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SPFW faz 3ª edição do ano de olho na Copa de 2014

Alteração no calendário da moda brasileira, que agora terá desfiles de inverno em outubro, vai evitar que evento coincida com torneio e dar mais tempo para a produção chegar às lojas, além de aproximar a agenda nacional da internacional

Por Mariane Morisawa - 29 out 2012, 10h09

O calendário da moda no mundo inteiro é, em geral, dividido em duas coleções: verão e inverno. Mas a capital paulista assiste, entre esta segunda-feira e a próxima quinta, à terceira edição – a segunda de inverno – da São Paulo Fashion Week em 2012. O evento é organizado pela empresa Luminosidade, de Paulo Borges, o idealizador da semana de moda. O motivo é o ajuste do calendário da moda brasileira a partir de 2013, já pensando na Copa do Mundo – em junho e julho de 2014, quando a moda nacional deverá participar de eventos culturais ligados à competição – e na Olimpíada de 2016. Mas há vantagens logísticas como consequência: as grifes ganham tempo para entregar às lojas as coleções desfiladas.

Antes, a temporada de inverno era desfilada em janeiro, e a de verão, em junho, o que dava às marcas apenas dois meses, aproximadamente, para colocar as peças nas lojas. A partir de 2013, as coleções de inverno serão sempre apresentadas em outubro, e as de verão, em março, aumentando em três meses o prazo para chegar ao consumidor. Outra consequência da mudança no calendário, que inclui o Fashion Rio, é a aproximação entre a agenda brasileira e a internacional, que faz seus desfiles em fevereiro (inverno) e setembro (verão).

A alteração teve ainda um quarto efeito para a SPFW: ela está de endereço novo. Como o prédio da Bienal, no parque Ibirapuera, está ocupado pela Bienal de Arte de São Paulo, tendas parecidas com estufas de plantas, criadas por Felipe Morozini, foram instaladas no mirante do Parque Villa-Lobos, para abrigar os desfiles desta edição. Algumas grifes, como Osklen, Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, preferiram apresentar suas coleções fora em um espaço alternativo – na galeria Zipper, na Casa Electrolux e na Faap, respectivamente. E também houve marcas – várias – que ficaram de fora do evento, porque não conseguiriam fazer um terceiro desfile no mesmo ano. Assim, a programação está mais enxuta, com 19 desfiles em quatro dias – a última edição de inverno, em janeiro, teve 29 coleções em seis dias.

Inspiração em Higgs – Um dos maiores nomes da semana de moda paulistana, Gloria Coelho se inspirou na “partícula de Deus”, o recém-comprovado Bóson de Higgs, para criar uma coleção a toque de caixa. “Não foi fácil. Praticamente antecipamos três meses em um, mas a partir de agora vamos entrar no eixo. Foi um ano atípico, mas acredito que será benéfico para todos”, diz a estilista. “Teremos mais tempo para a produção das peças, evitando atrasos para os clientes e dando férias coletivas em dezembro para nossos funcionários.” Apesar da correria, Gloria está satisfeita com a coleção, que considera “sexy”. Além do Bóson de Higgs, a pintora francesa Sonia Delaunay e até o aplicativo Instagram são fontes de inspiração para a estilista, que usou bastante preto, off-white, cinza e vermelho, em vestidos longos e casacos com mangas maiores bordados com cristais.

“Correria” também foi a palavra usada por Raquel Davidowicz, da Uma, para descrever a preparação para esta edição da SPFW. Ela ainda não sabe quais serão os reais benefícios da mudança de calendário. “A partir da próxima coleção, saberei melhor, mas a ideia de estender o tempo de criação e produção é boa”, diz. Nesta SPFW, a Uma traz uma estampa em que o Brasil se destaca no mapa mundi, caracterizando “o novo tempo que vive o país”, e aposta em cores como off-white, marinho, tabaco, bronze, cobre, laranja, ferrugem, vermelho e cinzas, em blazeres de estilo masculino, com ombros estruturados, saias com recortes, pregas e fendas e calças desestruturadas.

Samuel Cirnansck é outro que precisou acelerar o passo para apresentar uma terceira coleção em 2012. “Acabamos optando por fazer um desfile menor e mais focado nas nossas clientes, sem perder o apelo unique da marca.” Serão ao todo 15 looks inspirados no Egito e na rainha Nefertiti, com destaque para o shape sereia e a saia mídi, em cores como dourado, prata, turquesa, grafite, lilás e coral.

A esperança de Vitorino Campos é que as mudanças possam ajudar “tanto a indústria como o comércio” de moda. Sua coleção é baseada na Zona do Silêncio, uma área desértica no México, e vem com muitas listras misturando o marrom do deserto com cores mais quentes. Rodrigo Rosner, da R. Rosner, também vê benefícios nas mudanças. “Isso vai possibilitar sincronizar o nosso mercado com o de fora e trazer os compradores internacionais”, aposta. Ele decidiu interpretar o universo de Maria Carolina, que seria o seu nome caso tivesse nascido mulher. Assim, ouro, cobre, prata, rosa, fúcsia aparecem em blusas e casacos com mangas e ombros volumosos, minissaias evasês e calças cigarrete saem desse universo paralelo para tomar as passarelas. Um dos destaques são calças inteiramente bordadas, pesando dez quilos.

CALENDÁRIO

29/10 (Segunda-feira)

12h – Osklen

15h – Ronaldo Fraga

16h – Têca por Helô Rocha

17h30 – FH por Fause Haten

19h – Tufi Duek

20h – Triton

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21h – Ellus

30/10 (terça-feira)

16h – João Pimenta

17h30 – Uma Raquel Davidowicz

19h – Samuel Cirnansck

20h30 – Lino Villaventura

21h30 – Colcci

31/10 (quarta-feira)

11h30 – Gloria Coelho

16h – Alexandre Herchcovitch

17h30 – Maria Garcia

19h – Vitorino Campos

20h15 – R.Rosner

21h30 – Forum

1/11 (quinta-feira)

12h – Reinaldo Lourenço

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