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O desafio de contar imagens para que os não podem ver

Nova edição do Rock in Rio oferece serviço de audiodescrição para deficientes visuais

Por Bruna Motta, do Rio de Janeiro - 4 out 2019, 22h46

A dubladora Patrícia Saiago tem um desafio especial nesta edição do Rock in Rio: ela é uma das encarregadas de relatar o que se passa nos palcos e na plateia para aqueles que não conseguem ver o que acontece.

Nesta edição do festival, os organizadores passaram a oferecer o serviço de audiodescrição para deficientes visuais – de posse de fones e de aparelhos receptores, eles podem ter uma ideia dos gestos e efeitos que acompanham cada apresentação.

Há dois anos que Patricia participa de treinamentos que a capacitaram a traduzir imagens em palavras. “Tudo que acontece ao nosso redor é relatado para eles”, disse.. Ao longo dos shows, a dubladora se mantém de pé para observar tudo com maior precisão.

A dubladora contou que sua curiosidade pela função veio após o avô ser diagnosticado com quadro de perda de visão. Nesta sexta 4, ela frisou o orgulho que tem pelo trabalho: “É incrível ver a reação deles acompanhando o evento”, afirmou a VEJA.

Um dos beneficiados pela audiodescrição é o servidor público José Rubens Silva, de 38 anos, que foi ao festival acompanhado da namorada Rogéria Rodrigues, 34 anos. Ele, que também é musico, ressaltou que a deficiência visual não o impede de aproveitar os shows: “Desfruto do festival como todo mundo. A falta de visão não me impede de aproveitar porque o rock é tão louco que transcende os sentidos”, disse.

Fã de heavy metal desde a infância, Silva afirmou que a música tem a capacidade de agregar e proporcionar diferentes experiências. “É uma espécie de ritual”, definiu o piauiense, que foi pela primeira vez à Cidade do Rock.

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