O calvário de Hayden Panettiere com o vício e traumas familiares
Estrela da série Nashvile morreu neste domingo, aos 36 anos, e teve vida marcada por tragédias
A jovem Juliette Barnes não tinha vida fácil em Nashville. Estrela da música country, a personagem vivida por Hayden Panettiere, morta neste domingo, aos 36 anos, enfrentou depressão pós-parto, vícios e problemas com a fama. O sofrimento refletia o calvário da própria atriz, que percebeu, ao longo da série, estar interpretando dores pessoais. “Mergulhei de cabeça no meu próprio inferno. Eu sofria de ansiedade debilitante e um vício do qual não conseguia me livrar, e tive que passar por isso duas vezes. Primeiro como Hayden, e depois diante de milhões de pessoas, como Juliette”, escreveu ela em seu livro de memórias, publicado este ano.
Iniciada no mundo da atuação com apenas 11 meses, através de comerciais, Hayden cresceu em frente às câmeras, e se abriu nos últimos anos sobre o preço pago por isso. Em entrevistas de divulgação de seu livro, ela contou que foi prepara para ser atriz desde pequena, como um “pequeno soldado”. Quando era adolescente, passou a lidar com problemas de autoimagem por conta da perseguição de paparazzis e recebeu, de um membro de sua equipe em quem confiava, um “pilula da felicidade” para que parecesse animada nos tapetes vermelhos. “Isso acabou sendo a porta de entrada que me conduziu aos benefícios dos medicamentos e à ruína do vício”, atestou ela, dizendo que acreditava ter recebido anfetaminas.
Ainda adolescente, em Hollywood, também foi submetida a todo tipo de assédio. Aos 18 anos, alguém em que ela ela havia “aprendido a confiar” a colocou “na cama ao lado de um homem nu e muito famoso”, em um iate. Assustada, ela fugiu e tentou se esconder em outro lugar do barco. “Não havia ninguém que se solidarizasse com a minha situação. Percebi que isso não era novidade para eles”, apontou ela. Além disso, tinha a mãe como empresária, o que acabou balançando a relação familiar.
Procurando uma fuga para o sofrimento, mergulhou no álcool. Quando a filha nasceu, desenvolveu uma depressão pós-parto que agravou o alcoolismo e a dependência de remédios. O vício fez com que ela abrisse mão da guarda da filha, que passou a morar com o pai. “Não estar sob o mesmo teto que ela todos os dias tem sido a experiência mais dolorosa da minha vida, e é difícil descrever as camadas de emoção, incluindo tristeza, ressentimento e raiva que senti por causa disso…”, escreveu ela em seu livro, dizendo que nenhuma mãe deveria criar a filha videochamada”.
Em suas memórias, ela escreveu que chegou a ouvir de um médico que “morreria em cinco anos” se não parasse de beber, por conta de graves problemas no fígado e icterícia decorrentes. O vício, na época, a ajudava a se distanciar de problemas constantes, como a distância da filha e o relacionamento abusivo com o ator Brian Hickerson. Violento, ele chegou a espancá-la com tanta brutalidade que a atriz “não saí de casa por semanas” por conta dos ferimentos deixados em seu rosto. Em 2021, ele foi preso após se declarar inocente das acusações de violência doméstica.
Ela sofreu outro grande trauma pessoal em 2023, quando seu irmão mais novo, Jansen, faleceu devido a um problema no coração, aos 28 anos. Em uma entrevista à revista People, Hayde disse que a perda do irmão fez com que ela desenvolvesse uma ansiedade e medo intenso. “Ele era meu único irmão, e era o mais novo, e era minha responsabilidade protegê-lo”, disse ela sobre a morte. Mesmo assim, se esforçava para ter uma visão positiva sobre a vida. “Passei anos em tratamento tentando entender essas perdas e cheguei à conclusão de que a única coisa que posso mudar sou eu mesma e a pessoa que quero ser”, atestou ela.







