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Recife será cenário de filme distópico sobre imigrantes chineses

Parceria entre Brasil, Argentina, Holanda e Alemanha promete retratar as dificuldades dos imigrantes de pertencer ao local onde habitam

Por Amanda Capuano 18 jan 2021, 16h13

A cidade de Recife será cenário de uma distopia imigratória no próximo filme da cineasta alemã Nele Wohlatz, premiada em 2016 pelo documentário híbrido O Futuro Perfeito, no Festival de Locarno, na Suíça. Intitulado Do Fish Sleep With Their Eyes Open? (Os peixes dormem de olhos abertos?, em tradução livre), o filme acompanha três viajantes chineses — dois imigrantes e um turista — durante sua estadia na capital pernambucana, explorando o tema do pertencimento para pessoas que vivem entre mudanças. Segundo a revista americana Variety, além da argentina Ruda Cine, produtora que idealizou o projeto, e da pernambucana CinemaScópio, o filme acaba de receber reforço das europeias Circe Films (Holanda) e Blinker Filmproduktion (Alemanha).

“Os protagonistas nem tentam fazer de Recife um lar, já que amanhã eles podem precisar ir para outro lugar. Eles perderam o senso de pertencimento, ou ainda estão perdendo”, explicou Wholatz em entrevista à Variety. No enredo ficcional, os imigrantes habitam uma versão de Recife no futuro, transitando entre armazéns repletos de produtos importados baratos vendidos no centro histórico e o arranha-céu em que vivem, um edifício genérico que poderia estar em qualquer lugar do mundo. Assim como em O Futuro Perfeito, menos ficcional do que o filme recifense, os personagens serão interpretados por atores não profissionais, e o roteiro deve ser adaptado durante a escalação do elenco, para que retrate os amadores.

A diretora alemã passou os últimos dez anos vivendo em Buenos Aires, mas ficou presa no país natal com a chegada da Covid-19, e espera voltar ao Recife, onde dava vida ao projeto. Com a crise do coronavírus, a produção sofreu com atrasos, e ainda não há previsão de estreia. “A pandemia reforçou tendências que já estavam em ebulição, como a desigualdade social e a xenofobia”, apontou a cineasta, que considera que a crise sanitária intensificou a necessidade da obra de se posicionar de maneira muito mais firme.

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