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Quarenta anos após morte de John Lennon, que fim levou seu assassino

Entre as razões perturbadoras do maluco Mark David Chapman para matar ex-beatle estava o desejo de ficar famoso para sempre

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 8 dez 2020, 16h05 - Publicado em 8 dez 2020, 12h57

Há exatos 40 anos, na noite do dia 8 de dezembro de 1980, um maluco assassinou John Lennon com quatro tiros em frente ao prédio onde o ex-beatle morava, em Nova York. Hoje é um dia em que, inevitavelmente, se vai lembrar das letras e da importância do artista para a cultura popular do século XX. Mas uma curiosidade fica no ar: que fim levou Mark David Chapman, o homem que matou Lennon? 

Das inúmeras motivações alegadas por Chapman para o crime, a mais esdrúxula foi a de que seu nome seria lembrado para sempre. Infelizmente, ele atingiu o objetivo. Imediatamente preso, Chapman foi condenado à prisão perpétua e está encarcerado em regime fechado há 40 anos em Attica, no estado de Nova York. Mesmo da cadeia, o criminoso é, até hoje, procurado pela imprensa para dar entrevistas e sua história já virou filme em 2007, com Jared Leto fazendo seu papel.

O que poucos sabem, no entanto, é que Chapman ganhou o direito de solicitar liberdade condicional após vinte anos de pena. Desde 2000, ele já fez onze pedidos, todos negados. Na audiência de 2018, quando sua solicitação foi analisada pela 10ª vez, ele disse que sente “cada vez mais vergonha” do crime, mas o juiz responsável pelo caso respondeu que soltá-lo “seria incompatível com o bem-estar e segurança da sociedade”. Em agosto deste ano, mais uma tentativa e a mesma frase dita dois anos antes. Yoko Ono, viúva de Lennon, também é consultada nessas ocasiões e sempre se posicionou contra a soltura do assassino.

Mesmo preso, Chapman conseguiu a fama que queria. Nos anos 1980, foi entrevistado pela revista People. Depois, deu entrevista para o jornalista Jack Jones, que publicou o livro Let Me Take You Down: Inside the Mind of Mark David Chapman, the Man Who Killed John Lennon, em 1992. Neste mesmo ano, o criminoso também deu entrevistas para canais de TV, para a jornalista Barbara Walters e para Larry King.

Para além da conquista da fama, Chapman brandiu outros motivos para matar Lennon, inclusive insanidade. Ele disse que estava decidido a matar uma pessoa famosa. Se não fosse o ex-beatle, teria sido outro. Em seu julgamento, declarou que “ouvia vozes em sua cabeça”. Ele disse também que atirou porque Lennon já havia afirmado no passado que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo. Mas o crime já estava premeditado: a arma, um revólver calibre 38, tinha sido comprada três meses antes. No hotel onde se hospedou em Nova York, Chapman havia deixado em seu quarto, para que a polícia encontrasse, uma cópia do livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Em depoimento, disse que foi influenciado pela obra. “Uma grande parte de mim é Holden Caulfield (personagem principal do livro de Salinger) e uma pequena parte deve ser o diabo.”

A ironia é que Lennon, um dos mais importantes compositores do século XX, autor de hinos pela paz como Imagine e Give Peace a Chance, foi morto por uma arma de fogo. Lennon tinha apenas 40 anos e estava com sua mulher, Yoko, voltando para casa depois de mais um dia de trabalho no estúdio. Chapman já havia encontrado com Lennon no mesmo local e pegado um autógrafo na capa do álbum Double Fantasy. “Ele foi realmente gentil comigo naquele dia”, disse Chapman. Desarmado pelo segurança, o criminoso não tentou fugir. Quando perguntaram “você sabe o que fez?”, ele respondeu: “Sim, eu atirei em John Lennon”. Chapman jamais negou que tenha cometido o crime.

Nascido em 10 de maio de 1955, em Fort Worth, no Texas, Mark David Chapman sofreu abusos sexuais e psicológicos na infância, o que levou a tentar suicídio. Meses antes de cometer o crime, ele estava no Havaí, com a mulher. Decidido a matar Lennon, disse a ela que precisava de um tempo para ele mesmo e viajou para Nova York. No revólver, ele carregou uma munição com ponta oca, mais letal por expandir-se dentro do corpo, causando mais estragos. “Era para ter certeza de que ele seria morto”, disse.

O fato é que a morte de Lennon deixou um vazio imenso na música popular que até hoje não foi preenchido. É difícil imaginar o que o ex-beatle estaria fazendo hoje. Talvez, mais do que nunca, militando contra a violência e as desigualdades sociais, provavelmente se posicionando contra o governo de Donald Trump. A morte prematura o elevou à condição de mito da música. Uma reportagem sobre Lennon feita pelo canal britânico BBC resumiu muito bem essa definição: “Lendas são para heróis. Mitos são figuras maiores do que isso. São deuses. E John Lennon, de fato, atingiu um tipo de imortalidade reservada aos deuses”.

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