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O mosaico democrático da Berlinale

Sem prejuízo das produções independentes que são sua marca, o festival abre espaço para a tecnologia 3D, nomes hollywoodianos e Madonna

Por Carlos Helí de Almeida, de Berlim 10 fev 2011, 07h06

A noite de abertura do Festival de Berlim promete ser hollywoodiana, com Jeff Bridges e Vanessa Redgrave cruzando o tapete vermelho do Palácio do Festival, mas a verdade é que a Berlinale está mais inclinada ao cinema independente do que nunca. Algumas das 16 produções que concorrem ao Urso de Ouro são dirigidas por estreantes, como a mexicana El Premio, de Paula Markovitch, e a argentina Um Mundo Misterioso, de Rodrigo Moreno. A Berlinale também assistirá a estreia do ator britânico Ralph Fiennes como diretor, à frente de Coriolanus, adaptação para os tempos modernos de um texto de Shakespeare. “Queríamos apostar em novos nomes e não apenas investir em apostas seguras”, justificou Kosslick, prometendo “talentos e tecnologias nunca exibidas antes na Berlinale”.

Entre estas últimas novidades está o 3D, tecnologia popularizada por blockbusters como Avatar e Toy Story 3. Para provar que o cinema tridimensional também pode ser aplicado aos filmes de arte, Berlim exibirá três produções no formato. Duas delas são dirigidas por veteranos do circuito de festivais: os alemães Wim Wenders e Werner Herzog. O primeiro mostrará Pina, documentário sobre o trabalho da coreógrafa Pina Bausch, morta em 2009; o segundo trará Cave of Forgotten Dreams (A Caverna dos Sonhos Esquecidos), sobre pinturas pré-históricas encontradas na França. O terceiro filme do pacote, a animação Les Contes de la Nuit (Contos da Noite), do francês Michel Ocelot, está em competição.

Apesar da inclinação indie, a Berlinale garantiu a participação de grandes nomes do cinema mundial – alguns deles indicados ao Oscar. É o caso de Colin Firth, que estará na capital alemã para a projeção especial de O Discurso do Rei, de Tom Hooper, filme indicado a 12 estatuetas da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Co-estrelas de Margin Call, do também estreante J.C. Chandor, Kevin Spacey e Demi Moore também são esperados para o evento.

Mas quem promete virar Berlim de cabeça para baixo é a pop star Madonna, que virá exibir três minutos do novo filme que dirigiu, W.E, sobre o escândalo envolvendo o príncipe Edward VIII e o amor pela socialite americana Wallis Simpson, que o fez renunciar ao trono da Inglaterra. A fechadíssima minisessão, para um seleto grupo de potenciais compradores, sequer faz parte da programação oficial do festival.

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