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‘O Fim da Rua’ carrega legado de ‘Jurassic Park’ revigorando dinossauros no cinema

Filme imagina um bairro pacato que acaba cercado pelas criaturas ameaçadoras

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 ago 2026, 08h00
‘O Fim da Rua’ carrega legado de ‘Jurassic Park’ revigorando dinossauros no cinema Priorizar nos meus resultados Google

Em um domingo qualquer, nos idos dos anos 1980, famílias em um subúrbio americano se juntam para um churrasco, praticam esportes e brindam a vida boa que levam. Mal sabem elas que a calmaria, em breve, será interrompida por nada menos do que dinossauros famintos que surgem do absoluto nada. A virada misteriosa move o filme O Fim da Rua (The End of Oak Street, Estados Unidos, 2026), que estreia nos cinemas na quinta-feira, 13. Quando o bairro todo se vê na era jurássica, a família Platt, formada pelo casal Greg (Ewan McGregor) e Denise (Anne Hathaway) e seus dois filhos, Audrey (Maisy Stella) e Brian (Christian Convery), deve lutar como for possível pela sobrevivência — enquanto reconhece seus modestos entraves humanos, como ambições reprimidas e problemas com o álcool.

O fascínio pelas criaturas colossais no cinema foi e continua a ser explorado pela franquia Jurassic Park, que tem um monopólio simbólico sobre o tema desde o primeiro filme, de 1993, do diretor Steven Spielberg. Adicionar uma roupagem doméstica ao subgênero é a ousadia do diretor e roteirista americano David Robert Mitchell. “É maravilhoso poder criar algo único, colocar no mundo uma história que não existia”, disse ele a VEJA, sem deixar de listar Spielberg e M. Night Shyamalan como inspirações.

APETITE - T-Rex à solta: produção teve orçamento de 85 milhões de dólares
APETITE - T-Rex à solta: produção teve orçamento de 85 milhões de dólares (./Warner Bros)

Discreto e, por assim dizer, lento para os padrões hollywoodianos, o cineasta de 51 anos de idade tem, contando esse, quatro longas-metragens no currículo. Estreou com a comédia O Mito Americano da Festa do Pijama (2010), mas se destacou com o segundo filme, o terror independente Corrente do Mal (2014), seguido pelo neo-noir O Mistério de Silver Lake (2018) — os dois últimos exibidos com pompa no Festival de Cannes. Em comum, suas obras exploram a vida cotidiana, especialmente em subúrbios, mas sempre com uma pitada de fantasia, horror e drama familiar.

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Criado em Detroit, ele se apaixonou pelo cinema por influência do pai, que tinha como hobby a criação de animações em stop-motion no porão de casa. Em O Fim da Rua, Mitchell equilibra ação e sentimentalismo e abre uma fresta para a própria infância, dedicando o filme ao pai, aficionado por dinossauros. Acostumado a se virar nos trinta com orçamentos baixíssimos, agora o diretor esbanja 85 milhões de dólares — com direito a trabalhar com a mesma empresa de efeitos especiais que fez Jurassic Park, a ILM. “Foi muito divertido, como brincar com brinquedos em um bairro enorme, imaginando: ‘E se o dinossauro pisar aqui?’.” Assim, surgiu uma vizinhança literalmente do barulho.

Publicado em VEJA de 7 de agosto de 2026, edição nº 3007

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