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O que sucesso dos ‘shows de laboratório’ no exterior tem a ensinar

Retomados graças à segurança trazida pela vacinação, eventos da Inglaterra à Espanha seguiram protocolos com milhares de testes antes e depois da diversão

Por Felipe Branco Cruz 3 Maio 2021, 15h38

Com a vacinação avançada e os números de mortos e contaminados com o coronavírus diminuindo em diversos países, já é possível vislumbrar como será a retomada dos shows com grandes aglomerações. Neste domingo, 2, a cidade de Liverpool, na Inglaterra, sediou um show-teste com 5.000 pessoas, sem distanciamento social e sem máscaras. O experimento foi feito para entender o efeito das multidões na disseminação do vírus. Além da cidade inglesa, eventos “de laboratório” com grandes aglomerações foram promovidos em lugares como Barcelona, na Espanha, onde 5.000 pessoas se reuniram para um show no início de abril, além de Amsterdã, na Holanda, Geelong, na Austrália, e Gisborne, na Nova Zelândia. Essas iniciativas foram, até agora, alvissareiras. E podem ensinar muito ao Brasil para a tão esperada retomada de shows ao vivo no país mais adiante.

Em todos esses países, é claro que as aglomerações só se tornaram novamente possíveis após a redução nos casos de contágios, hospitalizações e mortes, atingidos após uma ampla campanha de vacinação, aliada a políticas de distanciamento social e uso de máscara. Dito isso, com a pandemia controlada, a realização dos shows teve em comum a testagem de todas as pessoas antes e alguns dias depois do evento (para certificar de que não houve contaminação lá dentro). No mais, cada lugar decidiu se liberava ou não o uso de máscaras, e em nenhum deles o distanciamento social foi obrigatório. Um sonho para qualquer brasileiro fã de música hoje.

No caso mais recente, em Liverpool, as 5.000 pessoas presentes no show foram chamadas pela impressa britânica de “ratinhos de laboratório”, porque eles aceitaram fazer testes do tipo PCR antes (e a apresentar resultado negativos) e cinco dias depois do evento, além de fornecer seus contatos para garantir que eles pudessem ser encontrados pelo governo em caso de teste positivo. No Reino Unido, a primeira dose da vacina já atingiu cerca de 52% da população adulta, e a segunda foi aplicada em 23% das pessoas.

Em Barcelona, um show para cerca de 5.000 pessoas, ocorrido em 27 de março, foi um sucesso. Também com testes feitos antes do evento e alguns dias depois, comprovou-se que ninguém se contaminou. A diferença para Liverpool é que, na cidade espanhola, as pessoas precisaram usar máscara. Embora seis pessoas tenham apresentado teste positivo para Covid após o show, os organizadores garantiram que elas não se contaminaram durante o evento. “Com ventilação otimizada, triagem de antígenos e uso de máscaras, é possível garantir um espaço seguro”, disse um médico que pesquisou os resultados do show. 

Os exemplos mais surpreendentes vêm da Austrália e da Nova Zelândia, onde os shows foram liberados sem restrições após os dois países se livrarem do vírus. Em março, em Geelong, na Austrália, a banda Midnight Oil reuniu 13.000 pessoas, sem máscaras ou distanciamento social. Também na Austrália, o Tame Impala se apresentou em Perth, em uma casa de shows lotada, sem nenhuma restrição. Já a Nova Zelândia surpreendeu o mundo ao promover um festival de música, com 20.000 pessoas, em Gisborne. De novo, sem distanciamento social e sem máscaras.

Ainda sem sinais de que está próxima de terminar no Brasil, a pandemia segue fazendo milhares de vítimas no país. Nos últimos dados disponibilizados, neste domingo, 2, o Ministério da Saúde registrou 28.935  novos casos e 1.202  novas mortes nas últimas 24 horas. No total, são 14.754.910 casos e 407.639 óbitos confirmados em todo o território nacional.

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