Quatro grandes papéis de Glória Menezes na dramaturgia brasileira
Atriz morreu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos, após seis décadas de contribuição às artes cênicas
A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos, após mais de seis décadas de trabalho marcante na dramaturgia brasileira. Dentro de sua trajetória, brilhou nos palcos, nos televisores e no cinema. Relembre quatro de seus papéis grandiosos:
O Pagador de Promessas (1962)
Ainda aos 18 anos de idade, Glória teve papel central no primeiro (e único) filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Dirigido por Anselmo Duarte a partir da peça homônima de Dias Gomes, o longa retrata a jornada de um homem que promete carregar uma cruz de sua pequena propriedade até uma igreja de Salvador, caso a saúde de seu burro melhore. Quando isso acontece, porém, o gesto é rechaçado pelas autoridades católicas e transforma o rapaz em um símbolo político acidental. Ao seu lado, Glória interpreta a fiel esposa Rosa.
Tarcísio & Glória (1988)
Impossível falar de Glória Menezes sem citar sua prolífica parceria com Tarcísio Meira, que começou nos bastidores da peça As Feiticeiras de Salém em 1960 e rapidamente acabou em casamento — que durou de 1962 até a morte do ator, em 2021. O prazer que ambos tinham em trabalhar juntos era tanto que a Globo decidiu a transformar em alicerce para um seriado cômico inteiro, no qual a atriz vivia a alienígena Ava Becker, fascinada pelo empresário Bruno Lazzarini (Meira). Com muito humor e ironia, a produção abordava temas como corrupção e feminismo.
Rainha da Sucata (1990)
Poucos anos depois da série inusitada, Glória teve a oportunidade de viver sua primeira vilã. Laurinha Figueroa era uma socialite perversa, esnobe e arrogante, determinada a impedir que Maria do Carmo (Regina Duarte) integrasse a alta sociedade paulistana e conquistasse as afeições de Edu (Tony Ramos), por quem a megera nutria uma paixão secreta, apesar de ser sua madrasta. Juntas, ambas as atrizes construíram um dos jogos de gato e rato mais impressionantes da televisão brasileira.
Deus nos Acuda (1992)
A parceria com Silvio de Abreu continuou e rendeu à Glória o Troféu Imprensa de Melhor Atriz. Nesta novela das sete, ela vivia a socialite vingativa Baby Bueno, que volta ao Brasil para assegurar que Otto Bismark (Francisco Cuoco) vá preso pelo assassinato de sua irmã, Eugênia (Maria Amélia Brito). Ao desenrolar da trama, contudo, o ódio dá vazão a um romance avassalador que confunde ambas as partes.
A Favorita (2008)
Anos antes de se aposentar oficialmente, Glória assegurou que deixaria sua marca também na teledramaturgia do século 21 e participou de uma das melhores novelas desta safra. Grande admirador, João Emanuel Carneiro fez questão de que a veterana participasse de quase todos os capítulos como Irene Fontini, mãe de Marcelo (Flávio Tolezani) — vítima do assassinato que coloca Flora (Patricia Pillar) na cadeia. A matriarca acredita na inocência da nora e a acompanha por grande parte da trama, até descobrir a verdade em uma cena avassaladora.
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