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‘Ser homofóbico tudo bem, mas trair a mulher, ninguém perdoa’, diz Fagundes sobre o fim de César

Ator comenta a trajetória de César e culpa o público feminino da novela, que termina nesta sexta-feira, pelo duro castigo que o personagem vem recebendo

Por Meire Kusumoto 31 jan 2014, 08h12

Não está sendo fácil para César, personagem de Antonio Fagundes em Amor à Vida, que termina nesta sexta-feira. Depois de muito trair a mulher, Pilar (Suzana Vieira), ele finalmente teve o castigo que merecia: caiu no golpe de uma de suas amantes, a secretária Aline (Vanessa Giácomo), que o cegou e roubou todo o seu dinheiro. Ou essa é apenas a visão das mulheres que assistem à novela, segundo Fagundes. Para o ator, o público feminino é maioria na audiência e vem decidindo o desfecho do médico, punido não por ser preconceituoso e homofóbico, mas por trair a esposa. “Mulher é vingativa, e quem assiste novela é mulher”, diz.

Para sustentar a tese, Fagundes cita Félix (Mateus Solano), o grande vilão do folhetim, que teve suas atrocidades facilmente esquecidas pelos espectadores. “O público perdoou um cara que jogou criança em caçamba, mas não perdoou uma traição. O César vai ser castigado em nome da intransigência das mulheres que assistem à novela”, disse o ator ao site de VEJA.

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Amor à Vida termina com um castigo para o seu personagem, que deve acabar quase inválido, na casa da ex-mulher. Você acha que ele merece isso? O cara está mal, mesmo. É gozado o que aconteceu com o César, porque o público perdoou um cara que jogou criança em caçamba, mas não perdoou uma traição. A única acusação contra o César é de que ele traiu a mulher. Você vê como a mulher é vingativa, quem assiste novela é mulher. Ele vai ser castigado em nome da intransigência das mulheres que assistem à novela. Tadinho, ele errou, né? Eu acho que não precisava de tanto castigo, já pagou, ficou cego.

Mas ele tem outros defeitos. Ele também é homofóbico. Ninguém tocou nesse assunto, a traição é que é imperdoável. Ser homofóbico tudo bem, mas trair a mulher ninguém perdoa.

Você não acha que a novela trabalhou muito bem personagens como Félix e César e descuidou de outros? O Walcyr (Carrasco, autor) é muito atento às coisas que estão acontecendo dentro da sua própria obra. Se você fizer um apanhado das tramas que ele abordou, que ele conseguiu aprofundar, dos núcleos que deram certo, temos uns oito núcleos que foram muito bem e, se ele quisesse, dariam uma novela cada. Ele organizou isso muito bem para não cansar o público e criar sempre uma surpresa.

E por que, na sua opinião, Amor à Vida foi tão criticada? As pessoas costumam cobrar da novela brasileira uma coisa que ela tem culpa de ser cobrada. As novelas extrapolaram o entretenimento, trazem para a sala de jantar discussões que uma obra voltada para o entretenimento não deveria trazer. Essa novela falou de homofobia, autismo, barriga de aluguel, homossexualidade, casal gay. A novela brasileira faz isso. Às vezes, a gente é cobrado porque a gente quer isso, a gente quer mais, quer que haja discussões filosóficas profundas. Mas isso não é novela, novela é entretenimento. Nesse sentido, acho que Amor à Vida cumpriu todas as suas propostas e ainda acrescentou um pouquinho.

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