Netflix confessa que ‘Brasil 70’ e mais 300 séries originais foram feitas com IA
Segundo a empresa, ferramentas do tipo asseguram que 'obras de alta qualidade sejam feitas de forma mais rápida e barata'
A Netflix revelou nesta quinta-feira, 16, que cerca de 300 dos seus seriados originais lançados em 2026 foram realizados com ajuda da inteligência artificial generativa. O relatório de receita do segundo trimestre esclarece que ferramentas do tipo são utilizadas em todas as etapas de produção, desde a concepção de ideias até as fases de pós e distribuição. Entre as séries, Brasil 70: A Saga do Tri foi destacada como exemplo: a IA foi utilizada para gerar multidões nas arquibancadas de estádios e “cenas altamente complexas”, segundo a empresa. Além da obra brasileira, a série indiana O Peso da Glória e a produção documental americana O Experimento Americano utilizaram a ferramenta de forma similar.
O comunicado da empresa argumenta que o uso de inteligência artificial está crescendo gradualmente para assegurar que “obras de alta qualidade sejam feitas de forma mais rápida e barata” e para que suas séries não tenham que excluir “planos e sequências chave devido à ausência da tecnologia generativa”.
A Netflix teve receita de 12,56 bilhões de dólares ao longo do bimestre, cerca de 64,52 bilhões de reais, um acréscimo de 13,4% em relação ao mesmo período em 2025. Com isso, o lucro líquido da empresa chegou a 3,4 bilhões de dólares (R$ 17,47 bilhões).
Para além da revelação, a Netflix já vinha se mostrando receptiva à inteligência artificial, tendo a incorporado em suas ferramentas de busca e em seu departamento de publicidade. Em maio, a gigante do streaming anunciou que formará um estúdio de animação experimental chamado Inkubator, cujas obras serão totalmente apoiadas em IA. Não só, a empresa também comprou a start-up Interpositive, fundada por Ben Affleck, que busca desenvolver ferramentas de IA que auxiliem cineastas nos bastidores.
Segundo o CEO Ted Sarandos, a inteligência artificial proporciona que artistas tenham “ferramentas melhores para dar vida a suas ideias”. Citando a produção de O Experimento Americano, ele alega que a tecnologia solucionou um obstáculo de restauração de modo “duas vezes mais rápido e com metade do preço das alternativas”.
Ainda assim, ele alega que isso não substituirá artistas: “Acreditamos que grandes talentos são necessários para fazer algo ótimo, e a IA não muda isso. Filmes ainda serão feitos por cineastas”. No passado, ele também chegou a dizer que não se importava com resultados “mais rápidos e baratos”, caso as ferramentas não proporcionassem algo melhor do que as outras opções.
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