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Nova geração do cinema gay domina programação do Festival do Rio

Títulos do filão vêm ganhando prêmios internacionais e são foco tanto da abertura quanto do encerramento do evento carioca

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 out 2026, 14h43
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Começa hoje a 28ª edição do Festival do Rio, um dos maiores eventos para cinéfilos do país, e quem está a par da programação pode já ter notado uma tendência da safra atual: a temática gay tem força incontornável, e estará presente tanto na Gala de Abertura do evento, quanto na de encerramento. Na primeira cerimônia, será exibido o vencedor do prêmio de melhor direção do Festival de Cannes, A Bola Preta, enquanto a segunda dará fim às festividades com Club Kid, que saiu do mesmo festival francês com o troféu Queer Palm, dedicado a expoentes LGBT.

Entre os dois, A Bola Preta é o que mais tem chance de continuar a ser falado durante a temporada de premiações. O filme tem estreia nacional marcada para 21 de janeiro de 2027 e é dividido em três histórias de amor, situadas respectivamente em 1932, 1937 e 2017. Para além dos rapazes, em sua maioria novatos à atuação como o cantor Guitarricadelafuente, o elenco conta com Penélope Cruz e Glenn Close.

Já Club Kid conta a história de um homem gay devoto à vida noturna que, certo dia, descobre ter engravidado uma mulher há uma década. Quando o filho pré-adolescente bate em sua porta, o rapaz deve reavaliar todo seu cotidiano e suas ideias sobre o que forma uma família.

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A presença, contudo, não para por aí. Dentro da programação, é possível conferir o novo projeto do diretor americano Ira Sachs, que se dedica a capturar retratos naturalistas do convívio homossexual. The Man I Love é estrelado pelo vencedor do Oscar Rami Malek e acompanha um rapaz que encara a mortalidade devido a um diagnóstico de aids na Nova York dos anos 1980.

Já outro expoente de Cannes é Coward, do belga Lukas Dhont, que rendeu o troféu de atuação masculina aos jovens Valentin Campagne e Emmanuel Macchia, que vivem dois soldados durante a Primeira Guerra que, em vez de se dedicar à luta nas trincheiras, preferem assumir a responsabilidade pelo entretenimento dos militares, apresentando shows musicais e espetáculos que remetem à arte drag contemporânea. Tudo que se vê em tela — por mais ousado que seja — tem base em peças que realmente eram apresentadas por homens fardados no começo do século XX.

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Mais uma pedida melancólica é Um Longo Inverno, de Andrew Haigh, diretor de Todos Nós Desconhecidos (2023). Agora debruçado sobre o gênero do faroeste, o cineasta inglês conta a história de uma família cuja matriarca desaparece, deixando desamparados seu marido rígido e seu filho enrustido Mikey (Fred Hechinger).

Para quem busca uma opção mais leve, existe a animação Jim Queen, coprodução entre França e Bélgica que utiliza tons berrantes para imaginar um mundo no qual um vírus transforma homens gays em heterossexuais. Desesperado, o influenciador fitness que dá nome ao filme parte em uma aventura pela cura. Na versão em inglês, a voz do protagonista é de Jordan Firstman, de Club Kid.

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A temática, contudo, não se limita ao cinema internacional. Uma das apostas mais curiosas do evento é Privadas de suas Vidas, um terror satírico trash dirigido por Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre, no qual vasos sanitários se transformam em criaturas assassinas. Com Marco Pigossi, Maria Gladys e Rodrigo Apresentador no elenco, o longa-metragem satiriza os moradores diversos de um condomínio de apartamentos e demonstra o mesmo olhar ácido de Vinagre para o conservadorismo presente em Três Tigres Tristes (2022) e Deus tem AIDS (2022).

London, que saiu vitorioso do Festival de Veneza em setembro, é outra opção chamativa: o filme mostra o dia a dia do personagem-título, um jovem com deficiência que trabalha em uma casa de fetiches e passa por uma intensa jornada de autodescoberta.

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Por fim, é até possível ignorar os lançamentos e estudar a história do cinema LGBT por meio do evento, que promove uma retrospectiva do cineasta alemão Rosa Von Praunheim em parceria com o Goethe Institut. Entre 6 e 8 de outubro, sete longas-metragens do cineasta serão exibidos, incluindo o clássico Não é o Homossexual que é Perverso, mas a Situação em que Ele Vive (1971).

Em entrevista a VEJA, a idealizadora, curadora e diretora geral do evento Ilda Santiago explicou o tamanho da safra: “Esse é um ano muito especial para o cinema queer [termo guarda-chuva que engloba a sigla] por muitos motivos. Acredito que a memória coletiva esteja ficando cada vez mais curta, e esses longas resgatam histórias dos últimos 50 anos, agora repensadas a partir do prisma atual. É muito importante que a lembrança das lutas civis seja preservada, para que então pensemos qual tipo de mundo queremos daqui para a frente. Filmes como La Bola Negra, The Man I Love e Coward são cada vez mais necessários”.

Informações sobre os horários das sessões e compra de ingressos podem ser acessadas no site oficial do Festival do Rio

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