Olivia Wilde sobre ‘O Convite’: ‘Falar sobre sexo ainda é tabu entre parceiros’
Diretora e estrela do filme rebate o escândalo em torno do próprio divórcio com uma comédia ácida sobre dilemas mundanos típicos do casamento
“Devemos estar sempre apaixonados. Essa é a razão pela qual nunca devemos nos casar”, escreveu Oscar Wilde com seu gênio ferino em 1893. Pouco mais de um século depois, a mesma frase abre a comédia O Convite (The Invite, 2026, Estados Unidos), em cartaz nos cinemas, sobre um marido apático e uma esposa neurótica, vividos por Seth Rogen e Olivia Wilde — ela também diretora do filme. A dupla é desafiada a sair da zona de conforto quando recebe um casal de vizinhos descolados, interpretados por Penélope Cruz e Edward Norton, para um jantar que vira uma sequência de erros — de um simples suflê queimado até uma hilária proposta sexual de troca de casais.
Para Olivia, a obra — adaptação do filme Sentimental, do roteirista espanhol Cesc Gay — funciona como “remédio”, a fim de proporcionar alívio e identificação aos espectadores e, quem sabe, estimular conversas difíceis. “Falar sobre sexo ainda é tabu entre parceiros”, disse ela a VEJA (leia a entrevista abaixo).
A atriz e diretora conhece bem esse campo minado. Após um divórcio nada amigável e exageradamente público com o ator Jason Sudeikis em 2020, que então brilhava como o protagonista da série Ted Lasso, ela virou para-raios de polêmicas e críticas. A começar pelo romance com o cantor pop Harry Styles, dez anos mais novo que ela, com quem Olivia supostamente teria traído o ex-marido. Em seguida, pipocaram acusações de má conduta no set do filme Não Se Preocupe, Querida (2022), outro dirigido pela atriz — e com Styles no elenco —, um fiasco de crítica e público. Agora, O Convite responde ao alarde.
O longa não trata as diferenças entre parceiros como revoltantes ou antiéticas, mas constrói um quarteto compreensível que se abre em diálogos eletrizantes e, sobretudo, divertidos, sem oferecer ao público soluções condescendentes. A maturidade do roteiro remete a um estilo voltado a maiores de idade e hoje negligenciado, marcado por mestres feito Mike Nichols e Woody Allen, no qual intrigas comuns fascinam e escanteiam o pudor. Não à toa, o filme é dedicado a Diane Keaton, atriz que fez carreira no formato. Contra a escassez, O Convite serve um saboroso jantar para paladares adultos.
“Estamos todos no mesmo barco”
Em entrevista a VEJA, Olivia Wilde incentiva casais a discutirem seus desejos de maneira aberta e bem-humorada.
Como equilibrou os dois lados da câmera? Por sorte, eu e minha personagem estávamos em uma situação similar. Assim como ela, convidei todas essas pessoas para uma “festa” e estava determinada a proporcionar a melhor e mais confortável experiência possível.
Falar sobre sexo ainda é um tabu? O problema é que o assunto é tabu entre parceiros. É comum que alguém não faça ideia das fantasias ou carências de seu cônjuge. Além disso, dentro da cultura americana há uma ideia do quanto as pessoas devem transar, e há quem sinta vergonha por não estar a par da estimativa. Espero que o filme traga o alívio de saber que estamos todos no mesmo barco e que podemos rir disso.
O filme exigiu pesquisa? Recorremos às nossas próprias observações em relacionamentos do passado. Foi muito revelador, pois tivemos que identificar o que consideramos uma união saudável. No fim, essas discussões acrescentaram honestidade e originalidade ao filme, e não acho que o público tenha que ter contato com a não monogamia para entender o que se passa. Eu mesma amo filmes sobre circunstâncias que desconheço.
Publicado em VEJA de 10 de julho de 2026, edição nº 3003







