O dia em que Renato Machado cobriu a morte do homem mais importante da Globo
Jornalista marcante da emissora faleceu nesta quarta-feira, aos 83 anos
No dia 7 de agosto de 2003, o jornalista Renato Machado — morto nesta quinta-feira, aos 83 anos — abriu o Jornal Nacional que entraria para a história como um dos mais importantes da emissora carioca. “O Jornal Nacional está começando agora, com a despedida de seu criador”, entoou ele ao anunciar a edição especial dedicada ao fundador da emissora, Roberto Marinho, que morrera na noite anterior, aos 98 anos.
Naquele dia, Machado substituiu Fátima Bernardes no noticiário noturno, depois que a âncora perdeu a voz em meio à cobertura intensa do dia. Com isso, coube a Machado, ao lado de William Bonner, comandar a despedida do fundador da emissora no JN, em uma edição recheada de homenagens, retrospectivas e informações que mostraram “como o Brasil se despediu do criador das Organizações Globo”.
Ao final daquela edição, Machado ficou leu um editorial de despedida em nome dos funcionários da emissora, reforçando o compromisso com as ideias de Marinho. Depois, coube a William Bonner dar voz à carta escrita pelos filhos do fundador da emissora, se emocionando por diversas vezes durante o texto. Ao final, o programa foi encerrado com a redação em silêncio, sem a tradicional música de fechamento.
A carreira longeva de Renato Machado na Globo
Contratado pela Globo em 1982, depois de 13 anos como repórter no Jornal do Brasil, Machado construiu uma carreira de mais de quatro décadas na emissora. Lá, apresentou noticiários diversos, incluindo o Bom Dia Brasil, Jornal da Globo e RJTV, além de integrar o rodízio da bancada do Jornal Nacional e comandar reportagens especiais no Globo Repórter.
A jornada, no entanto, começou de microfone na mão: sua primeira função no canal foi como correspondente internacional em Londres, cobrindo eventos históricos como a guerra das Malvinas, os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl. De volta ao Brasil em 1988, passou atuar como repórter especial da emissora. Chegou a ir para a TV Manchete em 1990, mas retornou à Globo no ano seguinte, com reportagens especiais para o Globo Repórter.
Em 1996, assumiu o Bom Dia Brasil, onde permaneceu até 2011. Como apresentador e editor-chefe, deu nova cara ao telejornal, incentivando a adoção de um jornalismo mais dinâmico, com interações entre os apresentadores, entradas ao vivo e um formato que ia além da tradicional bancada. “Havia a necessidade de ter uma conversa um pouco mais informal, para que o telespectador acordasse e não tivesse o impacto de um noticiário lido, e sim conversado”, disse ele ao Memória Globo.
Depois dos anos como âncora e editor-chefe, retornou ao seu posto de correspondente internacional e, a partir de 2016, voltou para o Rio de Janeiro para uma nova temporada como repórter especial — função que manteve até se despedir da Globo em 2021, quando se aposentou da televisão aos 78 anos.
Ao falar sobre o telejornalismo, destacava sempre a necessidade de conhecimento amplo e o acúmulo de curiosidades “sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição”. “É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra”, reconheceu ele, que ajudou a remodelar o formato do noticiário da maior emissora do Brasil.







