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Soprano americana Renée Fleming faz recitais em SP

Por Da Redação 7 nov 2012, 10h26

Se existe alguém capaz de reivindicar o posto de grande diva de nossa época é a norte-americana Renée Fleming – e ela desembarca nesta quarta em São Paulo para dois recitais na Sala São Paulo, nesta quarta e quinta-feira, que marcam o encerramento da temporada da Sociedade de Cultura Artística, acompanhada do pianista Gerald Martin Moore.

Uma grande diva não se mede apenas pela qualidade de seu canto, mas também pela capacidade de se estabelecer como um ícone que extravasa o mundo dos clássicos. É o caso de Renée. Ela já se apresentou para presidentes e chefes de Estado – recentemente, foi convidada a cantar para a rainha Elizabeth II nas comemorações de seu jubileu de ouro.

Queridinha da América, bateu recordes de vendas em seu país, onde aparece a todo instante em programas de televisão. Dois documentários sobre sua carreira estão disponíveis em DVD, assim como sua autobiografia já foi traduzida para o alemão, espanhol, francês e italiano. Até mesmo um romance, de autoria de Ann Patchett, chamado Bel Canto, já foi escrito inspirado nela (e há planos de levar a história para o cinema).

Renée Fleming nasceu em Indiana, cidade do estado da Pensilvânia, mas cresceu em Rochester, Nova York. Tímida, filha de dois professores, nunca esteve entre os mais populares na escola – até que começou a se apresentar em corais e em espetáculos do colegial. Em casa, já conhecia a música e, logo depois, descobriu o canto, sua passagem para uma vida de viagens, glamour e concertos nos principais teatro do mundo inteiro.

É uma história sob medida para a América. Mas de pouco valeria se não houvesse por trás dela um talento musical de exceção. Sobre ela, o lendário maestro Georg Solti disse certa vez: “Em minha longa carreira, encontrei talvez duas sopranos com essa qualidade: a outra foi Renata Tebaldi”. Grande intérprete de Mozart e Strauss, foi aluna de Arleen Auger e Elisabeth Schwarzkopf, membro da realeza do canto lírico europeu. Mas soube encontrar, ao longo de sua trajetória, uma linguagem própria.

E parte desse idioma individual é a diversidade de seu repertório, que inclui compositores populares como Joni Mitchell e não se limita aos grandes papéis de compositores como Giuseppe Verdi, Haendel, Tchaikovski, Bizet e assim por diante, ou então do repertório de canções, que tem registros importantes de Mahler, Strauss ou mesmo Villa-Lobos, que ela gravou no início da carreira.

Os recitais em São Paulo atestam essa diversidade. Na primeira parte, ela interpreta canções de Debussy, Canteloube e Strauss; na segunda, árias de ópera de Korngold, Verdi, Leoncavallo e Cilea. Bis? No Rio, onde se apresentou domingo, foram vários os retornos ao palco – um deles, com Azulão, de Jayme Ovalle. Ou seja, tudo pode acontecer.

(Com Estadão Conteúdo)

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