O terror ‘incel’ de Curry Barker, que ganhou sucesso mundial em ‘Obsessão’
Longa transforma desejo romântico em pesadelo
Fenômeno do terror em 2026, Obsessão, de Curry Barker, ultrapassou a marca de 400 milhões de dólares em bilheteria mundial e chegou a 94% de aprovação no Rotten Tomatoes. A trama acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem apaixonado por sua melhor amiga, Nikki (Inde Navarrette). Ao encontrar um misterioso artefato capaz de realizar desejos, ele decide usá-lo para conquistar o amor da garota. O plano aparentemente funciona, mas logo toma um rumo aterrorizante: o sentimento de Nikki se transforma em uma obsessão incontrolável, desencadeando uma sequência de acontecimentos violentos e sobrenaturais.
Se antes o terror colocava monstros sobrenaturais e assassinos mascarados no centro da ameaça, parte das produções recentes do gênero tem deslocado o medo para uma figura mais próxima: o homem comum. É nesse cenário que surge o chamado incel horror, rótulo usado para descrever narrativas em que o elemento assustador não está necessariamente em uma criatura, mas em personagens masculinos que tratam o afeto ou o corpo de uma mulher como algo a que teriam direito.
No Brasil, uma produção que conversa diretamente com essa discussão é Dias Perfeitos, série do Globoplay adaptada do livro homônimo de Raphael Montes. Na trama, Téo (Jaffar Bambirra) é um estudante de medicina solitário que se apaixona por Clarice (Julia Dalavia), uma aspirante a roteirista. Rejeitado, ele sequestra a jovem e passa a mantê-la em cativeiro, convencido de que, com o tempo, ela irá correspondê-lo. A série transforma a fantasia romântica do homem rejeitado em um thriller psicológico sobre controle, violência e a ideia equivocada de amor como posse.
Em entrevista ao The Guardian, Barker disse que não enxergava Obsessão por essa perspectiva enquanto desenvolvia o roteiro. Para ele, Bear “apenas toma algumas decisões ruins”; o que torna o personagem perturbador é a maneira como lida com as consequências delas. O diretor contou ainda que só conheceu o termo “incel” depois que outras pessoas passaram a associar o filme a essa leitura.
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