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Rolling Stones sacodem o Rio

Aos 72 anos, Mick Jagger corre, pula, dança e canta por mais de duas hora e incendeia o Maracanã na abertura da turnê no Brasil

Por Leslie Leitão 21 fev 2016, 08h28

Duas horas antes do show, um dilúvio tumultuou a vida de quem tentava chegar ao Maracanã e as capas de chuva inflacionadas (preços chegavam a 20 reais) viraram utensílio obrigatório. Fila para entrar, fila para comprar um simples copo d’água. Esforço que logo seria recompensado. Exatamente às 21h52, o Rolling Stones começou a escrever mais um capítulo de sua relação particular com a cidade que acolheu o maior show das cinco décadas da banda, reunindo mais de 1,2 milhão de pessoas em Copacabana, em 2006. Dez anos depois, os britânicos abriram no Rio de Janeiro a etapa brasileira da turnê Olé pela América Latina numa noite memorável para os fãs do rock ‘n’ roll.

Os problemas técnicos enfrentados pelo Ultraje a Rigor, que abriu o evento, não foram completamente solucionados. O gigantesco palco montado à esquerda das cabines – onde fica a torcida do Flamengo – dava uma dimensão do espetáculo que estava por vir (um dos telões estava parcialmente com defeito, mas muita gente nem ligou). Aliás, não por coincidência o lendário guitarrista Keith Richards surgiu com uma bandana rubro-negra na cabeça, enquanto Mick Jagger apareceu vestido de preto com um paletó vermelho. A banda começou com Start me up e em seguida emendou outro sucesso, It’s only rock and roll.

Quem viu a vitalidade do líder da banda, aos 72 anos, imaginou que ele não aguentaria aquele ritmo por muito tempo. Enganou-se. A energia de Jagger contagiava: “Não posso ficar parado se este senhor está fazendo tudo isso em cima do palco”, dizia um rapaz ao lado, que pagou 1000 reais num ingresso da pista premium.

Quem comprou ali, aliás, não deve ter se arrependido. O palco estendido dava aos fãs a chance de ver de pertinho a performance dos Stones. Foram várias as vezes que Jagger foi cantar ali na pontinha. Várias também foram as tentativas de se comunicar em português. O líder da banda decorou textos inteiros: “Olá, Rio! E aí, cariocas?”, arriscou, para delírio do Maracanã com mais de 60 mil pessoas. “Há exatos 10 anos tocamos em Copacabana. Quem foi? Que bom ver vocês de novo…”, completou.

“Tá favorável!” – A turnê que reúne os principais sucessos dos 54 anos da banda trouxe um repertório com Gimme Shelter, Angie, Jumpin’ Jack Flash, Honky Tonk Woman e Sympathy for the Devil, momento em que Jagger vestiu uma capa vermelha e os telões exibiam imagens demoníacas. Outra novidade de Olé é a votação feita pelos fãs da banda para escolherem uma música a cada apresentação. No Rio, a escolhida foi Like a Rolling Stone, música de Bob Dylan regravada pelos Stones.

“Tá favorável!”, brincou Jagger, numa referência a um funk tosco que ganhou fama na voz de um MC com o tosco apelido de Bin Laden. O público roqueiro não entendeu a brincadeira que passou despercebida.

Depois, apresentou a banda: Ron Wood era o mascote da Olimpíada; Charlie Watts um frequentador da quadra da Mangueira. Jagger deixou o palco sob a batuta de Keith Richards ao chamá-lo para ser ovacionado por quase dois minutos. O guitarrista aproveitou e cantou You Got the Silver e Before They Make Me Run.

A banda deixou o palco e voltou para o bis cantando You Can’t Always Get What You Want junto com o coral da PUC do Rio de Janeiro, e em seguida encerrou o primeiro show no Brasil com o mega sucesso Satisfaction. Dias 24 e 27 tem mais, no Morumbi, em São Paulo, e dia 2 em Porto Alegre.

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