Clique e assine a partir de 9,90/mês

O rock morreu — e desta vez não há engano

Neste século, apenas duas bandas de rock chegaram ao topo do ranking anual da Billboard 200, a compilação de discos mais vendidos feita pela revista americana Billboard. Enquanto o gênero definha, seu espaço é tomado pelo pop e pelo hip-hop, que atendem melhor aos anseios de uma juventude voltada para o consumo, o selfie e a ostentação

Por Rafael Costa - 12 out 2014, 15h58
Trecho do clipe 'Rock Is Dead', da dupla Tenacious D, formada pelos atores e comediantes Jack Black e Kyle Gass
Trecho do clipe ‘Rock Is Dead’, da dupla Tenacious D, formada pelos atores e comediantes Jack Black e Kyle Gass VEJA

Em sua história de mais de seis décadas, o rock foi dado como morto inúmeras vezes. No início de setembro, o diagnóstico se repetiu. Em entrevista à revista americana Esquire, o baixista e vocalista do Kiss, Gene Simmons, pôs sua cara pintada a tapa ao afirmar de maneira categórica que o estilo musical já era. Mas a dureza dessa observação nunca foi mais justificada. Gênero que viveu seu auge entre as décadas de 1950 e 70, com bandas e cantores pipocando nos quatro cantos do mundo, o rock nunca teve tão pouca relevância cultural e comercial. Rara presença nas paradas de sucesso, baixas vendas de discos e pouca execução em plataformas virtuais, em comparação com o pop e o rap, os “donos” do mercado fonográfico de hoje, além da vergonha alheia despertada por bandas como o Coldplay, são os sintomas mais visíveis de que a avaliação, desta vez, pode ser séria.

Neste século, apenas dois álbuns de rock terminaram em primeiro lugar entre os mais vendidos do consolidado anual da Billboard 200, o ranking que enumera os discos mais comercializados nos Estados Unidos. Um dos responsáveis pelo feito, que hoje parece inatingível, foi o Linkin Park, com seu trabalho de estreia, Hybrid Theory, em 2000. O outro foi o inexpressivo Daughtry, que chegou ao primeiro lugar em 2007, impulsionado pelo sucesso de seu vocalista Chris Daughtry no reality show American Idol. Isolados, os dois acontecimentos parecem ser as exceções que confirmam a regra, já que foi justamente na década de 2000 que os sinais mais claros de agonia começaram a aparecer. Face oposta de uma mesma moeda, foi também aí que grupos como The Strokes e The Libertines foram eleitos a salvação do gênero, reprisando de maneira pálida algo que ocorreu ao Nirvana no início da década de 1990, quando o rock já era dado como morto. “O rock tem 60 anos de idade, e poucos gêneros se mantêm frescos por tanto tempo. Os temas de muitas músicas são os mesmos há seis décadas”, diz o americano Charles R. Cross, autor de Mais Pesado que o Céu (Globo Livros), biografia de Kurt Cobain, e Room Full of Mirrors (sem edição brasileira), sobre Jimi Hendrix.

O esgotamento da fonte é, contudo, só mais um fator a explicar a bad trip do rock. A imensa variedade de informação e a pirataria propiciadas pela internet, a situação difícil do mercado fonográfico e, principalmente, as transformações sociais decorridas nos últimos anos completam o painel. “O rock em determinado momento representou uma certa oposição à cultura hegemônica reinante, foi uma trilha revolucionária e isso foi mudando”, diz Micael Heschmann, historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Houve o esgotamento de uma certa agenda de reinvindicações. O rock fazia parte desse movimento de resistência cultural, de contestação, mas o próprio mundo mudou. Aquelas bandeiras dos anos 1960 não estão mais aí.” Para Heschmann, ao mesmo tempo em que bandeiras fortes como a da Guerra do Vietnã desvaneceram, se multiplicaram as plataformas e estilos que podem ser abraçados pelos descontentes. Foi nesse cenário que emergiu o hip-hop, quando não empregado para a ostentação, uso recorrente em uma sociedade marcada pelo consumo.

De fato, o rock tem no hip-hop, além do pop, os seus principais inimigos nos últimos anos: de 2001 para cá, eles dominaram as paradas de álbuns mais vendidos nos Estados Unidos. O rap foi coroado quatro vezes com dois discos de 50 Cent, e outros de Eminem e Usher. Já o pop viu Adele (duas vezes), Taylor Swift, Justin Timberlake e Alicia Keys conquistar cinco vezes o feito de disco mais vendido em um mesmo ano no país.

Duelo contra o pop e o rap – Como diz o ditado: se não pode combater o inimigo, junte-se a ele. Foi assim que o rock, que nos anos 1950 trazia raízes do country, blues e R&B e nos 1960 foi marcado pela rebeldia dos Rolling Stones, o iê iê iê dos Beatles e a psicodelia de Led Zeppelin, passou a se modificar, de olho em novos públicos. Entre os anos 1970 e 1980, bandas como U2, The Police e New Order se aliaram ao som que ganhava força com Madonna e Michael Jackson, dando origem ao pop rock. A vertente segue de pé, representada por Coldplay e Maroon 5, algumas das poucas bandas a vender bem, apesar de – ou justamente por – fazer um som que poderia animar um trio elétrico no Carnaval de Salvador.

Ao longo de sua existência, o estilo se reinventou outras vezes, ao promover uma mistura entre seus sub-gêneros, como a fusão entre heavy metal e punk que deu origem ao grunge. Bandas como Limp Bizkit e Linkin Park uniram rock com rap entre o final da década de 1990 e início de 2000 e conseguiram criar uma tendência capaz de conquistar público. Mas não forte o suficiente para tirar o rock da UTI.

Para Charles Cross, inclusive, essa extrema maleabilidade mais atrapalha que ajuda o gênero. “À medida que o rock se tornou mais comercial nos anos 1970, se tornou cada vez menos uma voz da juventude. A música era importante para a cultura dos anos 1960, ainda é, mas gostar de uma banda hoje em dia significa menos do que nessa época”, diz. O professor de música da Universidade de Rochester (EUA) John Covach faz coro. “O rock era um elemento crucial na cultura jovem dos anos 1960 e 1970, quando as pessoas criavam grupos sólidos por ouvirem muito das mesmas músicas.”

Já para o professor de música da Unesp Luiz Amato, o problema é que o rock não se adaptou à dinâmica do mercado. “O produtor musical faz uma faixa tocar quanto ele quiser no rádio. Você acha que a garotada não vai gostar? A música pega. Antigamente, por sorte, as coisas tinham mais conteúdo”, diz. “Além disso, hoje o mercado valoriza mais singles que álbuns conceituais, uma das marcas registradas do rock. Isso significa que uma banda tem que prender a atenção do público rapidamente, sem se dar ao luxo de novas experiências.”

Década de 1950

O rock n’roll deu seus primeiros passos entre o final da década de 1940 e início da de 1950, quando a fusão de estilos como country, blues, R&B e música gospel resultou em uma sonoridade original. Protagonistas dessa primeira fase, marcada pelo chamado rockabilly, Elvis Presley, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Bill Haley, Chuck Berry e Buddy Holly estão entre os que embalaram o ritmo nascido nos Estados Unidos. De todos os nomes, no entanto, Elvis foi o que mais se destacou. Seu estilo vocal, visual e performático surpreendeu o público, a crítica e também os pais, que o consideravam uma má influência para os filhos. Seu reinado é único até hoje. Elvis é o artista solo com o maior número de discos vendidos na história: mais de 1 bilhão de cópias no mundo todo.

Década de 1960

Continua após a publicidade

Nos anos 1960, o rock começa a ganhar o mundo. Ao longo da década, grandes bandas, cantores e cantoras — como Beatles, Rolling Stones, The Doors, Janis Joplin e Jimmy Hendrix — despontaram com som e atitude pautados pelas mudanças culturais que sacudiam o mundo. Empunhando lemas como “paz e amor” e “sexo, drogas e rock n’ roll”, artistas e fãs se reuniram em eventos como o até hoje emblemático Festival de Woodstock, em 1969, que recebeu gente como Hendrix, Janis, Joe Cocker e The Who. Outros nomes importantes despontaram na década, como The Doors, Bob Dylan e Led Zeppelin, que influenciou o surgimento do heavy metal nos anos seguintes. 

No Brasil, o rock n’ roll tem sua semente plantada por bandas como Os Mutantes, formada por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, e pela Jovem Guarda, capitaneada por Roberto e Erasmo Carlos, Renato e Seus Blue Caps e Golden Boys, entre outras bandas.

https://youtube.com/watch?v=pOe9PJrbo0s

Década de 1970

A década de 1970 começou cinza com a perda de alguns ídolos do rock, como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison, que morreram praticamente em sequencia em menos de um ano, entre setembro de 1970 e julho de 1971. Mas as tragédias não impediram que outros grandes nomes surgissem, assim como diferentes vertentes. Uma delas foi o heavy metal, liderada por grupos como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, junto com seu irmão festeiro e mais melódico, o hard rock, que colocou no mundo gigantes como AC/DC, Queen, Aerosmith e Kiss. O rock psicodélico, ou progressivo, apesar de surgir no final da década de 60, ganha força um pouco depois nas mãos de Pink Floyd, Yes, Supertramp e Genesis, com suas músicas repletas de longos solos de guitarra, teclados e sintetizadores. Em contrapartida, em meados de 1970 a rebeldia e o anarquismo colocaram apenas três acordes em uma guitarra para dar a luz ao movimento punk, que explodiu na Inglaterra e nos Estados Unidos com grupos como Ramones, The Clash, Sex Pistols, Dead Kennedys e o The Stooges.

No Brasil, o punk ganha força com Inocentes, Cólera, Restos de Nada, entre outras. Os anos 70 também foram o berço de outros grandes músicos, como Ney Matogrosso e sua banda, os Secos & Molhados, além do mestre Raul Seixas.

Década de 1980

Nos anos 1980, o rock começa a dividir o espaço entre as multidões com o pop e a dance music, que explode graças a astros como Michael Jackson e Madonna. A fusão entre os dois estilos acabou desencadeando vertentes mais dançantes, como o new wave e o rock alternativo, que fez despontar grupos como Talking Heads, The Smith, The Police, The Cure e New Order. Além do pop rock, guiado pelo U2, o A-Ha e Duran Duran. Ainda na linha do hard rock, outras grandes bandas começam a ganhar destaque, entre elas o Guns N’Roses, Bon Jovi e Def Lepard. No início da década, surge a MTV, que passa a ser a principal emissora de TV especializada em música, e com ela os videoclipes, que deram novo impulso ao gênero.

No Brasil, a década de 1980 pode ser considerada a mais forte e mais importante. A principal fonte de bandas foi a ainda jovem cidade de Brasília, onde apareceram Aborto Elétrico, espécie de semente da Legião Urbana e do Capital Inicial, os Paralamas do Sucesso e a Plebe Rude, entre outros grupos. Longe da capital federal, outras bandas despontaram no cenário nacional, como Titãs, e seu super grupo de nove integrantes, Ira! e Ultraje a Rigor.

Década de 1990

Outras fusões de estilos colocaram bandas no estrelato entre o final dos anos 1980 e início dos 90. Apesar de formado em 1983, foi em 1991 que o Red Hot Chili Peppers ficou conhecido no mundo todo como um dos precursores da mistura de hard rock e funk, receita de sucesso já comprovada por grupos como Faith No More e Living Colour. No entanto, vale dizer que 1990 foi a década do grunge. Em resposta ao pop, à disco music e a outros ritmos dançantes que dominavam as rádios, jovens de Seattle, com suas camisas de flanela, tênis All Star e calças rasgadas, começaram a criar bandas com um som mais pesado, obscuro, repleto de referências ao heavy metal e ao punk. Entre os principais nomes da cidade, estão Pearl Jam, Soundgarden, Alice In Chains e Nirvana, que, após a morte do líder Kurt Cobain em 1994, viu seu baterista Dave Grohl se tornar um ícone do rock com o Foo Fighters. Um pouco desgastado, o punk ganhou sobrevida com uma vertente que gerou certo preconceito entre os saudosistas da época: o pop-punk. Grupos como Green Day, Blink 182, The Offspring e Millencolin injetaram melodia e versos sobre festas e relacionamentos em um som antes calcado em temas politizados. A década ainda foi marcada pela explosão do britpop na Inglaterra, com bandas como Blur, Oasis e Travis.

A toada de bandas de rock brasileiras continuou nos anos 1990, com a explosão de grupos controversos, como o Planet Hemp e o Pavilhão 9, e de outros que caíram no gosto do público por misturar rock com bom humor, como Mamonas Assassinas e Raimundos. Entre outras bandas de sucesso que viriam a influenciar as gerações seguintes, estavam o Charlie Brown Jr., Chico Science e Nação Zumbi, O Rappa, Jota Quest e Skank.

Década de 2000

Os anos 2000 podem ser considerados o berço do atual indie rock. Os Strokes podem não ter sido os inventores do estilo, que recebeu essa denominação na década de 1980 em referência a bandas independentes como The Smiths, New Order, The Stone Roses e The Jesus and Mary Chain. O grupo liderado por Julian Casablancas, no entanto, foi um dos mais importantes da leva que despontou para o mundo com nomes como Arctic Monkeys, The Black Keys, Kasabian, Franz Ferdinand, Kings of Leon e Kaiser Chiefs. Apesar do relativo sucesso, o período teve os primeiros sinais de desgaste da fórmula do rock, deteriorado pelo aparecimento de grupos como Coldplay, Maroon 5. A situação do pop-punk, por sua vez, decai com o nascimento do emocore, liderado por grupos como My Chemical Romance, Good Charlotte e Simple Plan, com suas músicas extremamente sentimentais e depressivas.

A tendência do emo também ganhou força no Brasil, com bandas como Fresno e NXZero. O esgotamento do rock nacional ficou ainda mais evidente com grupos que conquistaram o estrelato por um breve período, como Detonautas Roque Clube, CPM 22, Pitty, Forfun e Cachorro Grande, que seguem em atividade, mas basicamente restritos aos fã-clubes.

Década de 2010

Já se passaram quatro anos desde o início da década e pode-se dizer que nada de inovador se criou dentro do rock. O cenário atual é dominado pelo indie rock e o pop rock – isso quando esses subgêneros aparecem nas paradas musicais. Entre os grandes nomes de hoje, estão Arctic Monkeys, The Black Keys, Kings of Leon, Muse e Arcade Fire.

No Brasil a situação é ainda mais crítica. Boas bandas continuaram surgindo, ou ganhando força no cenário nacional, como Vivendo do Ócio, Vanguart e Vespas Mandarinas, mas quem realmente conseguiu emplacar hits nas rádios e chamar a atenção – muito pelas suas roupas – foram as chamadas bandas coloridas. A vertente alegre do emocore trouxe um lote de grupos que – felizmente – já não têm mais tanta relevância agora, como Cine, Restart e Hori, que tinha Fiuk como vocalista.

Break no Brock – No Brasil o panorama é ainda mais grave. Os sintomas da agonia são assustadores, como os dezenove anos que separam a última vez que uma banda liderou as vendas de discos em um ano, o Mamonas Assassinas, em 1995. Além disso, desde 2007 um grupo não emplaca uma das cinco músicas mais executadas nas rádios. Os principais rivais, por aqui, são o funk, o sertanejo e o pop, que dominam as rádios, e a música gospel, primeiro lugar em vendas de discos por cinco vezes nos últimos oito anos.

Para o escritor Ricardo Alexandre, autor de Dias de Luta (Arquipélago), sobre o rock dos anos 1980, o Brasil não depende mais do rock como um vórtex de comportamento, como há trinta anos, quando o gênero teve mais força no país. Ele destaca que as bandas desse período atingiram o sucesso mais pelas circunstâncias do momento do que necessariamente pelo talento. “Nos anos 80, a gente tinha um país que queria se manifestar por meio do rock. É claro que um ano em que surgiram Herbert Viana, Renato Russo e Titãs foi um ano realmente especial, mas, se eles surgissem dez anos antes ou dez anos depois, o talento deles não ia mudar tudo”, diz.

Continua após a publicidade

Alexandre também lembra que falta “terreno propício” para o rock germinar. De fato, mas isso também faz parte da dinâmica do mercado como um todo. Rádios que têm o rock como estilo principal, como a 89 FM, em São Paulo, e a Cidade, no Rio de Janeiro, sentiram uma queda abrupta de audiência no início da década de 2000 e chegaram a sair do ar por um determinado período. “Os novos adolescentes pegaram do Charlie Brown para cá e, como não vem surgindo tanta coisa, acabaram se abrindo para o pop internacional, o hip hop, até o funk”, afirma Cadu Previero, locutor da 89. De acordo com ele, a emissora faz o possível para tentar encontrar novos nomes, mas os grupos também têm de fazer sua parte. “Faltam hits radiofônicos, ou um álbum conceitual de peso que faça estourar uma banda para colocá-la no gosto popular e num patamar de nova estrela do rock nacional.”

Teorias e hipóteses para que o rock nacional ressuscite não faltam. Para o produtor musical Rick Bonadio, que já trabalhou com bandas como Charlie Brown Jr., CPM 22, NX Zero e Mamonas Assassinas, os grupos precisam se reinventar. “O rock tradicional com guitarra, baixo e bateria, influenciado pelo rock dos anos 70, 80 e 90 já rendeu grandes bandas. Acredito que a sonoridade hoje pede mais peso nos graves, mais batidas dançantes e referências eletrônicas, não só bons rifs de guitarra, para termos um rock forte no mercado novamente”, diz. O vocalista do Ira!, Nasi, acredita que o gênero volte a ganhar força no país assim que retomar o seu lema “I can’t get no satisfaction”, ou “Eu não posso ter satisfação”, fazendo referência ao sucesso dos Rolling Stones. Ele reconhece que tanto no Brasil como no mundo o rock vive uma safra ruim, mas se diz esperançoso. “O rock viveu um período de crise criativa no final da década de 1970 e com o surgimento do punk, voltou à sua essência, com uma música mais urgente, mais simples, menos rococó. É apenas uma fase.”

Apesar do cenário apocalíptico, nada impede que o rock volte a respirar sem o auxilio de aparelhos e se torne novamente uma grande potência no mundo da música. Segundo Heschmann, existe um processo cíclico nos meios musicais, que pode trazer o estilo de volta à tona com a emergência de outras variantes, como o punk e o heavy metal, por exemplo, e que há tempos não acontece. Pode-se afirmar que o grunge liderado pelas bandas de Seattle no início da década de 1990 foi o último sub-gênero que fez o rock voltar respirar quando estava sendo ameaçado pela dance music. Respirando por aparelhos, o rock permanece no aguardo de um novo salvador, como afirma Charles R. Cross. “Nós precisamos de um Kurt Cobain mais do que nunca.”

Arctic Monkeys

Formado em 2002 na Inglaterra, o Arctic Monkeys explodiu no cenário musical em 2006 com seu primeiro álbum de estúdio, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not. Com hits como I Bet You Look Good on the Dancefloor e Fake Tales of San Francisco, o disco vendeu mais de 360 000 cópias na semana de lançamento nos EUA, chegou ao primeiro lugar das paradas da Billboard 200 e também se saiu bem no Reino Unido e em países como França e Austrália. O grupo foi atração principal no Lollapalooza Brasil de 2012, mesmo ano de seu quinto trabalho de inéditas, AM. O CD chegou ao topo das paradas britânicas e ao sexto lugar no ranking dos álbuns mais vendidos da revista Billboard.

Muse

Atração principal no primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2014 e no segundo dia do Rock In Rio 2013, o Muse começou sua jornada em 1994 com Matthew Bellamy, voz e guitarra, Christopher Wolstenholme, baixo, e Dominic Howard, bateria na formação principal. O trio britânico, no entanto, veio a conquistar o estrelato apenas em 2006, com o lançamento de Black Holes and Revelations, que trazia os hits Starlight e Invincible. A banda ganhou um disco de ouro nos Estados Unidos ao atingir a nona posição no ranking da Billboard 200 e o disco de platina no Reino Unido, onde alcançou o topo das paradas. Daí em diante foram apenas tiros certeiros, com The Resistance (2009), que rendeu ao grupo o primeiro Grammy da carreira, e The 2nd Law (2012), que chegou à segunda posição entre os álbuns mais vendidos nos Estados Unidos e ao topo no Reino Unido.

Black Keys

Com uma mistura de blues com rock alternativo, os americanos do Black Keys traçaram uma curva ascendente com as vendas de seus últimos três discos até chegar á primeira posição do ranking da Billboard 200. O grupo formado em 2001 estourou de vez em seu país e no mundo em 2010, com o sexto álbum de estúdio, Brothers, que chegou ao terceiro lugar da parada americana. O trabalho seguinte, El Camino (2011), alcançou a segunda posição, enquanto o disco mais recente, Turn Blue, de 2014, atingiu a liderança nas vendas. El Camino também rendeu três Grammys ao duo formado por Dan Auerbach, guitarra, e Patrick Carney, bateria, em 2013. A banda foi uma das atrações principais do Lollapalooza Brasil 2013, ao lado de The Killers e Pearl Jam.

Arcade Fire

Se o Muse encerrou o primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2014, o Arcade Fire foi o responsável por fechar o evento com seu show cheio de luzes, coreografias e arranjos instrumentais variados. Com Win Butler à frente de outros sete integrantes, o grupo canadense se formou em 2001 e emplacou seus dois últimos álbuns de estúdio na primeira posição da parada da Billboard 200, The Suburbs (2010) e Reflektor (2013). Seu segundo disco, Neon Bible (2007) já havia conquistado a segunda colocação. O grupo foi indicado a oito Grammys ao longo da carreira e venceu dois, em 2011 e 2012.

Continua após a publicidade

Royal Blood

Com um som um pouco mais pesado, o Royal Blood vem despontando no cenário musical desde 2013, quando lançou o single Out of the Black. A música atingiu a primeira posição das paradas britânicas e levou a banda a ser apontada como “salvadora” do rock. Em agosto deste ano, o duo formado por Mike Kerr, voz, e Ben Thatcher, bateria, lançou seu álbum de estreia, que leva o nome da dupla. O disco aposta em uma sonoridade próxima ao grunge dos anos 1990, com um toque de blues. O CD chegou à primeira posição entre os mais vendidos no período de uma semana no Reino Unido, uma enorme façanha para o rock atual, e ao 30º lugar da Billboard 200.

Vespas Mandarinas

No Brasil, uma das esperanças para a cena do rock é o Vespas Mandarinas. O quarteto, que tem Chuck Hipolitho (ex-Forgotten Boys), Thadeu Meneghini (ex-Banzé), Flavio Guarnieri e Pindé (ambos ex-Sugar Kane), despontou após ser apresentado no programa Temos Vagas, da rádio 89 FM. Seu álbum de estreia, Animal Nacional, foi indicado ao Grammy Latino de melhor álbum de rock brasileiro, ao lado de grupos como Jota Quest e Nando Reis e Os Infernais. O quarteto paulistano também foi uma das atrações da edição de 2014 do Lollapalooza.

Vivendo Do Ócio

Formado na Bahia em 2006, o quarteto Vivendo do Ócio despontou no cenário do rock nacional com um som semelhante ao do indie e do rock alternativo de bandas como The Strokes, The Hives e Arctic Monkeys. O grupo conhecido por hits como NostalgiaSilas e Meu Precioso chegou a ser uma das atrações do Video Music Brasil (VMB) em 2009, quando levou para casa o prêmio Aposta MTV. Em 2013, integrou o line-up da segunda edição brasileira do Lollapalooza.

Vanguart

Outra atração no Lollapalooza 2013, o Vanguart surgiu em 2001 no Mato Grosso como uma banda independente e foi chamar a atenção em 2007 com um estilo próximo ao indie rock e o folk contido no seu primeiro disco de estúdio – que leva o próprio nome da banda. O álbum seguinte, Boa Parte de Mim Vai Embora, rendeu ao grupo o prêmio de melhor banda no Video Music Brasil (VMB) em 2012, e o mais recente, Muito Mais Que O Amor, lançado em 2013, emplacou o hit Meu Sol nas rádios e, inclusive, na novela Além do Horizonte, da Rede Globo.

O Terno

Com um rock mais pendente para as bandas dos anos 1960 e 1970, a banda O Terno é uma das caçulas do rock brasileiro. O trio formado por integrantes na faixa etária entre 23 e 24 anos lançou seu primeiro álbum de estúdio em 2012, intitulado 66. O trabalho inaugural, que apresentou os hits Tic Tac e a faixa que dá nome ao disco, credenciou o grupo a se apresentar no Festival Planeta Terra em 2013. No ano seguinte, a banda lançou um álbum homônimo, o segundo de estúdio da carreira.

Publicidade