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Patrick Modiano achou ‘estranho’ ganhar o Nobel

Por Da Redação 9 out 2014, 12h57

Não encontrado pela Academia Sueca, que costuma contatar os seus premiados antes de torná-los públicos, o escritor francês Patrick Modiano recebeu por seu editor a notícia de que havia vencido o Nobel de Literatura, nesta quinta. Espantado, ele achou “estranho” ganhar a honraria, que vem junto com um cheque de 8 milhões de coroas suecas (2,67 milhões de reais). Mas, é claro, ficou conente.

Leia trechos de romances do Nobel Patrick Mondiano

“Telefonei para Modiano e o parabenizei. Ele, com a sua habitual modéstia, disse: ‘É estranho’. Mas estava muito feliz”, contou Antoine Gallimard, presidente da editora que leva o seu nome de família. “Para nós, é uma surpresa profunda e um dia maravilhoso.”

O presidente francês François Hollande também felicitou Modiano, mas através do Twitter. “Felicitações a Patrick Modiano. Este prêmio Nobel consagra uma obra que explora as sutilezas da memória e a complexidade da identidade.”

Modiano é autor de romances que abordam temas como a culpa, a memória e o sofrimento de um país sob a ocupação nazista. Ele tem seis romances lançados no Brasil pela Rocco, mas já estão todos fora de catálogo.

Modiano, de 69 anos, situou toda a sua obra na Paris da Segunda Guerra Mundial, descrevendo os acontecimentos daquela época por meio de personagens comuns. Seu estilo sóbrio e claro fez dele um escritor acessível apreciado pelo grande público e também pelos círculos literários.

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Surpresa em Frankfurt — Os representantes da editora francesa Gallimard presentes à Feira de Frankfurt demonstraram surpresa com a escolha de Patrick Mediano, autor da companhia, para o Nobel de Literatura. A editora não tinha detalhes para passar à imprensa e, ao contrário de vencedores de outros anos, como o peruano Mario Vargas Llosa, Modiano não se pronunciou assim que o prêmio foi anunciado.

Na verdade, o escritor francês de 69 anos é avesso a entrevistas, preferindo repetir o chavão de que sua obra já diz tudo. Seu livro mais conhecido é Uma Rua de Roma, com o qual ganhou o prestigioso prêmio Goncourt, em 1978.

Filho de um pai judeu italiano e de uma atriz belga, Modiano nasceu em julho de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, mas essas origens influenciam profundamente seu trabalho: o judaísmo, a ocupação nazista e a perda da identidade são temas recorrentes em sua obra, que teve início em 1968 com La Place de l’Etoile (O Lugar da Estrela), título considerado determinante sobre o período pós-holocausto.

Ele também colaborou com o cineasta Louis Malle, em 1974, na escrita do roteiro do filme Lacombe Lucien, que também tem a guerra como pano de fundo. Por esse trabalho, foi indicado ao Bafta, o Oscar do cinema britânico.

No Brasil, a Cosac Naify lançou recentemente um livro infantojuvenil, Filomena Firmeza, que trata da importância do amor entre pais e filhos. Em 1998, a Rocco lançou Dora Bruder, romance sombrio em que tenta reconstruir a vida de uma menina que, em 1941, desapareceu misteriosamente após fugir da polícia francesa.

(Com agências France-Presse e Estado)

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