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Oscar adotará espécie de sistema de cotas para ampliar representatividade

As mudanças valem a partir de 2022 para os longas que pretendem concorrer na categoria de melhor filme; número mínimo de padrões deverá ser atendido

Por Felipe Branco Cruz - Atualizado em 17 set 2020, 17h04 - Publicado em 9 set 2020, 11h51

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, anunciou na noite desta terça-feira, 8, novos padrões que deverão ser utilizados na escolha dos longa-metragens indicados na categoria de melhor filme. As mudanças – que, na prática, introduzem na premiação uma espécie de sistema de cotas – fazem parte da iniciativa Academy Aperture 2025, que tem por objetivo trazer mais diversidade aos filmes.

As mudanças vão valer para o Oscar de 2022 e de 2023, quando cada produção deverá enviar um formulário demonstrando que seguiu um dos padrões de inclusão da academia. A partir de 2024, os filmes que quiserem concorrer na categoria de melhor filme deverão atender, no mínimo, dois dos quatro padrões (veja abaixo alguns deles).

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Vale lembrar que as mudanças foram motivadas após a campanha Oscar So White (Oscar tão branco), que pedia por mais diversidade na premiação. Em 2016, por exemplo, pelo segundo ano consecutivo dos indicados nas principais categorias, nenhum ator/atriz era negro ou latino. A polêmica foi tanta que muitos atores anunciaram um boicote à cerimônia.

“A abertura deve se alargar para refletir nossa população global diversificada tanto na criação de filmes quanto nas audiências que se conectam com eles”, disseram o presidente da Academia, David Rubin, e a CEO, Dawn Hudson, em uma declaração conjunta. “A Academia está empenhada em desempenhar um papel vital para ajudar a tornar isso uma realidade.”

Ao todo, são quatro pilares:

Representação na tela, nos temas e nas narrativas:
Os filmes deverão atender pelo menos uma das seguintes normas: atores principais ou coadjuvantes de grupos raciais sub-representados (hispânico/latino, negro/afro-americano indígena, nativo americano, nativo do Alasca, Oriente Médio/Norte da África, havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico), mínimo de 30% de atores em papéis secundários sendo mulheres, LGBTQI+, grupos diferentes etnias e pessoas com deficiências cognitivas ou físicas.

Liderança criativa e chefes de departamentos:
Ao menos dois cargos de produção deverão ser ocupados pessoas de grupos raciais sub-representados e por outra pessoa que pertenceu ao grupo LGBTQ+, mulher ou que tenha uma deficiência (diretor de elenco, cineasta, compositor, figurinista, diretor, editor, cabeleireiro, maquiador, produtor, desenhista de produção, decorador de cenário, som, supervisor de efeitos visuais, escritor). Caso contrário, o filme deverá ter, pelo menos, seis equipes com grupos étnicos sub-representados ou 30% da equipe com pessoas dos grupos já mencionados.

Acesso e oportunidade na indústria:
A distribuidora deverá obrigatoriamente ter estagiários/aprendizes pagos que façam parte dos grupos mencionados acima e oferecer treinamento ou trabalho para desenvolver as habilidades dessas pessoas.

Desenvolvimento da audiência:
Dar representatividade no marketing, publicidade e distribuição do filme para os grupos acima.

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