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Pediatras querem proibir funks ‘Surubinha de Leve’ e ‘Oh Novinha’

Entidade entrou com representação no Ministério Público para banir músicas criticadas por banalizar o estupro

Por Redação 7 fev 2018, 17h21 | Atualizado em 3 jul 2026, 18h47
Pediatras querem proibir funks ‘Surubinha de Leve’ e ‘Oh Novinha’ Priorize VEJA no Google

Nesta terça-feira, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) entrou com uma representação no Ministério Público da Infância e Juventude do Estado do Rio de Janeiro para coibir a difusão de produtos culturais que façam apologia ao estupro, estimulem o consumo precoce de álcool e drogas e banalizem o corpo e as relações sexuais. O texto menciona produções musicais, editoriais e audiovisuais. Mas ataca mesmo cantores de funk que, recentemente, causaram polêmica pelo teor de suas letras e seus videoclipes, e pede a proibição de suas obras.

As faixas citadas — inclusive com a reprodução das letras — são Só Surubinha de Leve, do MC Diguinho, e Oh Novinha, do MC Don Juan. Outro funk que causou revolta na internet, em janeiro, foi Vai, Faz a Fila, de Mc Denny, que não foi lembrado no manifesto do SBP. Os versos diziam, sem filtros: “Vou socar na tua b***** sem parar. E, se você pedir pra mim parar, não vou parar. Porque você que resolveu vir pra base transar. Então vem cá, se você quer, você vai aguentar”.

Só Surubinha de Leve foi excluído do YouTube e do Spotify após uma enxurrada de críticas de internautas nas redes sociais. Na letra, o cantor fala das mulheres de forma bastante depreciativa. A parte mais polêmica defende que os homens devem embriagar a garota e depois violentá-la: “Taca a bebida, depois taca a pica e abandona na rua”. O vídeo com a faixa, publicado em dezembro, chegou a ter cerca de 14 milhões de visualizações no canal Legenda Funk, antes de ser apagado.

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Em meados de janeiro, MC Diguinho lançou o videclipe da música, com uma versão mais branda da letra. Para os pediatras, porém, esta também é problemática. “O autor utiliza um jogo de palavras de duplo sentido que induz o ouvinte a perceber como normal uma série de situações não recomendáveis nas relações em sociedade”, explica.

“Cabe ao Ministério Público, como fiscal da lei e mantenedor da ordem jurídica, investigar e apurar tal situação, visto que a letra dessas músicas, bem como de inúmeras outras, sugere a prática de crimes e de ações impróprias para a população composta por crianças e adolescentes, visto que essas são fases decisivas para a formação e o desenvolvimento dos seres humanos em várias dimensões, o que significa que a situação atual terá como consequência imediata a deformação de uma parcela considerável das gerações de adultos que logo estarão à frente da sociedade”, diz o texto.

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