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O resultado da barulhenta reforma no Museu de Arte Moderna de Nova York

As mudanças na distribuição das obras são só uma das readequações feitas pelo MoMA para dialogar com as novas gerações

Por Raquel Carneiro, de Nova York - Atualizado em 24 jan 2020, 11h08 - Publicado em 24 jan 2020, 06h00

Foi grande o barulho quando o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, fechou as portas por quatro meses para uma reforma de expansão física e, por assim dizer, ideológica. A nonagenária instituição prometeu dar maior visibilidade a obras produzidas por minorias e artistas de países pobres, rendendo-se à correção política — que denuncia a hegemonia do “homem branco europeu” na arte.

O resultado da reforma, que custou 450 milhões de dólares, é menos alarmante do que se temia. Van Gogh, Monet, Matisse e Picasso ainda são as estrelas do acervo. Hoje, porém, dividem o espaço expositivo com artistas de nações “periféricas”. Um autorretrato da mexicana Frida Kahlo surge ao lado de uma obra do catalão Joan Miró. A brasileira Tarsila do Amaral, com seu onírico A Lua (1928), fica de frente para um trabalho de Pablo Picasso. Um dos maiores tesouros do espanhol, Les Demoiselles d’Avignon (1907), agora faz par com American People Series #20: Die (1967), da artista e ativista negra americana Faith Ringgold — que emula Picasso e sua Guernica para falar de violência racial.

As mudanças na distribuição das obras são só uma das readequações feitas pelo MoMA para dialogar com as novas gerações — que desprezam as tradicionais categorizações de gêneros e estilos na arte. Não deixa de ser também uma piscadela esperta para esse público a criação de espaços de circulação mais arejados, ideais para multidões produzirem suas fotos e vídeos instagramáveis. Com visitação em queda desde 2015, o MoMA aposta muito nesse banho de loja.

Publicado em VEJA de 29 de janeiro de 2020, edição nº 2671

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