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Selton Mello quer desafios: ‘Ninguém me dava um vilão’

Ator comemora papel em 'Trash – A esperança vem do lixo', filme coproduzido por Brasil e Grã-Bretanha, com direção de Stephen Daldry, que estreia nesta 5ª

Por Flávia Ribeiro, do Rio de Janeiro 9 out 2014, 10h21

É difícil pensar em Selton Mello, mais conhecido por interpretar mocinhos e anti-heróis, como um vilão. Mas não para o diretor britânico Stephen Daldry, que ofereceu ao ator o personagem mais frio e amoral de sua carreira. Em Trash – A esperança vem do lixo, o ator interpreta o investigador de polícia Frederico que, afundado até o pescoço em um esquema de corrupção, persegue três meninos que encontram em um lixão uma carteira que esconde a chave para muitos segredos e dinheiro.

Em entrevista ao site de VEJA, o ator conta que redescobriu o prazer de atuar com o novo filme – uma coprodução de Brasil e Grã-Bretanha, que estreia nesta quinta-feira. Selton fala, também, sobre como foi emocionante contracenar com o estreante Rickson Tevez, um dos adolescentes: “Tive que sair da energia comovida, que não tem nada a ver com meu personagem, antes de gravar. Precisei de um tempo para voltar à amoralidade do Frederico”. Confira os principais trechos da conversa:

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Você já comentou que tinha perdido um pouco da vontade de atuar, e estava mais interessado em dirigir filmes. O que o levou a voltar atrás? Foi um personagem forte que apareceu, a possibilidade de trabalhar com o Stephen (Daldry), que é um diretor a quem respeito muito… Foi um conjunto de coisas. Adoro os filmes dele, especialmente As Horas, que é um filmaço. Acho que ele é um cara sensível e imaginei que pudesse fazer algo assim, também sensível. Isso foi estimulante.

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Interpretar um personagem tão amoral quanto o inspetor Frederico o deixou perturbardo de alguma forma? O que mais mexeu comigo foi o fato de que faço poucos personagens assim. E, curiosamente, foi um diretor estrangeiro que enxergou esse potencial em mim. Tantos diretores aqui, e ninguém me dava um vilão, um amoral. Veio o estrangeiro e falou: “Você vai fazer esse cara!”. Achei isso bom, ganhar esse personagem frio, com um raciocínio peculiar. Mas sempre confiando muito na condução do Stephen.

O que o fez confiar tanto nele? Ele tem uma liberdade de experimentar coisas que, em princípio, parecia que não dariam certo. Ele olhava para mim e dizia: “Experimenta o tom x”. Eu pensava que não ficaria bom, mas tentava e dava certo, na maioria das vezes.

O Stephen Daldry costuma falar da infância em seus filmes, trabalhar com crianças. Foi assim em Billy Elliot, Tão Forte e Tão Perto e, agora, em Trash E eu também. Trabalhei com crianças no meu primeiro filme (como diretor), O Palhaço, e também em Sessão de Terapia (série exibida no canal GNT, que Selton produz e dirige).

Como foi, então, participar de cenas tão violentas contra uma criança – como com Raphael, vivido pelo Rickson Tevez? No meu caso, era violência psicológica. E foi terrível. É evidente que tomamos um cuidado enorme, com o Rickson, principalmente. Havia um dublê, ele só entrava na cena para gravar a parte mais razoável. Mas o jeito que ele fez isso, a maneira sensível, foi tudo muito comovente. Eu fui um ator-criança, comecei com 8 anos. Então, vendo o Rickson ali eu me via também. Depois, tive que sair da energia comovida, que não tem nada a ver com meu personagem, antes de gravar. Precisei de um tempo para voltar à amoralidade do Frederico.

Foi surpreendente essa atuação dele, por ser um menino sem nenhuma experiência anterior? Ele é uma graça. Sensível, inteligente, entendeu rapidamente a dinâmica do cinema. E entendeu, principalmente, que atuar é brincar. Não é muito diferente do que ele faz na rua, com os amigos. Só que é brincar de uma maneira profissional.

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