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Record deixa Jabuti alegando escolha política na premiação

Para diretor Sergio Machado, Chico Buarque não poderia levar o prêmio principal após ficar em 2º lugar na categoria Romance

Por Maria Carolina Maia 12 nov 2010, 14h41

A entrega do troféu principal do Prêmio Jabuti deste ano a Chico Buarque não agradou a todos. Mas desagradou sobremaneira ao grupo editorial Record, que nesta semana enviou carta à Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora da disputa, anunciando o rompimento com a premiação. Para o diretor da Record, Sergio Machado, a escolha de Leite Derramado, romance de Buarque lançado pela Companhia das Letras, como Livro do Ano de Ficção, segue “critérios políticos”. O executivo constrói seu argumento a partir do fato de Se Eu Fechar os Olhos Agora, livro do jornalista Edney Silvestre publicado pela Record, ter vencido a categoria Romance, batendo o mesmo Leite Derramado, segundo colocado no grupo.

Em resposta à carta de Machado, a CBL afirma que a escolha está de acordo com o regulamento da premiação. “Concorrem ao prêmio de Melhor Livro do Ano de Ficção os três vencedores das categorias Romance; Contos e Crônicas; Poesia”, diz comunicado emitido pela entidade, que continua: “No ato da inscrição das obras que concorreram ao Prêmio Jabuti 2010 (…), todos os participantes declararam conhecer o regulamento da premiação”.

Não é a primeira vez que o Livro do Ano de Ficção é entregue a uma obra não vencedora em sua categoria de origem. No Jabuti 2008, Ignácio de Loyola Brandão foi o ganhador principal com infantil O Menino que Vendia Palavras, da Objetiva, que ficou em segundo lugar na categoria Infantil. Em 2004, o próprio Chico Buarque levou o maior troféu do Jabuti com Budapeste, que foi apenas o terceiro colocado na categoria Romance.

Os casos de Chico Buarque, no entanto, provocam mais polêmica porque, apesar dos prêmios já conquistados, o músico ainda não convence a todos como escritor. O próprio site do Jabuti reconhece a saia-justa gerada pela vitória de Budapeste: “Em 2004, o vencedor do Livro do Ano de Ficção foi Budapeste, de Chico Buarque. A obra, no entanto, ganhou Menção Honrosa (3º lugar) na categoria Romance. ‘Houve um silêncio na platéia’, conta José Luiz Goldfarb, curador do Prêmio Jabuti. No dia seguinte, a mídia impressa também abriu espaço nas suas páginas para questionar o episódio.”

É nesse contexto que pode ser lida a saída do grupo Record da premiação, considerada a mais prestigiosa do país. Procurada pela reportagem, a Companhia das Letras, editora de Chico Buarque, decidiu não se pronunciar a respeito da decisão da Record. A Editora 34, outra concorrente na categoria Romance, também não está se pronunciando sobre o fato. O grupo Record é composto pela Record, pela Bertrand, Civilização Brasileira, José Olympio e Verus.

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