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Novo álbum do AC/DC, ‘Power Up’, é mais do mesmo. Ainda bem

A banda australiana lança seu 17º trabalho autoral e tenta superar a morte do guitarrista Malcolm Young

Por Felipe Branco Cruz Atualizado em 13 nov 2020, 10h31 - Publicado em 13 nov 2020, 10h11

Se há um ano alguém dissesse que 2020 seria atingido por uma pandemia de proporções globais, mas também afirmasse que o AC/DC lançaria um novo álbum de inéditas, é provável que as pessoas achassem mais plausível a pandemia acontecer do que o disco sair. E, ainda assim, as duas coisas aconteceram. A banda australiana lança nesta sexta-feira, 13, (que data!) seu 17º trabalho, Power Up.

O álbum, que chega seis anos após o último lançamento, Rock Or Bust (2014), tinha tudo para não existir. A começar pela morte de um dos principais integrantes, o guitarrista Malcolm Young, aos 64 anos, em 2017. Aos fãs, parecia impossível substituí-lo. As 12 faixas de Power Up ainda mantêm a força e a energia que caracterizou o AC/DC em seus quase 50 anos de carreira. Mas o ritmo seguro e eficiente que Malcolm imprimia às músicas e dava ao irmão Angus a liberdade para se divertir com seus criativos solos, ainda é sentida. Não à toa, Malcolm sempre foi considerado um dos maiores representantes da guitarra rítmica do rock. O sobrinho Stevie Young, 63, que já havia substituído o tio em 1988, quando ele deixou a banda para tratar do alcoolismo, entrou definitivamente no grupo em 2014.

Não fosse a morte de Malcolm, AC/DC teria outra forte razão para nunca mais voltar a gravar: o vocalista Brian Johnson sofreu um problema auditivo durante a turnê de Rock or Bust e precisou abandonar os palcos. Caso voltasse a fazer shows, ele corria o risco de perder a audição definitivamente. A saída foi convidar Axl Rose, do Guns N’ Roses, para substituí-lo, mas nem de longe o timbre vocal dele poderia substituir os rasgados agudos de Johnson. Nos palcos, no entanto, a bizarra participação de Axl até que funcionou e, ironicamente, ajudou a sacramentar definitivamente a paz com Slash. Contrariando as previsões, felizmente Johnson se recuperou e voltou para a banda. Os outros dois integrantes, o baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams também não estavam disponíveis para gravar. O primeiro estava fora da banda por ter se enrolado na Justiça com acusações de porte de drogas e ameaça de homicídio. O segundo estava aposentado. Porém, mais uma vez, contra todas as previsões, os dois também voltaram a banda.

O resultado é um disco que soa exatamente como os fãs esperem que soem as músicas do AC/DC. Power Up, no entanto, está mais para uma variação menos inspirada dos dois últimos álbuns, Black Ice (2008) e Rock or Bust (2014), do que uma ode a Back in Black (1980) ou For Those About To Rock (1981). Mas os integrantes, já sexagenários, não perderem a energia. As guitarras e os temas das músicas continuam divertidos e falam de mulheres, diversão e rock and roll. A faixa System Down, por exemplo, fala sobre uma fornalha que está prestes a explodir. As pessoas até poderiam dizer que o AC/DC virou uma banda política e que essa letra analisa o cenário atual. Mas, não. É apenas uma música que fala, literalmente, de uma fornalha prestes a explodir. Já em Demon Fire, o sentimento de deja-vù é mais forte. Ela parece ter saído diretamente do passado, com um riff de abertura que remete ao clássico Whole Lotta Rosie (1977).

Certa vez, Angus Young afirmou em uma entrevista que estava cansado das pessoas dizendo que ele tinha feito 11 discos que soavam exatamente iguais. “Na verdade, nós fizemos 12 álbuns que soam exatamente iguais”, disse. Com Power Up, o número sobe para 17 trabalhos exatamente iguais. Ainda bem.

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