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No Carnaval de rua, o maior desfile é das camisetas

Assinadas por artistas plásticos famosos, elas se tornaram a marca registrada dos blocos cariocas

Por Andrea Dutra 19 fev 2011, 17h32

Longe vai o tempo de Assis Valente, em que bastava vestir uma camisa listrada e sair por aí para enfrentar o carnaval de rua. A Camisa Amarela de Ary Barroso, também não serve mais, nem para um “café zurrapa do Largo da Lapa”. Há mais de 20 anos, o Rio de Janeiro elegeu sua fantasia favorita: a camiseta. E até o Cordão do Bola Preta, o mais antigo bloco da cidade, aderiu à moda, e vai arrastar mais de um milhão de pessoas vestindo a camisa assinada pelo carnavalesco Milton Cunha.

A Banda de Ipanema homenageia os 100 anos de Assis Valente, autor de Camisa Listrada, José Maria de Abreu, Mario Lago, Nelson Cavaquinho, Pedro Caetano, Peterpan e Sinval Silva, com camiseta dos irmãos Caruso, incorporando a flor que Niemeyer desenhou para a camisa de 2010.

As camisetas do Suvaco do Cristo bem poderiam estar expostas numa galeria de arte, devidamente assinadas por Pojucan, Gerald Thomas, Luis Stein, Raul Mourão. O Simpatia é Quase Amor não fica atrás, com camisetas de Carlos Scliar, Vik Muniz e Rubens Gerchman. Este ano, Ferreira Gullar mostra sua face de pintor na camiseta do bloco. Puro luxo e riqueza. Depois do carnaval, é só guardar a camiseta como quem guarda uma obra de arte, que valoriza com o tempo.

Luiza veste a camisa do Suvaco desde criancinha. Atriz e cantora, ela é a Lorelai, da novelinha Malhação, da TV Globo, e se prepara para lançar o primeiro CD com a banda Os Gutembergs, formada no reality show “Geléia do Rock”, do Multishow. É uma tradição dos Casé sairem no bloco, juntos e fantasiados. O pai de Luiza, o produtor Augusto Casé, é amigo da turma da diretoria do bloco, desde o começo, e a mãe, a coreógrafa Andrea Maciel, já foi até porta-bandeira do Suvaco.

Neste Carnaval sem abadás, o Escravos da Mauá escolhe camiseta como quem escolhe samba. Monica Marta levou a melhor. Ziraldo, veterano na arte de desenhar camisetas de bloco, cutuca o politicamente correto e abraça Monteiro Lobato a uma mulata para o Que m. é essa?

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Claro que ninguém é obrigado a usar camiseta para sair em um bloco, e carioca adora se fantasiar, mas é lindo de se ver aquele mar de gente feliz, de camiseta personalizada, transformada. Todo mundo igual e diferente.

O Bloco de Segunda tem designer exclusivo, o Betuca. O bloco do Barbas desfila sua Tropa de Etílicos numa charge clássica de Aroeira. Na categoria infantil, o Gigantes da Lira ostenta desenho da premiada ilustradora Mariana Massarani. O Imprensa que eu gamo vem de Rico Lins, e o Carmelitas, que já teve a arte de Aliedo, Selarón, Loredano e Bob Siqueira, mantém o veuzinho na cabeça, mas usa camiseta de Bia Rondon. O Bloco Virtual, que já vestiu Ernesto Neto, este ano vem de artista popular pernambucano, André Lindoso.

Este ano, meu bem, tá combinado: É só vestir a camiseta do bloco e sair por aí.

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