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Presidente do Grammy é afastada por má conduta dez dias antes da premiação

Deborah Dugan estava no cargo desde agosto do ano passado. Cerimônia acontecerá no dia 26 de janeiro em Los Angeles

Por Redação - 17 jan 2020, 10h54

A apenas dez dias da 62ª edição do Grammy, a Recording Academy – responsável pela premiação – afastou temporariamente a presidente Deborah Dugan do cargo, em razão de uma denúncia de má conduta. Ela estava no posto desde agosto do ano passado, quando substituiu o veterano Neil Portnow, que ficou no comando por dezessete anos. O produtor Harvey Mason Jr. assumirá como presidente interino durante o curso das investigações.

“Devido a sérias preocupações conduzidas ao conselho da Recording Academy, incluindo uma acusação formal de má conduta feita por um membro feminino da equipe, o conselho colocará a presidente Deborah Dugan em uma licença administrativa de caráter imediato”, diz o comunicado obtido pela revista Variety na quinta-feira 16.

“Determinamos que essa ação seria necessária para restaurar a confiança dos membros da Recording Academy, reparar a moral dos funcionários e permitir que a Academia se concentre em sua missão de servir a todos os criadores de música”, continua.

Mais detalhes sobre a “má conduta” não foram divulgados oficialmente, nem tampouco a identidade da acusadora. Uma fonte anônima, porém, revelou à Variety que a denúncia teria sido motivada por discriminação e foi feita junto a uma acusação de assédio sexual contra outro membro do conselho. A revista ainda levantou a possibilidade de o afastamento, na verdade, ser uma manobra para barrar as mudanças na academia defendidas por Deborah.

“Quem é a maioria dos executivos do conselho? Pessoas mais velhas e resistentes às mudanças. Foi demais para eles, e em um curto espaço de tempo”, contou uma fonte anônima.

Outra pessoa próxima à instituição, que também preferiu não se identificar, afirmou à revista que a presidente estava levantando questionamentos sobre o tamanho do conselho e gastos exagerados, o que desagradava outros membros.

Deborah Dugan e Harvey Mason Jr. durante cerimônia de anúncio dos indicados a 62ª edição do Grammy em Nova York em novembro de 2019 Jamie McCarthy/Getty Images

Deborah assumiu a presidência da Recording Academy em agosto de 2019, em substituição a Neil Portnow. Apesar de ter modernizado a premiação nos dezessete anos em que esteve no comando, o ex-presidente saiu em meio a críticas à falta de diversidade da cerimônia – o estopim foi um comentário feito por ele em 2018, afirmando que as mulheres teriam de avançar se quisessem se destacar na indústria musical.

Uma semana antes de seu afastamento, Deborah contou à Variety que as mudanças na Academia já estavam em curso e que havia um “novo tom no ar”. “Há muito mais comunicação e um grande esforço para garantir que sejamos mais inclusivos e diversos. Eu quero que sejamos parte da indústria, mas estando à frente dela – sendo pioneiros, não apenas seguindo o fluxo”, declarou.

A 62ª cerimônia do Grammy acontecerá no dia 26 de janeiro no Staples Center, em Los Angeles, e será transmitida com exclusividade pelo canal fechado TNT a partir das 21h. Aerosmith, Lizzo, Gwen Stefani, Billie Eilish e Demi Lovato são algumas das performances confirmadas para o evento. 

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