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‘O Astro’ 2011 terá cenas mais ‘ousadas’

Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro falam da adaptação do clássico de Janete Clair e dizem que, no ar como minissérie, na faixa das 23h, ela terá um 'derramar de amor desesperado'

Por Carol Carvalho 18 jun 2011, 18h03

Enquanto O Astro de 1977 foi um marco pelo misticismo do vidente charlatão Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco, agora Rodrigo Lombardi), o de 2011 será um “derramar de amor desesperado”. É o que antecipam os autores Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, responsáveis pela adaptação para os dias atuais da obra de Janete Clair. O remake, que estreia em 12 de julho no formato minissérie, com 60 capítulos, irá ao ar na faixa das 23h, para um público acima de 16 anos, o que, segundo os autores, permitirá cenas mais ousadas.

Em entrevista por e-mail ao site de VEJA, os autores revelam o que todo mundo queria saber. Salomão Hayala vai morrer de novo. Só não se sabe ainda pelas mãos de quem. Ao telefone com Alcides Nogueira, o dramaturgo Geraldo Carneiro digitou as respostas que seguem abaixo.

O Astro transformou em bordão a pergunta “quem matou”, com o assassinato de Salomão Hayala. O que fez desse um bordão vitorioso, copiado por outras novelas? Não se trata de cópia, mas de abordagem. O folhetim possui recursos próprios, que servem perfeitamente à teledramaturgia. Todas as novelas, de uma maneira ou de outra, acabam usando esses pilares folhetinescos – que não são inverossímeis. Muitas vezes, a vida real é mais estranha do que o mostrado na telinha.

Por falar em Salomão, ele terá o mesmo destino que a versão original? Haverá um novo assassino? Sim, Salomão será morto. E a dúvida ficará no ar – a pergunta “Quem matou Salomão Hayala?”. Não poderíamos ignorar esse acerto de Janete Clair. Salomão terá o mesmo desfecho, mas quanto ao assassino, isso é segredo de estado (como disse Daniel Filho ao general Ernesto Geisel).

Geraldo Carneiro, com Maria Adelaide Amaral (vertical)
Geraldo Carneiro, com Maria Adelaide Amaral (vertical) VEJA

O que podemos aprender com os clássicos? Ler os clássicos e os contemporâneos é essencial, sempre. Com Balzac, por exemplo, aprendemos como uma história com tramas bem urdidas, personagens bem estofados, resiste ao tempo. Ler é a grande escola.

O Astro será em formato de minissérie, com 60 capítulos. A que se deve essa estratégia de enxugar a novela? Não é uma estratégia. É um formato que já foi usado em minisséries como A Muralha, Um Só Coração e JK, por exemplo. É uma homenagem aos 60 anos da teledramaturgia no Brasil. Foi uma escolha. Será a primeira vez que esse formato entra no ar no meio do ano.

O Brasil mudou muito desde a exibição de O Astro em 1977. Quais as adaptações que os senhores preveem no roteiro? São muitas. É uma releitura. O Astro de Janete Clair era contemporâneo à sua época (anos 1970), nós decidimos trazer para os dias de hoje, e assim, O Astro de Alcides e Geraldo é contemporâneo à época de hoje, os anos 2010. Com isso, o perfil dos personagens mudou, modernizou. Mantivemos os ícones, mas os caminhos serão diferentes.

O horário de exibição pode influenciar no roteiro? Há uma liberdade maior de criação? Sim, claro. A classificação é de 16 anos, e assim poderemos escrever cenas mais ousadas.

Os senhores assistiram novamente à novela para reescrevê-la? Não, não assistimos. Temos como base o texto de Janete Clair. Mas preferimos não nos debruçar sobre ele e sim compreender a alma dessa novela e revisitá-la com o nosso olhar. Por exemplo, decidimos usar o amor rasgado como referência atemporal. Podem esperar para essa versão um derramar de amor desesperado.

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