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Sandra Bullock brilha em “Our Brand is Crisis”

Atriz tem tudo para entrar na disputa pelo Oscar como uma consultora de campanha política no filme produzido por George Clooney

Por Mariane Morisawa, de Toronto 12 set 2015, 17h03

Sandra Bullock colocou seu pezinho na corrida pelo Oscar no 40º Festival de Toronto com Our Brand is Crisis, que teve exibição de imprensa na manhã deste sábado, dia 12. O filme dirigido por David Gordon Green é baseado no documentário de Rachel Boynton sobre a atuação do estrategista de campanhas políticas americano James Carville (que ajudou a eleger Bill Clinton como presidente dos Estados Unidos) na vitória de Gonzalo Sánchez de Lozada à presidência da Bolívia em 2002.

Originalmente, o papel principal seria de George Clooney. Mas o ator, que está entre os produtores do longa-metragem, acabou não podendo fazer. O personagem foi então transformado numa mulher, Jane Bodine, ou “Calamity Jane”, vivida por Bullock. No filme, ela é chamada para assumir a campanha de Castillo (Joaquim de Almeida), um ex-presidente do país com apenas 8% de intenções de voto e pouca identificação com o povo, num momento de muitos protestos antiglobalização no país. Jane está aposentada, vivendo numa cabana no meio das montanhas. Mas acaba topando ao saber que seu arquirrival Pat Candy (Billy Bob Thornton) está trabalhando na campanha do favorito, Rivera (Louis Arcella), um amálgama de Evo Morales e Manfred Reyes Villa. Na vida real, Sánchez de Lozada renunciou 13 meses mais tarde, depois de enfrentar protestos violentos.

É um papel e tanto para Sandra Bullock, um daqueles raros para atrizes. Jane não tem marido, namorado nem filhos, e este não é um assunto do filme. Ela pode ser vulnerável, mas em grande parte do tempo é um trator, difícil de gostar. Tem momentos dramáticos e cômicos, o que é perfeito para as habilidades da atriz.

Our Brand is Crisis é uma sátira bastante desigual, como costuma ser com os filmes do diretor David Gordon Green (de Prova de Amor, Segurando as Pontas e Manglehorn). Pelo menos, ele não trata a Bolívia de forma leviana, tentando expor um pouco da complexidade dos problemas do país. Os mestres do jogo sujo, aqui, são os consultores americanos, que usam os expedientes mais variados para atrapalhar os adversários. Jane e Pat chegam ao país sem falar espanhol nem saber nada da política local, impondo seus métodos usados nas eleições americanas. Num mundo ideal, o filme cheio de altos e baixos teria poucas chances de entrar na corrida pelo Oscar a não ser por suas credenciais (produção de George Clooney), mas Sandra Bullock praticamente pode se considerar indicada.

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