Novo Pablo Escobar, John Leguizamo a VEJA: “Meu sotaque é melhor que o do Wagner Moura”
Nascido na Colômbia, ator interpreta nova versão do criminoso na série 'Dear Killer Nannies', do Disney+, e fala sobre comparações com o brasileiro
Dear Killer Nannies: Criado por Assassinos narra a história de Juan Pablo Escobar, filho do narcotraficante mais poderoso da Colômbia, que tinha os capangas do pai como babás. O que o atraiu no projeto? Me interessei porque nesta série vemos coisas que nunca vimos antes. Ouvimos o que era dito a portas fechadas entre marido e mulher, entre pai e filho. A série é baseada na biografia de Juan, que mudou de nome para Sebastián Marroquín. Eu me encontrei com ele e recebi muitas dicas sobre como interpretar seu pai.
O senhor é colombiano assim como Escobar. Como foi criar sua versão de uma figura tão controversa para seu país? Assim como os atores brancos têm que interpretar Hamlet e fazer Shakespeare em algum momento da carreira, parece que todo ator latino tem que fazer o Pablo: Benicio del Toro, Wagner Moura e Javier Bardem passaram pelo papel — e nenhum deles é colombiano. Senti muita pressão para superar meus grandes colegas e também para estar à altura dos colombianos.
O que achou da versão de Wagner Moura em Narcos, da Netflix? Ele é um ótimo ator, mas meu sotaque é melhor que o do Wagner. Eu amei O Agente Secreto, inclusive, é um filme fenomenal. Como Escobar, ele acertou bem na interpretação física, mas o sotaque foi mais ou menos. É realmente difícil.
Por que acha que a história de Pablo Escobar causa tanto fascínio? Porque ele veio da pobreza e se tornou o gângster mais rico da história, morrendo com uma fortuna de 30 bilhões de dólares — o que hoje seriam 70 bilhões. Ele ter vindo da pobreza e conquistado esse tipo de riqueza e poder mexe com a cabeça das pessoas. É inacreditável. Todos queremos entender como isso aconteceu.
Sebastián cresceu nesse ambiente de violência e criminalidade, mas não seguiu os passos do pai. Como acha que isso foi possível? É um testamento incrível do caráter do Sebastián. Em O Poderoso Chefão, todos os filhos do Don Corleone se tornam gângsteres, o que é muito fácil quando se tem 30 bilhões de dólares e um exército. Mas acho que Sebastián fez algo grandioso: mudou de país, trocou de nome, virou arquiteto e transformou sua vida.
O que assimilou desse recorte da vida do famoso traficante? Para mim, essa história mostra que um assassino também pode ser um pai amoroso.
Publicado em VEJA de 17 de abril de 2026, edição nº 2991







