Por que ala da esquerda acusa ‘Patrulha Canina’ de ser ‘propaganda autoritária’
Novo filme estrelado por socorristas peludos chega aos cinemas nesta quinta-feira, 13
Para o criminologista canadense Liam Kennedy, da University of King’s College, é muito claro: “Conforme o tempo passar, crianças podem ser menos predispostas a criticar o sistema capitalista que prejudica o meio ambiente e reproduz desigualdades” — isso se forem expostas excessivamente à animação Patrulha Canina, que lança o filme Uma Aventura Dino nesta quinta-feira, 13. Apesar de peculiar, o argumento é muito popular na internet, onde viralizou o estudo de Kennedy, chamado: “Quando estiver em apuros, uive por ajuda: Crime, Conservação e Corporativismo em Patrulha Canina“.
No ar desde 2013, a animação representa um grupo de cães comportados que respondem a um garoto de 10 anos chamado Ryder. Cada um dos membros da trupe exerce funções civis diferentes: as da polícia, dos bombeiros, de profissionais de saúde, da aeronáutica e de construção. Juntos na cidade da Baía da Aventura, eles atendem a chamados de emergência diversos. No caso do novo filme, devem impedir que um projeto de mineração do prefeito Humdinger — da cidade vizinha, Mundo Nebuloso — cause uma erupção vulcânica catastrófica e destrua uma ilha que abriga dinossauros.
No centro da sinopse, está um dos principais argumentos de Kennedy: “Começo pela forma como o Estado é retratado. O prefeito Humdinger representa o governo e é visto negativamente. Ele é antiético e corrupto, enquanto a prefeita Goodway, de Baía da Aventura, é histérica e incompetente”. Face às falhas da gestão, a Patrulha Canina se torna “uma corporação privada utilizada para prover serviços sociais básicos”. Com isso, o pesquisador de esquerda acredita que o seriado esteja influenciando crianças a acreditar que o Estado é inconfiável e que uma alternativa melhor seja tomar o poder sob ideais fascistas.
Nem mesmo o bordão da série — “nenhuma missão é grande demais, nenhum filhote é pequeno demais” — é suficientemente correto para o acadêmico. Em seu olhar, esta é uma “mensagem individualista” que “ignora barreiras estruturais que impedem certos membros da sociedade de agir”. Um colunista do jornal inglês The Guardian endossa a teoria e assim descreve a animação: “Propaganda neoliberal autoritária disfarçada de desenho alegre sobre filhotes”.
Há, por outro lado, quem veja o prefeito Humdinger como crítica esquerdista a Donald Trump, já que o personagem é um narcisista loiro e abastado, dono do próprio arranha-céu à la Trump Tower. Tais fatores, porém, não aplacam os críticos ferrenhos da série, que também questionam a presença de apenas uma fêmea na trupe principal, obcecada pela cor rosa. Cabe aos pais dos pequenos espectadores ponderar se a crítica é uma grande bobagem, ou argumento alarmante.
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