já pensei que talvez tivesse sido melhor assistir a um documentário sobre o assunto. Claro que eu sempre fiz filmes de ficção, em que tudo é inventado e mesmo assim pode ser divertido e fascinante, mas sempre fui um cara que lê livros de não-ficção por prazer e acho a realidade mais fascinante.

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Você tem uma noção diferente da profissão de ator hoje em dia?

Eu tenho mais confiança nos meus instintos hoje, eu nao me preocupo tanto com estética. Eu acho que é uma atividade nobre e não é para qualquer um. Eu adoro o que eu faço. Mas, ser celebridade não é algo real. Atuar é o que eu fazia durante o colégio e contiuo fazendo. Eu não acredito que você pode ter um diploma em teatro hoje, que enganação. Eu não sabia que poderia fazer dinheiro com isso também. Na realidade eu comecei pensando que seria um gerente de teatro, ou algo assim. Atuar parecia algo que faria voluntariamente. Claro, que uma noção de negócios você tem que aprender, e às vezes você faz escolhas erradas ou se sente um pouco superior, mas rapidamente volta à realidade. Essa é a minha vida e a minha profissão e você tem que manter suas prioridades, ao contrario será um otário. E não quero que a imprensa escreva que sou um otário. Eu não sou.

Você lê críticas de seus filmes?

Ocasionalmente. Mas, mesmo criticas de filmes de outras pessoas, às vezes me parece que os caras nem viram os filmes.

Você se acha sortudo em se manter como um profissional bem sucedido por tantos anos?

Sim. Mas, mais do que sorte, é a habilidade que você tem que ter de se aliar com pessoas talentosas. Eu levo muito crédito por ser um ator em filmes, mas são filmes que outras pessoas escreveram e dirigiram. Eu sou o rosto deles. Mas, eu trabalho duro. Atores idiotas aparecem para filmar sem saber seus diálogos e sem idéia do que têm de fazer. E eu aprendi no teatro como é importante o ator estar pronto para uma cena.

Você está animado com a possibilidade de ganhar um Oscar com este filme?

A verdade é que todo mundo que fez um filme recentemente, acha que tem uma chance.

Você admitiu recentemente que tem diabete tipo 2. Por que tornar isso público?

O mundo do entretenimento vai dizer que eu desenvolvi diabetes quando ganhei e perdi peso para o papel em Náufrago, mas na realidade estaríamos sendo injustos com o que é diabete tipo 2.A doença surgiu provavelmente graças ao meu estilo de vida. Eu tenho 57 anos, e não tive uma vida particularmente saudável até aquele filme. Essas dietas de ganhar ou perder muito peso não são nada saudáveis, mas quando eu fiz, eu sempre tive os melhores nutricionistas à minha disposição.

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