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‘Pais e Filhos’ segue fórmula esquemática para emocionar

No mais recente trabalho do diretor japonês Hirokazu Kore-Eda, o drama é oriundo de um esquematismo batido e limitado e deixa a desejar

Por Diego Braga Norte
1 nov 2013, 09h33

O japonês Hirokazu Kore-Eda é um daqueles cineastas que adoram um dramalhão familiar. Em Depois da Vida (1998) ele especula sobre o que viria após a morte, em Ninguém Pode Saber (2004), conta a história de quatro crianças que têm de aprender a viver sozinhas após o abandono da mãe, e em Seguindo em Frente (2008) dois irmãos passam a visitar o pai idoso com mais frequência, pois ele está à beira da morte. Em Pais e Filhos, seu mais recente trabalho, em cartaz na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o drama é oriundo de um esquematismo batido e limitado e, por isso, o longa não é tão bom quanto suas obras anteriores.

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Ryota (Masaharu Fukuyama) é um arquiteto ambicioso e bem sucedido profissionalmente, casado com Midori (Machiko Ono). Eles têm uma casa perfeita e um filho de seis anos, Keita. A vida da família segue sem sobressaltos até um fatídico telefonema. Após um exame de sangue rotineiro na escola de Keita, o hospital descobre que ele não é filho biológico de seus pais. A maternidade trocara os bebês e o verdadeiro filho do casal estava sendo criado por Yudai Saiki (Franky Lily) um sujeito alegre, mas fracassado financeiramente, e sua mulher. Diante da revelação, Ryota e Midori analisam a possibilidade – oferecida pelas autoridades – de trocar as crianças. Mas antes, ambas as famílias têm de passar por um período de adaptação de 12 meses e começam a se visitar com frequência. O mote do enredo por si só já é pesado, mas o diretor faz questão de enfatizar o clima de chumbo ao retratar a crise emocional de Ryota e Midori.

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A família e a honra são dois dos valores mais caros à cultura japonesa e o filme de Kore-Eda fratura justamente esses dois conceitos. Ryota e Midori veem sua vida virar de cabeça para baixo, pois criam o filho de outras pessoas. E o casal ainda sofre pela dúvida sobre fazer ou não a troca das crianças, algo que poderia afetar sua honra perante a sociedade. O filme não é ruim, pelo contrário, é bom e comovente. Tão bom que ganhou o prêmio do júri de melhor filme, o segundo em importância, no último Festival de Cannes. O problema é que a troca de bebês não é algo novo em roteiros de cinema, tampouco as hesitações emocionais que a confusão provoca. Daí vem parte da decepção com o longa de Kore-Eda: ele optou por um drama seguro e um tema já conhecido quando tinha a oportunidade de inovar, como fez em obras anteriores.

Outro problema do filme é a oposta simetria entre as duas famílias, numa fórmula esquemática que funciona, mas é simplista. Uma família é rica, a outra, pobre. Uma é racional, a outra, emocional. Uma controla o tempo livre do filho, preenchido com atividades; a outra deixa a criança livre. E esse contraste segue um rigor quase matemático durante o desenrolar da história, sempre com alguma coisa em oposição à outra. O filme pode agradar e emocionar pais e filhos numa sessão da tarde, mas não é uma obra maior de Hirokazu Kore-Eda. Uma pena.

Serviço – Começa nesta sexta-feira e segue até a próxima quinta, dia 7 de novembro, a repescagem da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com nova exibição dos destaques do evento. Os filmes e os horários podem ser conferidos no site da Mostra.

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