Quem é a polêmica tradutora de ‘A Odisseia’ que detonou filme de Chistopher Nolan
Pesquisadora é reconhecida por ser a primeira mulher a traduzir obra de Homero para o inglês
Nesta segunda-feira, 27, a professora e tradutora Emily Wilson gerou repercussão nas redes sociais por tecer duras críticas à adaptação de A Odisseia dirigida por Christopher Nolan. Responsável por uma das traduções em inglês mais reconhecidas da obra de Homero, a escritora publicou um ensaio na London Review of Books afirmando que teria “vergonha de ter escrito qualquer parte” do roteiro do filme estrelado por Anne Hathaway, Matt Damon e Tom Holland.
Professora de estudos clássicos na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a britânico-americana ficou mundialmente conhecida por ser a primeira mulher a traduzir A Odisseia de Homero para o inglês em versos, em 2017. Anos depois, em 2023, lançou uma tradução de A Ilíada. Além de tradutora, Wilson também é autora dos livros Zombado da Morte: Sobrevivência Trágica de Sófocles a Milton (2004), A Morte de Sócrates: Herói, Vilão, Tagarela, Santo (2007) e O Maior Império: Uma Vida de Sêneca (2014).
Filha de acadêmicos, sendo a mãe uma estudiosa sobre literatura elisabetana e o pai escritor, Wilson se referiu ao filme de Nolan como uma obra “grandiosa e superficial”, classificando a narrativa da produção como artificial. “A escrita é péssima. Nenhum dos personagens tem uma motivação convincente para suas ações ou palavras. Não há cenas de sexo e toda a comida parece horrível”, escreveu ela.
A pesquisadora chegou a admitir que esperava mais do cineasta, especialmente após Nolan ter declarado que usou sua tradução como inspiração para o projeto. Conhecida por ter um estilo de escrita direto e bastante moderno, a professora removeu diversas palavras difíceis e termos antigos na versão traduzida. Além do uso da linguagem contemporânea na obra, Wilson também foi alvo de inúmeras críticas por adotar uma abordagem feminista em sua tradução.
A especialista é vista como uma figura polêmica entre fãs fiéis da obra de Homero, dividindo opiniões nas redes sociais. De um lado, muitos exaltam que sua versão trouxe maior acessibilidade e clareza ao poema épico de Homero. De outro, a autora é criticada pelo excesso de “militâncias” ao longo do texto, sendo descrita como “muito woke” pela perspectiva feminista com que reinterpreta os papéis de gênero do clássico.
Ao fim do ensaio publicado ontem, Wilson acaba celebrando o lançamento do filme, que reacendeu o interesse do público pela obra: “O lançamento de A Odisseia é um evento a ser celebrado. O filme está levando o público de volta aos cinemas, as traduções da obra, incluindo a minha, estão esgotando rapidamente e talvez convença algumas universidades a manterem seus departamentos de literatura, línguas e história. Nolan está fazendo o possível para que o público volte a ler, e sou grata por isso”, afirmou.
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