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Ouvidos digitais: como as gravadoras garimpam na internet

Na Universal, artistas descobertos na rede já são 20% das novas aquisições

Por Maria Carolina Maia 10 jun 2011, 23h34

Quando os versos de Oração grudaram na mente de milhares de internautas e projetaram A Banda Mais Bonita da Cidade, de Curitiba, no cenário nacional, gravadoras como a Sony correram para cortejar o grupo. Embora casos como esse sejam os de maior visibilidade no meio musical, não é assim, apenas, que se faz a ponte entre a internet e um grande estúdio. Gravadoras de grande porte vêm montando equipes focadas no mundo virtual e em alguns casos, como no da gigante Universal, já contabilizam um quinto de descobertas online entre os seus novos contratados.

Bandas como Cine, Vanguart e Link’ed estão entre as descobertas feitas pela Universal na rede. São achados que fazem da web – uma vilã quando se trata de pirataria – uma valiosa fonte de talentos. De acordo com o gerente artístico Daniel Silveira, todos os departamentos da gravadora trabalham conectados. “É uma forma de descobrir talentos”, diz. Para diminuir os riscos das apostas, a empresa lança um single do artista encontrado e, se a acolhida for boa, parte para um disco completo.

Exemplo de aposta que deu certo é Paula Fernandes. A Universal conheceu a sertaneja-pop em 2008, pela rede, e lançou seu primeiro disco, Pássaro de Fogo, no mesmo ano, atingindo a marca de 40.000 exemplares vendidos. Em 2011, saiu um combinado de CD e DVD ao vivo, que já contabiliza vendas de 700.000 cópias. É certo que o convite para participar do especial de fim de ano de Roberto Carlos – que as revistas de fofoca juram ser seu namorado – na Globo ajudou. Mas a internet teve papel essencial no início da carreira da cantora, do qual a Universal não abre mão. “Todo o trabalho de divulgação da Paula Fernandes foi feito primeiramente online, o que gerou acesso e propaganda boca a boca. Nós demos continuidade à publicidade de forma tradicional, mas sem abandonar a rede”, diz Silveira.

Música popular digital

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Para Bruno Baptista, gerente artístico da Sony, a qualidade de vitrine da internet faz dela uma espécie de oráculo. “Quando uma banda chega a nós por meios convencionais, via empresário ou pelos promotores que a gravadora mantém país afora, eu entro na rede para ver como essa banda está cotada nas redes sociais, quantos views tem no Youtube e quantas pessoas curtem no Facebook. Não que seja ponto determinante para a decisão, mas pode contar a favor da banda já ter um público.”

Ao lado das fontes convencionais, a Sony conta com uma equipe de seis funcionários dedicada exclusivamente às redes sociais, que abastecem o gerente artístico e o vice-presidente Sergio Bittencourt de novidades encontradas na web.

Rapidez no gatilho – Parte do trabalho também consiste, naturalmente, em acertar o alvo antes da concorrência. Quando não é possível laçar um talento antes que ele atraia o interesse geral, é preciso contratá-lo antes que se instaure um leilão, como no caso da cantora folk paulista Mallu Magalhães. Revelada há cerca de quatro anos pela internet, Mallu teve seu passe valorizado à medida que o assédio aumentava. “Eu quis contratá-la. Chegamos a ter várias reuniões, mas a Sony acabou levando”, diz Paulo Junqueiro, diretor artístico da EMI, cujo departamento comercial digital é o grande posto de observação online da gravadora.

A Sony também pode levar A Banda Mais Bonita da Cidade. Embora o grupo esteja investindo em um meio de financiamento independente pela internet, a gravadora está de olho em seu desempenho e pode lhe tentar com propostas. Entre os planos do gerente artístico Bruno Baptista para este domingo estava o de ir ao show da banda no Rio. E Léo Rodriguez é a aposta da companhia no sertanejo teen, segmento que é a bola da vez. “O disco dele sai este mês e vai ter a faixa Atmosfera, que já teve 3 milhões de views na internet”, diz Baptista.

Léo Rodriguez é a resposta da Sony a um dos maiores fenômenos comerciais brasileiros surgidos na internet. Luan Santana estourou com o vídeo da música Meteoro. E em duas semanas estava no catálogo da Som Livre – não à toa, vira e mexe aparece na tela da Globo. “A internet, definitivamente, nos ajuda a perceber tendências”, afirma Marcelo Toller, gerente artístico da Som Livre.

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