Preços abusivos e longas caminhadas marcam Lollapalooza 2015 | VEJA
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Preços abusivos e longas caminhadas marcam Lollapalooza 2015

Apesar da reclamação e das bolhas no pé, público se mostrou satisfeito com a programação, que mesclou pop, rock, indie e eletrônico

Por Daniel Dieb 30 mar 2015, 09h12

Em sua quarta edição no Brasil, o festival Lollapalooza deu mostras de maturidade, mas também tropeços em pontos que precisam ser melhorados para o próximo ano. Uma das maiores reclamações do público no ano passado, a questão da mobilidade entre os palcos, permaneceu na lista de queixas de 2015, já que o evento manteve como sede o Autódromo de Interlagos, de 600 000 m2 de extensão. Para ir de um palco a outro, era preciso andar até meia-hora, caminhada que levou muita gente aos ambulatórios com bolhas nos pés.

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Para sorte do público e da organização, a caminhada pelo menos não foi debaixo de tempestade. A chuva não veio com a força prevista, o que evitou o acúmulo de lama e o infame apelido Lamapalooza. A garoa fina que caiu no domingo não incomodou, enquanto o sábado ostentou sol e calor o dia todo. Mas, como dito antes, foi uma questão de sorte.

Outro drama deste ano que deveria ser resolvido para a próxima edição foram os preços abusivos das bebidas e alimentos, que acabaram camuflados pelo “câmbio” criado pelo Lollapalooza. Um “mango”, moeda oficial do evento, era vendido por 2,50 reais. Nos food trucks, uma tapioca custava 4 “mangos”, ou 10 reais, mesmo preço da cerveja, que acabou em certos pontos de venda na noite do domingo. Uma lata de refrigerante saía por 7,50 reais, enquanto o copo de 300 ml de água custava incríveis 5 reais. Alguns ambulantes vendiam comida na moeda “real”, com preços tão salgados quanto o “dólar” do evento: um pastel era comprado por nada menos que 10 reais.

A vantagem dos “mangos”, a ser destacada, é que a sua compra antecipada ajudou a reduzir filas. Outro acerto da organização foi a distribuição de banheiros pelo autódromo. Contudo, a área central do festival, aquela que ligava os dois palcos principais e hospedava os food trucks, recebia indesejadas lufadas de mau cheiro de três fossos de esgoto, dois deles abertos, localizados ali perto.

Quanto aos casos de polícia, nos dois dias do Lollapalooza 2015 os mais registrados foram de furtos, a maior parte de celulares. Comunicação de extravio de documentos também foi frequente, principalmente de carteira com documentos. Além disso, a polícia apreendeu uma pessoa pelo porte de entorpecentes e quatro colombianos com passagem na polícia que tentavam entrar no evento para furtar. Apesar de algumas brigas e discussões terem ocorrido, somente uma foi registrada pela polícia, envolvendo dois rapazes que trabalhavam no evento. Porém, após registrarem boletim de ocorrência, resolveram-se entre eles e desistiram de levar o caso adiante.

Quanto à programação, a curadoria se mostrou acertada. Jack White, Robert Plant e Smashing Pumpkins foram boas escolhas pela excelência musical e pela afinidade com o tema do festival, o rock. Mas o pop também foi representado – e bem. Calvin Harris, Pharrell Williams e Bastille contribuíram para chamar as 136 000 pessoas recebidas pelo Lolla nos dois dias. Já nas atrações de médio porte, Interpol, The Kooks e Kasabian se provaram escolhas mais seguras, porém deixaram a desejar em suas apresentações. Já St. Vincent, menos conhecida que as três bandas, fez um ótimo e performático show. Entre os dispensáveis, estão grupos como Three Days Grace e Skrillex.

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