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Sem alma, ‘A Lei do Amor’ parece cria de algoritmo da Netflix

As citações a outras novelas são tão mal costuradas que a trama parece um Frankenstein

Por Maria Carolina Maia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 18h53 - Publicado em 2 dez 2016, 08h32

Um casal de namorados é separado pela família na adolescência. Ela, grávida, se casará com outro homem, que adotará e criará a criança. Ele só saberá de toda a verdade muitos anos depois, quando os dois se reencontrarem e retomarem a relação, entre conversas de teor ecologicamente correto. Parece Velho Chico, a última novela das 9 da Globo, mas não é. Mais uma: durante passeio de barco, mulher cai no mar e desaparece, mas a sua irmã gêmea logo tomará o seu lugar. Embora sem um maluquinho como Tonho da Lua, a trama lembra Mulheres de Areia. Também não é. Outra: garotas vão a uma agência de modelos mequetrefe e por lá se prostituem. Revival de Verdades Secretas? Nada disso. A verdade é que A Lei do Amor se parece com muitas outras novelas, menos com ela mesma. A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari é um folhetim sem personalidade. Uma novela sem alma.

É ótima, e promissora, a intenção de homenagear outros folhetins no ano em que as telenovelas nacionais comemoram suas 65 primaveras. E a estratégia de brincar com clichês do gênero pode funcionar, se bem realizada. Mesmo o retorno à faixa das 9 do melodrama, base do folhetim quando nasceu, no século XIX, pode se tornar palatável pelo prisma da efeméride. O que se vê em A Lei do Amor, no entanto, é um mosaico que não se sustenta em pé. As citações a outras novelas são tão mal costuradas que a trama parece um Frankenstein, um monstrengo montado com enxertos selecionados pelo misterioso algoritmo da Netflix – aquele que, embora seus criadores neguem, pode ter sido usado para pinçar referências dos anos 1980 para a série Stranger Things.

Mas é preciso dizer que Stranger Things, ainda que tenha sido feita com base em um algoritmo, é uma boa série, uma história que tem força, apesar das muitas heranças que congrega. Nela, o espectador acompanha um grupo de crianças em uma inacreditável luta contra forças do mal ainda mais incríveis – e compra a ideia. Já A Lei do Amor se divide entre duas histórias fracas. De um lado, o caso de amor de Helô (Claudia Abreu) e Pedro (Reynaldo Gianecchini), afastados quando jovens por uma armação da maléfica Magnólia (Vera Holtz) e já adultos por maldade de outro vilão, Tião Bezerra (José Mayer), que ajudou Pedro a entender que Helô escondia dele a informação de que era o pai da chatinha Letícia (Isabella Santoni).

A outra trama é a que envolve os dois principais vilões da novela. Apaixonado por Mág, como a chama, quando era um operário da olaria da sua família, Tião Bezerra foi usado, desprezado e humilhado pela megera, de quem agora quer se vingar. E tudo o que faz é para avançar com o plano de atraí-la, seduzi-la e então dar o troco.

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Há ainda uma porção de mistérios que não despertam grande interesse na audiência – basta ver o Ibope da trama, que terminou o primeiro mês caindo de 28 para 26 pontos na Grande São Paulo. Não se sabe quem tentou matar Fausto (Tarcísio Meira), hoje confinado em uma cama como o Dom Lázaro Venturini de Lima Duarte em Meu Bem, Meu Mal, novela que, aliás, teve Maria Adelaide Amaral entre os seus escribas (autorreferência?).

Também não se sabe se Tião agiu sozinho na empreitada de dar fim à garçonete Isabela (Alice Wegmann) e se ela de fato está fora do jogo – a atriz deve voltar em breve, dizendo ser a irmã gêmea de Isabela. E de Carmen (Bianca Salgueiro), a mulher de Hércules (João Vitor Silva /Danilo Granghéia) na primeira fase, e mãe de seus três filhos, não se sabe o paradeiro. Fala-se que está morta, e ninguém sabe como morreu.

Aliás, outro mistério, que mais parece uma falha, é saber onde foi parar a perversão sexual de Hércules. Na primeira fase, Carmen o acusava de submetê-la a coisas terríveis entre quatro paredes. Agora, ninguém fala mais nisso. Nem mesmo o público, cada dia mais distante do folhetim. Que, afinal de contas, inspira mais aversão como Frankenstein do que interesse.

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