O impacto inesperado dos jovens na audiência da Globo na Copa do Mundo
Emissora divulgou o consolidado de audiência das partidas da seleção brasileira no torneio
Os canais da Globo (TV aberta + sportv + Ge TV) alcançaram 106,5 milhões de pessoas durante os cinco jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026, registrando um aumento de 43% na comparação com a média das quatro semanas anteriores ao torneio. “Entre os jovens de 18 a 34 anos, o aumento foi de 72% no mesmo comparativo”, destacou a emissora em nota à imprensa.
A ênfase dada pelo canal para a faixa etária não é coincidência: a força com o público jovem é o principal trunfo da CazéTV, que tem 77% de sua base de espectadores abaixo dos 44 anos de idade. Com uma linguagem mais descontraída, e um clima de “resenha”, o canal digital atraiu uma parcela da audiência cansada do tom sóbrio da televisão tradicional. Mas o número mostra que parte da juventude boleira seguiu fiel ao “padrão Globo” de transmissão.
A disputa pela audiência da Copa do Mundo
A transmissão da Copa do Mundo nunca antes foi tão fragmentada: as partidas se dividem na televisão aberta entre Globo e SBT, com a Cazé TV exibindo os jogos no YouTube. Nas partidas do Brasil, os três tem direito de transmissão, assim como Sportv e N Sports, que exibem o torneio na tv por assinatura.
Nessa disputa, a CazéTV saiu do posto de zebra para o de artilheira ao ser a única com os direitos de exibição de todas as 104 partidas do torneio: a Globo adquiriu apenas 55 partidas, e 32 delas são divididas com o SBT, que desembolsou 25 milhões de reais pelos direitos. Em meio à competição, os canais tem se alfinetado ao vivo: Globo e SBT cutucam o delay do canal digital alardeando que a tv aberta grita gol antes, enquanto a CazéTV exalta o fato de ser a única a exibir todos os jogos do torneio.
Quando o assunto é alcance, a TV aberta segue na liderança: na fase de grupos da competição, ao menos 88% do público passou pelas transmissões de Globo e SBT. Com a TV aberta, o SporTV e a plataforma on-line GE TV, o grupo Globo aparece em uma posição dominante, com 42% do público assistindo às partidas da seleção exclusivamente nos canais da casa. A posição, no entanto, já não é tão confortável quanto no passado, já que agora divide espaço e perde parte da audiência para o SBT e a CazéTV, que vem batendo recordes e conquistando cada vez mais público no meio digital.
Por que a Globo abriu mão de metade da Copa do Mundo?
Em 2021, a emissora da família Marinho renegociou o contrato que tinha com a Fifa, no valor de 90 milhões de dólares anuais pelos direitos de transmissão, e passou a pagar 40 milhões por ano. Afetada pela pandemia, visando cortar custos — e sem dar à internet seu devido valor —, abriu mão da exclusividade da Copa de 2022 e do torneio seguinte no mundo virtual e, mais tarde, optou por comprar apenas metade dos jogos do torneio de 2026.
São várias as teorias para a decisão da Globo. Nos bastidores, a justificativa mais aceita é que, quando renegociou seu contrato com a Fifa, a emissora julgou que, com o aumento de 64 para 104 jogos em 2026, exibir todos eles afetaria demais sua grade e não compensaria o custo elevado. “O grande desafio é combinar a escalada dos custos de direitos e a estratégia para capturar a atenção do torcedor, que está fragmentada”, disse Manuel Belmar, CFO da Globo, em reportagem de VEJA. Hoje, a visão é de que o negócio subestimou a concorrência e se revelou um erro estratégico que deu de bandeja à Cazé o mote de ser “a única a ter todos os jogos da Copa”.







