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Quitéria Chagas fala de assédio, relação tóxica e racismo sofrido na Itália

Aos 45 anos, atriz e psicóloga é a convidada do programa semanal da coluna GENTE

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 11h00 | Atualizado em 28 jul 2026, 15h38
Quitéria Chagas fala de assédio, relação tóxica e racismo sofrido na Itália Priorizar nos meus resultados Google

Quitéria Chagas, 45 anos, tem colecionado momentos tensos em sua vida particular nos últimos tempos. Após ficar viúva em março de 2023 do empresário italiano Francesco Locati, que morreu aos 57 anos, em decorrência de um câncer, voltou para o Brasil com a filha, Elena, 11. Em 2025 tentou se reerguer emocionalmente ao assumir namoro com o empresário Sérgio Pitta, fundador de uma agência do segmento de agenciamento artístico. A relação chegou ao fim em março, sob alegação pública, escrita em postagens de desabafo nas redes sociais, de que vivia uma relação tóxica. Mas nem tudo são lágrimas no seu “samba”. Icônica rainha de bateria do Império Serrano, a atriz e psicóloga acaba de lançar o livro Do Carnaval para o mundo: A rainha que quebrou barreiras (ed. Rubi Editorial), no qual fala de sua trajetória repleta de desafios, preconceitos, superações, vitórias, reviravoltas e muito Carnaval. Convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku; além da versão podcast no Spotify), ela relata seus desafios e conquistas. Assista.

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ASSÉDIO NO CARNAVAL. “Apesar do Carnaval ser sempre o que imaginam, sofri pouco, passei pouquinho por situações e soube desvencilhar muito bem. Como sempre andava com meus pais, já era realmente estratégia de proteção. Os homens ficavam com receio. Até hoje os homens vêm falar comigo, mas não vêm me pegando. Me vêm como se eu estivesse, não sei, num pedestal, de uma maneira diferente que não sei explicar, vêm beijando minha mão. Talvez tenha partido da forma que quis me posicionar como mulher. Só me lembro de um caso, numa gravação, um empresário que queria jantar comigo. Falei: ‘Se você levar a minha mãe junto, a gente janta’. Ele, claro, desistiu”.

POSIÇÃO DE RAINHA DE BATERIA. “A solidão da mulher preta é um algo pior. Porque no mundo corporativo, os homens CEOs não vão se casar com mulher preta, a maioria no caso. Eles vão namorar, ter um ‘off’, uma amante. E eu tinha muita preocupação por conta da imagem da mulher no Carnaval, de ficar estereotipada. Falei: ‘como vou sair disso?’. E tinha receio, meus medos. Várias rainhas foram casadas depois dos 40. O homem se assusta com a questão da visibilidade, da sensualidade. Nem todo mundo consegue entender aquele personagem sensual ali. (…) E no relacionamento eu queria ser valorizada. Não queria ser amante, não queria ser a outra”.

RACISMO NA ITÁLIA. “Você não sabe as coisas que eu vivia quando ia com ele (Francesco Locati) jantar e ficava com as mulheres dos outros executivos, que eram brancas. Eu ainda estava namorando e uma delas disse: ‘Ah, ele nunca vai casar com você’. Outra repetiu: ‘você sabe que a família italiana é muito tradicional, católica, e você é do samba’. Eu falava: ‘quem é você para decidir o que vai acontecer?’. Bate de frente, mas sempre faço com aquela elegância, respiro. Tem horas que você quer botar para fora, quer xingar, mas sempre penso antes”.

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NO LEITO DO HOSPITAL. “Foi o meu momento mais feliz (o casamento na Itália). No fim, ele faleceu de câncer terminal. Na Itália não colocam respiração artificial, não tem um tratamento humano. Eu fui a humana do tratamento com ele. Ficava sempre sozinha com ele no quarto. Só iam para colocar a morfina e não tinha diálogo. Eu precisava dar aquele momento humano para ele. Quando o médico disse que era um câncer fulminante, ele me pedius desculpas por não ter se cuidado. E depois disse ‘eu te amo’. Naquele momento não era um homem rígido, que tinha um vínculo emocional. O momento de convalescença no hospital foram os melhores momentos também. Porque ele conseguiu mostrar suas emoções. Infelizmente os homens foram educados a não mostrar emoções. Isso está matando também. Não só o próprio homem, mas os relacionamentos. E ali, a vulnerabilidade dele foi um momento incrível. Foi romântico, lindo, doído, sofrido, mas curativo. Ele parou de respirar na minha frente. Aquele silêncio”.

DE VOLTA AO BRASIL. “Meu marido, pouco antes de falecer, sendo uma pessoa extremamente generosa, falou que eu tenho que saber viver. Ele: ‘desapega de mim, volta para o Brasil, resgata a sua vida’. Quando me casei, abandonei a questão da atuação, fui morar lá por uma decisão minha. E esse ele se foi. Mas graças às falas dele, que teve o poder de me reestruturar. Se ele não desse essas falas, ia ficar mais difícil. Eu tinha que voltar para o Brasil, porque ele sabia que o país dele é muito machista e a mulher sozinha perde a função social sem o marido. A viúva não tem função. Ele falou: ‘preparei tudo para você, você vai ficar bem’”.

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RENASCIMENTO. “Tive que renascer e resgatar a minha vida muito rápido. Porque tenho uma filha que agora tem 11 anos. Tinha que sair do hospital, meu marido morreu na minha frente. Eu peguei um táxi, o hospital me ligou: ‘Senhora, seu marido morreu, amanhã você tem que reconhecer o corpo’. E já fui escolher a roupa do defunto. A sociedade te atropela até no luto. Eu não tive respiro, paz”.

RELAÇÃO TÓXICA. “Na sociedade, nós, mulheres, fomos educadas a nos silenciar em tudo. Quando você termina o relacionamento (o empresário Sérgio Pitta, com quem namorava desde julho de 2025), fica quietinha: ‘não fala nada não, que é maduro’. Essa é uma frase social. É uma frase danosa, é uma frase que mata. Silenciar, ainda mais quando passa por qualquer tipo de humilhação, abuso emocional ou físico? Para ter o abusador físico e o feminicídio, primeiro começa com sinais psicológicos, emocionais, que se tornou na classe masculina, banais. (…) Eu não podia fazer isso com o meu público. vi coisas, aconteceram muitas coisas que me fizeram fazer isso (expor o fim da relação como ex-namorado). Coisas que eu pude ver, gente que filmou em momentos de ensaio, que foram acontecendo, que foram ruins. Humilhante…”

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AGRESSÕES PSICOLÓGICAS. “Bom, não chegou a ponto físico, mas agressões psicológicas, emocionais, outras formas, outras maneiras, por isso fiz um texto amplo no qual pudesse tocar no assunto que raramente as pessoas tocam, e que está culminando nessas violências todas. Depois descobri outras coisas também, porque quando você se põe nessa exposição, vêm as ex, vêm os relatos, vêm as exposições dos outros em off. Realmente eu estava certa. Falei: ‘Sabe de uma coisa? Vamos resolver isso e desarmar o circo’. Não sou palhaça. (…) De repente, numa relação, a pessoa muda com você, ela não divide, não troca, simplesmente muda. Aí vem com papo: ‘você está pensando só em você’. Isso é manipulação, faz você se passar por louca nas decisões mais banais”.

Captação de imagens e edição: Libário Nogueira / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221); ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.

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